O CCBB Brasília recebe até 19 de abril a estreia nacional do espetáculo Frankenstein de Mary Shelley, nova montagem do Grupo Liquidificador. O trabalho integra as comemorações pelos 15 anos do coletivo brasiliense e apresenta uma releitura do romance publicado em 1818, transportando seus conflitos para o tempo presente a partir de discussões sobre Inteligência Artificial, tecnologia e os limites da condição humana.
Inspirada no clássico Frankenstein ou o Prometeu Moderno, da escritora inglesa Mary Shelley, a encenação evita referências consolidadas pelo cinema e propõe aproximação com a atmosfera literária original. A narrativa constrói um encontro entre a autora e a própria criação, colocando Shelley em cena como como figura dramática que dialoga diretamente com sua criatura. A proposta dramatúrgica articula tempos históricos distintos e transforma o palco em espaço de reflexão sobre permanências e atualizações do mito.

“Não há fidelidade à obra, estamos propondo uma história sobre a história da criação do livro da Mary Shelley, ao colocar ela em cena como personagem pra conduzir o público através dos tempos e das adaptações do romance Frankenstein”, afirma Fernando de Carvalho, integrante do grupo e autor do texto.
A montagem aposta em linguagem não realista e investe na combinação entre trilha sonora, iluminação e cenário para criar um ambiente que remete a um laboratório ficcional. A encenação mescla aventura, comédia, drama, horror e ficção científica, explorando contrastes de atmosfera e incorporando convenções do teatro contemporâneo para ampliar a experiência sensorial do público.
“O aspecto principal que resgatamos da obra foi o momento de criação da criatura, sempre retratado em diversas adaptações, o famoso: ‘It’s alive!’”, destaca Carvalho.
A dramaturgia parte de dois mitos complementares: o da criatura formada por fragmentos de corpos e o da jovem autora que, aos 18 anos, deu origem a um novo gênero literário. Em cena, as atrizes Ana Quintas e Larissa Souza constroem uma dinâmica em que os limites entre criadora e criatura se tornam fluidos, embaralhando identidades e funções narrativas.

“Acho que os sentimentos que a Mary Shelley descreve tão bem em seu livro como a ganância, a vingança e a relação entre a criação tecnológica de uma nova vida estão sempre permeando nossa visão nestes últimos séculos”, observa o dramaturgo.
Com forte vínculo com a linguagem cênica, o grupo estrutura a montagem a partir de recursos assumidamente teatrais, valorizando o caráter simbólico da cena e sua capacidade de comunicação direta com o espectador.
Serviço
Frankenstein de Mary Shelley — Grupo Liquidificador
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília – SCES, Trecho 2 – Brasília/DF
Quando: de 26 de março a 19 de abril, Quinta a domingo às19h
Duração: 100 minutos
Ingressos: R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia)