A arte como instrumento de educação, pertencimento e fortalecimento de vínculos sociais é o eixo central do projeto “A Arte Salva”, que será promovido na Unidade de Internação de Santa Maria (UISM), a partir do dia 27 de fevereiro. A iniciativa oferece oficinas de samba — com foco nas figuras de mestre-sala e porta-bandeira — e de expressões culturais ligadas à capoeira, destinadas a jovens de 18 a 21 anos em ressocialização.
O projeto é realizado com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), principal incentivo às atividades artísticas e culturais da Secretaria de Cultura do DF.
As aulas são divididas entre os módulos de Maculelê e Berimbau, e Samba, conduzidas por profissionais especializados nas respectivas áreas, com apoio de tradutores de Libras, garantindo acessibilidade às atividades. O processo inclui momentos de apresentação artística dos educadores, vivências rítmicas, desenvolvimento técnico, criação coreográfica, ensaios dirigidos, ensaio geral e avaliação formativa.
Para o idealizador, Ricardo Lira, a arte defende a família. “Neste trabalho buscamos simbolizar essa união através da fusão entre a capoeira e a dança do mestre-sala e da porta-bandeira. Nessa coreografia, a sintonia é absoluta: a porta-bandeira representa a mãe, o mestre-sala o pai, e a bandeira personifica a própria família”. Ricardo Alexandre Ribeiro de Lira é professor, coreógrafo, dançarino, ator e produtor cultural com trajetória iniciada aos 14 anos, no Rio de Janeiro. Com formação junto a importantes nomes da dança de salão e do samba, atuou como passista em escolas tradicionais, participou de produções audiovisuais e desenvolve projetos sociais voltados à inclusão por meio da dança no Distrito Federal.
Com duração total de 33 horas, distribuídas em encontros semanais de três horas ao longo de quatro meses, o projeto contempla atividades práticas e formativas que envolvem musicalidade, expressão corporal, coordenação motora, história das manifestações culturais afro-brasileiras e construção coletiva de apresentações artísticas.
Ao longo do percurso pedagógico, os jovens terão contato com fundamentos históricos para compreender as manifestações como patrimônios culturais brasileiros marcados por ancestralidade, resistência e coletividade. A proposta prioriza o respeito à trajetória individual de cada adolescente, a fim de incentivar a disciplina, o trabalho em grupo, a escuta e a valorização da identidade cultural.
O encerramento do ciclo formativo é marcado por uma apresentação interna, protagonizada pelos próprios adolescentes, seguida da entrega de certificados de participação.
É necessário sempre acreditar que o sonho é possível, e Ricardo Lira confirma com a dança. “Com o projeto ‘A Arte Salva’, nosso objetivo é apresentar novas linguagens artísticas a esses jovens, oferecendo-lhes uma oportunidade real de transformação social, assim como a arte mudou a minha vida”, enfatiza o dançarino e idealizador da “A Arte Salva”.

Acessibilidade
A iniciativa será realizada com acessibilidade, em espaço com estrutura adequada, incluindo rampa e corrimão de acesso, além de banheiro adaptado para pessoas com deficiência motora. Todos os encontros contarão com intérprete de Libras, visando atender eventual público PCD auditivo e assegurar a plena participação nas atividades.
No encontro de encerramento, além da presença de intérprete de Libras, haverá também recurso de audiodescrição, para não impedir a participação de familiares, membros da comunidade e demais convidados com deficiência visual.
O projeto também prevê o registro audiovisual das atividades, para a memória institucional da ação e para a ampliação do debate público sobre o papel da cultura como ferramenta socioeducativa.
Participações
O projeto conta com a participação do Mestre Foca (Eduardo Segovia), referência na capoeira do Distrito Federal. Coordenador da UCDF Capoeira – Varanda da Vadiação desde 1999, atua como professor, além de desenvolver projetos culturais contemplados pelo FAC.
Integra ainda a equipe a dançarina e professora Laryssa Barreto Wanderley da Silva, parceira artística de Lira. Licenciada e bacharel em História pela Universidade de Brasília, com formação complementar em Dança pelo Instituto Federal de Brasília, Laryssa atua desde 2008 como professora de Zouk Lambada na Universidade de Brasília. Veterana de tantas Brasilidades e palcos, consegue transitar em vários estilos da música popular brasileira. Também agrega ao projeto a participação especial da cantora Célia Rabelo e banda. Célia é intérprete, autodidata e produtora de eventos no Distrito Federal. Dividiu o palco com grandes nomes da MPB, tendo participado de inúmeros projetos, tanto no Brasil quanto no exterior.