Mais de 160 anos após sua publicação, Os Miseráveis, de Victor Hugo, continua despertando reflexões sobre desigualdade, justiça e compaixão. Agora, o clássico da literatura francesa ganha uma nova montagem em Brasília pelas mãos da Cia de Cantores Líricos, que apresenta uma versão brasileira do musical em sessões gratuitas ao longo do mês de agosto no Sesc Gama, Sesc Ceilândia e Teatro da Caesb, em Águas Claras.
Embora a história seja ambientada na França do século XIX, a diretora-geral da companhia, Renata Dourado, que também interpreta Fantine, acredita que os temas da obra permanecem atuais justamente por abordarem dilemas humanos que atravessam gerações. “Acredito que Os Miseráveis continua atual porque traz reflexões sobre a justiça divina e a justiça dos homens, sobre o que é certo, o que é moral e o que é ético. São questões que ultrapassam o tempo, assim como a compaixão e a possibilidade de recomeçar”, afirma.
Além da mensagem da obra, Renata destaca que a música também é um dos fatores que tornam o espetáculo tão marcante. Segundo ela, a companhia utiliza as melodias do musical com novas letras, adaptadas para a montagem brasileira em razão dos direitos autorais.
Levar um dos maiores romances da literatura mundial aos palcos, no entanto, exigiu um trabalho cuidadoso de adaptação. O desafio, segundo a diretora, foi condensar uma narrativa extensa sem comprometer sua essência. “O maior desafio foi resumir um romance gigantesco e um musical já consagrado sem perder a essência da história. Queríamos criar um espetáculo leve, agradável e que não fosse tão longo. O resultado tem cerca de uma hora e quarenta minutos, e conseguimos transmitir toda a mensagem da obra com cenas muito marcantes”, explica.
Na trama, o público acompanha a trajetória de Jean Valjean, condenado a 19 anos de prisão por roubar um pão. Ao conquistar a liberdade, ele tenta reconstruir a própria vida enquanto é perseguido pelo inspetor Javert. Ao redor dos dois, personagens como Fantine, Cosette, Marius, Éponine e os Thénardier ajudam a retratar a pobreza, a desigualdade e os conflitos sociais da França do século XIX.
Para Renata, as discussões propostas pela obra dialogam diretamente com o cenário contemporâneo, especialmente em um momento de debates políticos e sociais. “O tema que mais conversa com os dias de hoje é justamente a discussão sobre ética, moral e justiça. É um assunto que volta à tona, especialmente em períodos eleitorais. A obra faz refletir sobre a diferença entre a justiça dos homens e aquilo que pode ser entendido como justiça divina”, comenta.
Entre os momentos mais impactantes da montagem, a artista destaca a cena da revolução, inspirada na luta dos estudantes por mudanças sociais. “A cena da revolução costuma ser a que mais emociona. É quando os estudantes lutam por dias melhores, e acredito que o público brasileiro se identifica com essa busca por mudanças e por um futuro melhor. É um momento muito forte e que fica na memória de quem assiste”, diz.
A produção conta com Vittor Borges no papel de Jean Valjean, Tiago Scafuto e Féllix se revezando como Javert, Tiago Boca como Marius, Julia Basile como Cosette e Bruna Hernandes interpretando Éponine. O espetáculo também reúne cenário, figurinos de época e efeitos especiais para transportar o público ao universo criado por Victor Hugo.
Serviço
Os Miseráveis – O Musical
15 de agosto
Teatro Paulo Gracindo – Sesc Gama
Sessões às 17h e 19h30
22 e 23 de agosto
Teatro Newton Rossi – Sesc Ceilândia
Sessões às 19h
30 de agosto
Teatro da Caesb – Águas Claras
Sessões às 17h e 19h30
Entrada: Gratuita (ingressos antecipados pelo Sympla)
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.
Mais informações: Instagram @ciadecantoresliricos.