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Teatro e Dança

Espetáculo “Diatribe de Amor” mergulha em incômodos e amores

Em cartaz até dia 8 de fevereiro no Sesc da 504 Sul, a peça é a única escrito pelo colombiano Gabriel García Márquez

Alexya Lemos

30/01/2026 5h00

Atualizada 29/01/2026 15h15

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Foto: Filipe Lima/ Divulgação

“Diatribe de Amor”, única peça teatral escrita por Gabriel García Márquez, retorna aos palcos de Brasília até o dia 8 de fevereiro, no Teatro do SESC 504 Sul. Em cena, Juliana Zancanaro interpreta Graciela Jaraiz de la Vera, personagem que revisita sua trajetória conjugal às vésperas das bodas de prata. Ao longo do tempo, a atriz percebeu como o texto permanece atual e atravessa experiências pessoais e coletivas. “Na primeira vez que li o texto, achei ser um registro de uma época, a cada nova leitura fui reconhecendo relatos de amigas e situações pessoais. Ela segue atual e me fez assumir a importância da comunicação clara, inclusive comigo mesma.”

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Foto: Filipe Lima/Divulgação

A montagem aposta na força da palavra e no equilíbrio delicado entre lirismo e dureza emocional, marcas profundas da dramaturgia de García Márquez. Para Juliana, essa oscilação é o que sustenta a experiência do espetáculo. “A vida é essa dança, esse equilíbrio e passeio entre dor e beleza. A arte tem essa maravilha de evidenciar esse percurso, envolvendo o público com leveza para que ele consiga refletir sobre a dor e, logo depois, se fortalecer para lidar com ela”, afirma.

Além da atuação, a atriz destaca sua identificação pessoal com o universo poético do autor colombiano, que dialoga diretamente com sua própria produção artística. “Também escrevo sobre questões pessoais, reflexões. Me identifico e me inspiro em várias frases, conceitos e metáforas que ele propõe”, comenta, reforçando a conexão íntima entre texto, intérprete e cena.

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Foto: Filipe Lima/Divulgação

Em um contexto de relações cada vez mais tensionadas, a peça se impõe como convite ao diálogo e à escuta. “A obra é de fato atual, fala dos não ditos que sufocam o dia a dia e minam a convivência. Exige coragem para perceber, assumir e dizer o que se é e o que se deseja”, diz Juliana. Para ela, o espetáculo também aponta caminhos possíveis: “Ela sugere a importância da fala, da escuta e das declarações de amor. Há dificuldade tanto para falar dos incômodos quanto para expor o amor. O ensinamento precioso é esse: falem seus incômodos e declarem seus amores.”

Além das apresentações, a temporada inclui uma conversa aberta ao público no sábado, 7 de fevereiro, às 17h, com a sexóloga Luisa Miranda, a policial militar Juliana Salvador e a diretora Luciana Martuchelli. O encontro propõe refletir sobre como a arte pode atuar como ferramenta de sensibilização, diálogo e apoio, contribuindo tanto para processos terapêuticos quanto para a segurança pública. A produção também disponibilizará ingressos destinados a grupos que atuam no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica.

Serviço
Espetáculo: Diatribe de Amor
Quando: até 8 de fevereiro
Local: Teatro do SESC 504 Sul – Brasília
Conversa aberta sobre violência contra a mulher: sábado, 7 de fevereiro às 17h
Ingressos pelo link

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