Um pássaro que imita a voz de outro. A partir dessa imagem, a atriz e multiartista brasiliense Micheli Santini iniciou uma pesquisa sobre vozes ameaçadas de desaparecer. O trabalho, que reúne sons de aves, ruídos da cidade, elementos do Cerrado e fragmentos de textos, agora ganha forma no espetáculo-passeio “Coleção Insignificante de Coisas Luminosas”, que será apresentado gratuitamente no Jardim Botânico nos dias 20 e 21 de agosto.
A primeira temporada terá sessões às 9h e às 15h, com recepção do público no Centro de Visitantes do Jardim Botânico. A apresentação aberta ao público ocorre na sexta-feira (21), às 15h. As demais sessões são destinadas a escolas da região e incluem mediação, reflexão sobre questões ambientais e o plantio de mudas em uma ação chamada “Plantando Passarinhos”. Todas as apresentações terão tradução em Libras e audiodescrição. O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF).

Em cena, Micheli Santini conduz o público por um percurso inspirado em seu próprio caderno de pesquisa. O espetáculo reúne fragmentos de textos, ideias, objetos, imagens, personagens e cantos de pássaros, criando uma experiência que combina teatro, performance e paisagem sonora. As vozes presentes no trabalho também incorporam pensamentos de ativistas, filósofas e ambientalistas brasileiros, abordando temas como preservação, extinção, esperança e as transformações provocadas pela relação entre sociedade e natureza.
A montagem é resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo Teatro do Concreto desde 2021, com participação dos artistas Gleide Firmino, Marcio Abreu, Glauber Coradesqui e Micheli Santini. O processo deu continuidade ao projeto “Caderno da Artista”, experimento cênico em que a atriz compartilhava anotações de seu processo criativo. Ao longo da pesquisa, o material passou a reunir uma coleção de vozes humanas e de espécies ameaçadas, transformando-se posteriormente na performance apresentada no Jardim Botânico.
Segundo o diretor Glauber Coradesqui, a proposta é compartilhar com o público os textos e descobertas acumulados durante anos de pesquisa e estimular uma experiência baseada na imaginação e na escuta. “Estamos há 5 anos mergulhados no universo das aves, nessa poesia que vira, agora, uma experiência sonora e envolvente para o público”, afirma.
A relação com o espaço também é parte central da montagem. Acostumado a investigar os ritmos urbanos e a escuta da cidade, o Teatro do Concreto desloca a pesquisa para o ambiente do Jardim Botânico, onde árvores, pássaros, sons e tempos naturais passam a integrar a experiência cênica.
“Tem sido muito gratificante abrir essa outra escuta, experimentar um tempo interno diferente e, a partir dele, transformar a relação com o espaço, com o corpo e com a própria feitura”, destaca Micheli Santini.

Plantando Passarinhos
Além do espetáculo, os estudantes participantes das sessões escolares terão contato com atividades de mediação ambiental e poderão plantar mudas em uma escola de São Sebastião. A ação, batizada de “Plantando Passarinhos”, parte da ideia de que cultivar uma árvore também significa criar condições para a existência e o abrigo das aves.
O processo será registrado em fotografias, que posteriormente serão transformadas em uma exposição integrada ao espetáculo. Para Glauber Coradesqui, a iniciativa amplia a experiência teatral para além da apresentação e aproxima os estudantes de uma reflexão prática sobre preservação ambiental.
“Digo que eles vão plantar passarinhos. Porque ao plantar uma árvore, eles estão plantando o habitar dessas aves”, explica o diretor.
Serviço
Espetáculo: Coleção Insignificante de Coisas Luminosas
Data: 20 e 21 de agosto, 9h e 15h
Sessão aberta ao público: 21 de agosto, às 15h
Local: Jardim Botânico de Brasília – recepção no Centro de Visitantes, ao lado do restaurante Jardim Bom Demais
Ingressos: gratuitos, com retirada antecipada pelo Sympla
Classificação: livre
Acessibilidade: Libras e audiodescrição