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Teatro e Dança

Musical Sbørnia encerra temporada em Brasília com chave de ouro

Espetáculo musical “A Sbørnia Kontr’Atracka” retoma personagens clássicos e amplia o universo fictício em duas sessões amanhã

Alexya Lemos

09/01/2026 5h00

Atualizada 08/01/2026 17h07

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Foto: Ronaldo Canos/ Divulgação

Em circulação nacional por sete capitais brasileiras, o espetáculo musical “A Sbørnia Kontr’Atracka” chega a Brasília para encerrar o Circuito Petrobras com duas sessões amanhã, no Teatro da CAIXA Cultural. A montagem leva ao palco as aventuras dos habitantes da fictícia ilha de Sbørnia, um território anárquico, flutuante e separado do continente após tentativas nucleares fracassadas, para abordar, com humor e ironia, temas como identidade cultural, memória e a tensão entre tradição e modernidade.

Criada por Hique Gomez, a Sbørnia nasceu ainda nos anos 1980, no espetáculo “Tangos e Tragédias”, e desde então vem sendo continuamente reconstruída. Segundo o diretor, a relação do grupo com a arte sempre esteve ancorada no presente, o que levou à criação de um conceito próprio de reaproveitamento simbólico da cultura. “Criamos a Recykla Gran Rechebuchyn, a Grande Lixeira Cultural da Sbornia, que é na verdade nossa forma de falar sobre memória cultural e sobre arte descartável e valores criativos”, afirma. A ideia funciona como uma metáfora central da obra: materiais artísticos do passado são transformados, sem perder sua essência.

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Foto: Ronaldo Canos/ Divulgação

Esse processo de recriação constante também se reflete na música e na dramaturgia. “Tudo o que passa por nossa Usina de reciclagem ganha uma nova encarnação. O espírito das canções permanecem, mas dentro de uma forma renascida”, diz Hique, ressaltando que a originalidade da Sbørnia está justamente na capacidade de síntese e transformação. Para ele, é essa operação criativa que permite que o universo sbørniano continue atual, mesmo após décadas de existência.

Ao longo do tempo, a Sbørnia deixou de ser apenas sugerida para ganhar contornos mais definidos. Se no início o público era convidado a imaginar livremente esse país fictício, o lançamento do longa-metragem de animação “Até que a Sbørnia nos Separe”, dirigido por Otto Guerra e Ennio Torresan, consolidou visualmente esse território. A partir daí, o espetáculo atual aprofunda essa cartografia simbólica.

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Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

Essa expansão geográfica também se traduz em novas narrativas musicais. Uma das canções do espetáculo aborda um conflito interno do país fictício, colocando em cena disputas entre diferentes grupos étnicos da Sbørnia. A trama dialoga com questões universais, sem abandonar o tom satírico que marca a trajetória do grupo desde os tempos de Tangos e Tragédias.

No palco, retornam personagens já conhecidos do público, como o violinista Kraunus Sang, a pianista Nabiha, o professor MenThales e figuras ligadas à fictícia Universidade de Ciências Fictícias da Sbørnia. O saudoso Maestro Plestkaya, interpretado por Nico Nicolaiewsky (1957–2014), permanece presente por meio de imagens projetadas no telão, integrando passado e presente na encenação.

A montagem combina canções originais, instrumentos exóticos e uma estética que transita entre teatro, concerto e delírio cênico. Um telão de alta resolução exibe artes, animações e trechos do filme de animação, enquanto o desenho de luz e o som surround reforçam a imersão do público nesse universo imaginário. Outro elemento central é o coro de meninas vestidas como colegiais, recrutadas e preparadas em cada cidade por onde o espetáculo passa, que comentam a ação de forma bem-humorada e reforçam o diálogo com o público local.

“A essência do humor Sborniano somos nós mesmos. Nossos personagens são alter egos”, afirma. Ele destaca que o processo de criação buscou manter a espontaneidade que sempre caracterizou o grupo, algo que, segundo o diretor, é facilmente reconhecido por quem acompanha o trabalho ao longo dos anos.

Após enfrentar desafios como a pandemia e desastres naturais, o grupo chega ao fim da turnê nacional reafirmando a vitalidade da Sbørnia. O encerramento em Brasília marca mais um capítulo dessa trajetória de reinvenção contínua, em que memória cultural, crítica e humor se misturam para manter vivo um dos universos mais singulares do teatro musical brasileiro.

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Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

Serviço
Quando: dia 10 de janeiro (sábado), às 17h e às 20h
Onde: Teatro da CAIXA Cultural Brasília, SBS Q. 4 Lotes 3/4 – Asa Sul
Ingressos: a partir de 15 reais na bilheteria ou pelo link
Duração 1h45

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