O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebe, o espetáculo Os Irmãos Timótheo da Costa, musical que reconstrói a trajetória de João e Arthur Timótheo da Costa, dois dos nomes mais importantes da arte brasileira do início do século XX e apagados pela história oficial. Dirigida por Luiz Antonio Pilar, a montagem une dramaturgia, música e investigação histórica em uma narrativa decolonial que busca devolver aos artistas o lugar que lhes foi negado. A temporada segue até 7 de dezembro, com apresentações de quinta a domingo.
Para o diretor Luiz Antonio Pilar, a escolha por contar a trajetória dos irmãos Timótheo da Costa está diretamente ligada ao papel que o teatro ocupa hoje no resgate de narrativas apagadas da história brasileira. Ele explica que a cena é um espaço capaz de reconstruir memórias mesmo quando os registros foram destruídos ou silenciados. “O papel do teatro é exatamente recriar essa história, mesmo quando ela não existe, mesmo quando ela é apagada. A perspectiva do passado, conjugada com a perspectiva futura, nos permite recriar essas histórias que não nos foram apresentadas. O teatro apresenta isso de maneira artística, de forma a emocionar o público e aproximar aqueles que ainda não conhecem essas trajetórias.”


Segundo o diretor, seu objetivo não é criar obras que se contrapõem ao desconhecimento, mas sim abrir caminhos de encontro. “Eu nunca penso num espetáculo em oposição a quem não conhece, mas em fazer uma comunhão para que, a partir daí, a gente passe a conhecer. O teatro tem esse papel fundamental.”
Pilar também comenta como sua trajetória pessoal dialoga com a dos artistas retratados, já que grande parte de seu trabalho passa pelo resgate de figuras essenciais da arte preta brasileira. “Eu já dirigi algumas biografias de pessoas muito importantes, algumas muito próximas de mim, como Leci Brandão. Todo artista tem um medo eterno de ser esquecido. Esse é o maior ponto de convergência entre eles e eu. Eu não quero que meu pequeno legado seja apagado. Ao sustentar a ideia de que esses homens são eternos, sustento também a ideia de ser um artista que vai ficar para a eternidade.”
A estreia no Dia da Consciência Negra, amanhã (20), também carrega forte significado para o diretor. Pilar revela uma experiência pessoal marcada pela saúde e pelas efemérides, e como isso transbordou para sua arte. “Eu sofri um câncer de próstata muito jovem, aos 48 anos, e desde então faço uma campanha permanente sobre a importância da prevenção. Assim como a saúde não pode ser lembrada só em novembro, os temas que envolvem a população preta também precisam ir além da efeméride. Os meus espetáculos com temática preta são uma necessidade da nossa comunidade — precisamos falar disso o tempo todo.”
Ele reforça que lançar o espetáculo na data é ampliar uma conversa que, para ele, nunca deve cessar: “Estrear no dia 20 de novembro é apenas ampliar uma ideia que é constante. Venham discutir, falar e saborear o Dia Nacional da Consciência Negra. E venham também para o nosso Novembro Negro, juntando consciência política e bem-estar. As datas comemorativas servem para recordar que sempre há alguém que nos ama e que essas conversas precisam continuar.”
SERVIÇO:
Os Irmãos Timótheo da Costa
Data: de 20/11 a 07/12, de quinta a domingo
Horário: quinta a sábado, às 20h; domingo, às 18h30
Duração: 90 minutos
Local: Teatro I do CCBB Brasília – SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul – Brasília – DF
Ingressos: Ingressos: R$ 15 (meia entrada) e R$ 30 (inteira) disponíveis no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB Brasília.