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Teatro e Dança

Mulheres em Chamas une humor e sensibilidade para romper tabus

Espetáculo criado e protagonizado por Camila Raffanti, Juliana Araripe e Miá Mello faz temporada em Brasília

Alexya Lemos

27/03/2026 5h00

mulheres em chamas

Foto: Divulgação

Três mulheres com mais de 40 anos presas em um elevador durante dezessete minutos, sem sinal, ventilação ou filtros sociais. É a partir dessa situação-limite que se desenvolve Mulheres em Chamas, espetáculo que agora chega a Brasília para curtíssima temporada no Teatro Royal Tulip.

Criada e protagonizada por Camila Raffanti, Juliana Araripe e Miá Mello, artistas associadas a produções como Mãe Fora da Caixa e Confissões das Mulheres de 30, a montagem tem direção de Paula Cohen e aborda um tema ainda pouco representado nos palcos: a menopausa. A peça propõe uma conversa aberta sobre uma etapa natural da vida feminina que, historicamente, permanece envolta em silêncio e desinformação.

A encenação aposta no equilíbrio entre comicidade e vulnerabilidade como estratégia para tratar o assunto com franqueza e proximidade. A proposta é iluminar experiências frequentemente vividas de forma solitária por gerações anteriores, estabelecendo identificação com o público contemporâneo e ampliando o debate sobre saúde e amadurecimento feminino.

“Queremos tirar o tema da invisibilidade e tratá-lo com leveza, informação e humor, sem abrir mão da honestidade emocional”, afirma a diretora Paula Cohen.

Os vídeos cênicos do estúdio Bijari se articulam aos figurinos concebidos por Iara Wisnik e ao desenho de luz de Marisa Bentivegna, compondo a identidade visual do espetáculo. A encenação adota paleta de cores vibrante e estética pop alinhadas à proposta dramatúrgica. A trilha sonora original de André Caccia Bava acompanha a narrativa e marca a transição entre passagens de humor e momentos de maior densidade emocional.

A atriz Juliana Araripe conta que o processo de criação esteve diretamente ligado às próprias vivências das intérpretes. “Foi incrível construir as personagens porque, de alguma maneira, fomos nos reconstruindo.”

A metáfora central do confinamento conduz a dimensão subjetiva da narrativa e espelha transformações internas atravessadas pelas personagens. “O confinamento no elevador é uma metáfora do que sentimos nesse momento. Presas, ao mesmo tempo, entendendo muito mais sobre a vida. A gente conseguiu ilustrar o que sentimos dentro. Esse era o maior desafio porque queríamos fazer uma coisa de verdade.”

A identificação entre palco e plateia surge como um dos pilares da montagem. “Somos nós, nossas amigas, vocês e suas amigas vivendo esse momento”. Segundo a atriz, desde a estreia, o espetáculo tem provocado forte resposta emocional do público. “Foras muitos relatos, muita emoção. Todo mundo vem com alguma história. A verdade realmente toca as pessoas. Estamos muito felizes de poder falar disso dessa forma com humor”.

Serviço
“Mulheres em Chamas” com Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe

Onde: Teatro Royal Tulip, SHTN Trecho 1 – Brasília, DF, 70297-400
Quando: 28 e 29 de março de 2026. Sábado, às 20h e domingo, às 19h30
Ingressos pelo site

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