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Teatro e Dança

Musical propõe mergulho sobre ancestralidade e formação de consciência racial

“Menino Mandela” revisita a infância de Nelson Mandela na CAIXA Cultural até domingo

Alexya Lemos

20/03/2026 5h00

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Foto: Allan Martins/ Divulgação

A CAIXA Cultural Brasília recebe, até dia 22, o musical infantojuvenil Menino Mandela. A montagem, que já passou por Fortaleza, Salvador e São Paulo, além de temporadas no Rio de Janeiro e em São Luís, chega à capital com a proposta de apresentar ao público um percurso poético e educativo centrado na infância de Nelson Mandela.

O espetáculo parte da história de Rolihlahla, nome de batismo do líder sul-africano, para construir uma narrativa voltada a crianças, jovens e famílias, aproximando gerações por meio de memórias, valores e experiências formadoras. A obra é assinada por Ricardo Gomes e Mariana Jaspe, com direção artística e idealização de Arlindo Lopes e direção musical de Wladimir Pinheiro. A produção acumula cinco prêmios do Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude (CBTIJ).

Em cena, Zoe, neta de Mandela, precisa realizar um trabalho escolar sobre o avô e, ao revisitar suas lembranças, é conduzida por uma fenda no espaço-tempo até 1926. Na aldeia sul-africana de Qunu, ela encontra o menino Rolihlahla e acompanha suas descobertas, brincadeiras, aprendizados com os mais velhos e os primeiros contatos com um contexto marcado pela desigualdade racial.

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Foto: Allan Martins/ Divulgação

Memória, infância e construção de consciência

A narrativa destaca a infância como território de formação de valores e de construção de identidade, evidenciando como experiências iniciais moldam princípios ligados à empatia, justiça e pertencimento. A abordagem privilegia a dimensão humana do personagem histórico ao deslocar o foco da figura política para o menino inserido em sua comunidade.

Segundo Arlindo Lopes, o ponto de partida criativo esteve ligado à relação afetiva de Mandela com suas origens.

“Ele dizia que a infância foi a fase, talvez a fase mais feliz da vida dele, e não à toa na reta final da vida, ele decide passar os últimos momentos dele. Então isso também me despertou uma curiosidade de falar sobre esse resgate da criança que a gente tem que fazer o tempo todo, porque a vida é muito dura, a gente vai endurecendo, a gente vai sofrendo, a gente vai perdendo a espontaneidade. E, de repente, você vê um homem, no fim da sua vida, querendo se conectar com aquele lugar, com aquele sentimento, com aquelas sensações”.

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Foto: Renato Mangolin/ Divuçgação

A encenação também aposta na força do elenco como ponte de identificação com o público, especialmente na abordagem de temas ligados ao letramento racial. “Tem um letramento racial ali sendo discutido e a gente já teve devolutivas de crianças pretas que se sentiram a vontade de compartilhar qualquer episódio de racismo que elas tenham passado”.

Ancestralidade e linguagem cênica

A construção dramatúrgica parte do encontro entre gerações para articular passado, presente e futuro, inspirada em concepções africanas de tempo circular e valorização da ancestralidade. A presença da neta como mediadora reforça a transmissão de saberes por meio da oralidade e da convivência com os mais velhos.

“A ideia de trazer essa figura da neta para encontrar com o avô traz esse olhar do futuro, em contato com aquele presente com o avô e que propõe ela olhar para a infância dele. Então a gente abre essa licença poética dela viajar no tempo e ao viajar no tempo ela se conecta com toda essa ancestralidade, com toda essa árvore genealógica com a bisavó, com a tataravó, a gente queria falar sobre quem abre o caminho, que são os mais velhos através da oralidade”.

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Foto: Allan Martins/ Divulgação

A experiência estética integra múltiplas linguagens artísticas. Figurinos de Tereza Nabuco e o cenário de Mauro Vicente Ferreira dialogam com referências africanas e afro-diaspóricas, enquanto bonecos concebidos pelo artista plástico Dante e adereços luminescentes de Rafael Turatti ampliam a dimensão simbólica da encenação.

A música executada ao vivo articula sonoridades inspiradas em matrizes africanas, e o trabalho corporal conduzido por Fernanda Dias e Carlotta Romanelli reforça o corpo como espaço de memória, identidade e resistência. Em cena, o elenco formado por Gustavo Delayte, Caroll Badon, Alexandre Rosa Moreno, Ella Fernandes e Vanessa Pascale atua acompanhado das musicistas Flávia Chagas e Geiza Carvalho.

Serviço
Espetáculo musical Menino Mandela
Onde: Teatro da CAIXA Cultural Brasília, Setor Bancário Sul, Quadra 4, Lotes 3/4 – Edifício Anexo à Matriz da CAIXA
Quando: até 22 de março de 2026
Horários: às 15h e às 19h
Ingressos pelo site

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