A chegada de “Memórias do Vinho” a Brasília promete colocar em cena uma história que atravessa conflitos familiares, crises pessoais e a possibilidade de recomeçar. Protagonizado por Herson Capri e Caio Blat, o espetáculo será apresentado neste fim de semana, no Teatro UNIP, como parte da 4ª edição do Circuito de Teatro Brasileiro.
Na montagem, os atores interpretam pai e filho que passam anos afastados e se reencontram em um momento de fragilidade. O pai, vivido por Herson Capri, enfrenta problemas de saúde, memória e dificuldades financeiras após a morte da esposa. Já o filho, interpretado por Caio Blat, retorna ao Brasil depois de uma trajetória marcada por mudanças, um divórcio e o fim de sua carreira profissional.
Para Caio Blat, é justamente o fato de os dois personagens estarem em crise que torna o reencontro tão potente. “São pai e filho, ambos estão vivendo um momento de crise, precisando um do outro para fazer um novo acordo. Eu acho que isso cria uma situação muito rica, um diálogo muito forte”, afirma o ator.

A peça parte de uma relação marcada por mágoas e afastamentos, mas transforma o conflito familiar em uma discussão sobre a possibilidade de reconstruir vínculos. Segundo Caio, a identificação do público com a história acontece porque os conflitos apresentados no palco fazem parte da experiência de muitas famílias.
“Todo mundo tem alguma história assim na família, alguma desavença, algum afastamento, alguma mágoa”, explica. A peça também possui um fundo político, elemento que atravessa a relação entre os personagens e amplia a discussão sobre as divisões e os rompimentos que podem surgir dentro das próprias famílias.
A parceria entre Caio Blat e Herson Capri também contribui para a intimidade da montagem. Os dois haviam interpretado pai e filho recentemente na novela “Beleza Fatal”, o que facilitou a construção da nova relação em cena.

“Foi um grande prazer trabalhar com ele. É muito fácil trabalhar com o Herson”, conta Caio. Para o ator, a experiência anterior permitiu que os dois chegassem ao palco com uma intimidade já construída. “A gente tinha acabado de ficar um ano trabalhando como pai e filho e emendamos com o ensaio dessa peça”.
Com direção de Elias Andreato, os atores buscaram nos ensaios os tons de uma relação marcada por silêncios, pausas e conflitos que nem sempre são verbalizados. O texto é assinado por Jandira Martini e Maurício Guilherme e marca a despedida autoral de Jandira, que morreu em janeiro de 2024.
A história também dialoga com experiências pessoais de Caio Blat. O ator afirma que já viveu diferenças e afastamentos na relação com os próprios pais e que reconhece na peça a possibilidade de falar sobre essas feridas.
“Apesar de todas as diferenças e de todas as mágoas, são eles que vão estar lá em cada momento quando você passar por uma crise e precisar”, diz. Para ele, o espetáculo mostra que, mesmo depois de conflitos dolorosos, ainda pode existir espaço para o diálogo e a reconciliação.
A temporada em Brasília ganhou uma sessão extra devido à procura do público. Para Caio, apresentar o espetáculo na capital tem um significado especial, especialmente pela relação da cidade com a cultura e com a política, temas que também atravessam a peça.
“É muito bom apresentar em Brasília. A peça tem um fundo político, então eu acho que tem muito a ver com esse cenário da cidade”, afirma.
O ator também destaca a tradição cultural da capital e a presença de importantes grupos e instituições ligados ao teatro. “É uma cidade que precisa sempre de cultura, que recebe muito bem a cultura”, diz Caio, que espera reencontrar o público brasiliense durante as apresentações.
SERVIÇO
Memórias do Vinho
Teatro UNIP – SGAS 913
25 de julho (sábado), às 17h30 e 20h
26 de julho (domingo), às 19h30
Ingressos a partir de R$ 25 (meia-entrada)
Duração: 80 minutos
Ingressos: a partir de R$ 25 (meia)
Bilheteria: https://bileto.sympla.com.br/event/120717/d/393770 e física, sem taxas, na Belini (113 Sul)
Classificação: 12 anos