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Teatro e Dança

Nany People celebra grandes marcos em estreia inédita no Teatro Caesb

Atriz e humorista apresenta novo espetáculo inspirado em sua biografia amanhã,às 20h

Alexya Lemos

23/01/2026 5h00

nany people

Foto: Moisés Pazianotto/ Divulgação

Nany People inicia 2026 em clima de celebração ao levar pela primeira vez a Brasília o espetáculo Ser Mulher Não é Para Qualquer Um – O Espetáculo. A apresentação, amanhã, no Teatro CAESB, integra um momento simbólico da trajetória da artista, que comemora 60 anos de vida, 50 de carreira e três décadas de presença contínua na televisão brasileira. O palco, espaço central de sua formação e atuação, volta a ser o território escolhido para revisitar caminhos, escolhas e atravessamentos que marcaram sua história pessoal e profissional.

A montagem é baseada na biografia recém-lançada da artista e propõe uma travessia cênica por episódios, memórias e inspirações que ajudaram a moldar uma das figuras mais reconhecidas do humor nacional. Com texto assinado por Flávio Queiroz e direção artística e conceitual de Marcos Guimarães, o espetáculo articula relato autobiográfico, comicidade e emoção, sem abrir mão de uma estética que valoriza a narrativa visual. Projeções e números musicais ajudam a construir esse percurso, que dialoga diretamente com o público ao abordar temas universais como tempo, perdas, amadurecimento e escolhas.

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Foto: Moisés Pazianotto/Divulgação

Ao transportar para o palco experiências originalmente registradas no livro, Nany enfrenta dificuldades. “O maior desafio, quando você leva para o palco uma história, uma cena, uma narrativa que nasceu no livro, é não deixar que ela chegue com o mesmo peso, a mesma gravidade que tinha na sua forma original”, afirma. Para ela, a transposição exige transformação como forma de permitir que o conteúdo chegue ao público de maneira sensível e acessível.

Mais do que um retrospecto, o espetáculo se insere em um debate atual sobre envelhecimento e etarismo. Em um contexto social que frequentemente associa valor à juventude, a artista utiliza sua própria trajetória para questionar essa lógica e propor outra perspectiva sobre o passar do tempo. “Num país em que cada vez mais pessoas vão chegar aos 60, 70 anos, ainda se insiste em tratar a juventude como se fosse o melhor momento da vida e isso não é verdade”, diz. A maturidade, segundo ela, traz conquistas subjetivas que não se medem em aparência, mas em autonomia emocional e liberdade de escolha.”Não me troco. Eu prefiro os meus 60: essa liberdade, essa autonomia, essa evolução emocional que eu conquistei.”

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Foto: Moisés Pazianotto/ Divulgação

Esse posicionamento dialoga diretamente com a narrativa do espetáculo, que se dirige também a uma geração marcada por rupturas, encerramentos de ciclos e redefinições de identidade. Ao longo da peça, Nany compartilha reflexões sobre perdas e recomeços, propondo uma leitura ativa da própria história como forma de resistência e afirmação. “Eu senti que precisava ir para o palco para mostrar que não importa o que a vida faz com a gente, mas sim o que a gente faz com aquilo que a vida faz com a gente”, destaca a artista, ao explicar a motivação que a levou a transformar essas vivências em cena.

Mineira de Machado, criada em Poços de Caldas e radicada em São Paulo desde os estudos em Artes Cênicas, Nany construiu uma carreira marcada pela diversidade de linguagens e pela presença constante em diferentes meios. Teatro, rádio, cinema e televisão a firmaram como artista multifacetada e figura pioneira, integrando elencos de programas populares e, mais recentemente, novelas e atrações musicais. A fidelidade ao desejo inicial de ser atriz aparece como eixo estruturante dessa trajetória. “Eu me mantive fiel ao meu propósito. Não me afastei dele em nenhum momento”, resume.

“Essa resiliência, de ter seguido firme no meu propósito, é o que mais celebro nesses 50 anos de carreira, 30 de televisão e 60 anos de vida. Ter sido fiel ao meu sonho.”

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Foto: Moisés Pazianotto/Divulgação

Para ela, seguir em frente exige coragem para encerrar ciclos e redefinir prioridades. “A gente aprende a não discutir tudo, a sentar, a observar, a fechar ciclos, a fechar contas. E pra fechar a conta, é preciso coragem”, afirma. Essa compreensão atravessa o espetáculo, que se propõe menos como uma autobiografia linear e mais como um encontro entre memória, presente e projeção de futuro.

Serviço
Ser Mulher Não é Pra Qualquer Um – O Espetáculo
Quando: 24 de janeiro de 2026, sábado, às 20h
Onde: Teatro CAESB, Avenida Sibipiruna, Lotes 13 a 21, Águas Claras, Brasília, DF
Ingressos pelo link
Valores: R$120 (inteira), R$60 (meia)

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