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Teatro e Dança

“Escola de Mulheres” chega à CAIXA Cultural com humor afiado e crítica ao controle sobre as mulheres

O Grupo TAPA retorna à capital com uma montagem contemporânea do clássico de Molière, que transforma o controle masculino e o patriarcado em uma comédia atual, divertida e provocadora

Aline Teixeira

31/07/2026 5h00

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Foto: Ronaldo Gutierrez

Após passar por Brasília em maio com o drama Freud e o Visitante, o Grupo TAPA retorna à capital federal com uma proposta completamente diferente. Entre os dias 30 de julho e 2 de agosto, a companhia apresenta Escola de Mulheres, clássico de Molière dirigido por Clara Carvalho, que aposta no humor para discutir temas que seguem atuais mais de três séculos após sua criação.

Escrita em 1663, a peça acompanha Arnolfo, um homem obcecado pela ideia de evitar a traição. Para garantir uma esposa obediente, ele cria a jovem Inês em isolamento e ignorância, acreditando que assim conseguirá controlar seu futuro. O plano, porém, começa a desmoronar quando ela se apaixona.

Para Brian Penido Ross, protagonista da montagem, a transformação vivida por Inês está no centro da narrativa. “A escola da mulher é o amor. Ela aprende quando ama. Por isso a peça se chama Escola de Mulheres. Por mais que Arnolfo queira controlar a Inês e ditar o que vai acontecer na vida dela, quando se apaixona ela entende e aprende tudo aquilo que ele não desejava. Ela cresce de forma vertiginosa e acaba deixando Arnolfo para trás.”

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Foto: Ronaldo Gutierrez

Segundo o ator, a força da obra está justamente na forma como Molière utiliza a comédia para expor comportamentos masculinos que continuam presentes na sociedade contemporânea. “Já naquela época, a insegurança masculina em relação à mulher, o controle sobre o corpo da mulher, sobre os horários da mulher e o ciúme masculino já eram muito marcantes. Só que Molière usa isso para fazer uma comédia, para mostrar como esse controle e esse ciúme são ridículos e inúteis.”

Leitura contemporânea de um clássico

A direção de Clara Carvalho destaca o protagonismo feminino presente na obra e reforça uma leitura contemporânea do texto. Para Brian, essa perspectiva não é uma atualização artificial, mas algo que já estava presente na dramaturgia do autor francês. “Molière era um feminista. Em todas as peças dele, os desejos femininos e as personagens femininas são muito fortes e prevalecem. A Clara destaca um dos pontos fortes da própria escrita dele.”

O ator lembra ainda a relação de Molière com a atriz Madeleine Béjart, uma das figuras mais importantes de sua trajetória artística, e afirma que as personagens femininas sempre ocuparam papel central em sua obra.

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Foto: Ronaldo Gutierrez

Um personagem esperado por quatro décadas

A relação de Brian Penido Ross com Arnolfo começou há cerca de 40 anos. Ainda nos anos 1980, ele assistiu a uma montagem estrelada por Jorge Doria, com direção de Domingos Oliveira, e saiu do teatro impressionado com o personagem. “Eu me lembro de assistir e pensar: um dia eu quero fazer esse personagem.”

O desejo atravessou décadas até se concretizar agora, na montagem do Grupo TAPA. “Li essa peça muitas vezes, assisti a filmes, montagens e adaptações. Quando chegou a hora de fazer, foi como se eu estivesse ensaiando esse papel durante esses 40 anos.”

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Foto: Ronaldo Gutierrez

A atual encenação utiliza como base a tradução de Domingos Oliveira, revisitada por Clara Carvalho. A diretora recuperou cenas que haviam sido retiradas em versões anteriores e ampliou a participação dos demais personagens, valorizando a construção coletiva da trama.

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Foto: Ronaldo Gutierrez

Uma obra que atravessa gerações

Mais de 360 anos após sua estreia, Escola de Mulheres continua sendo montada ao redor do mundo. Para Brian, isso se explica pela qualidade da escrita de Molière e pela engenhosidade da estrutura dramatúrgica. “É uma peça muito bem escrita, muito bem tramada. Molière realmente era um ponto fora da curva.”

O ator destaca especialmente o jogo criado entre Arnolfo e Horácio, jovem apaixonado por Inês. “O Arnolfo acaba se tornando o confidente do próprio rival. O Horácio vai contando seus planos ao homem que está disputando a mesma mulher sem saber disso. A plateia se diverte muito com esse estratagema.”

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Foto: Ronaldo Gutierrez

Depois do sucesso de Freud e o Visitante na capital federal, Brian acredita que o público encontrará agora uma experiência completamente diferente.

“O público de Brasília pode esperar uma comédia muito divertida, muito engraçada. Em maio estivemos aqui com um drama. Agora é outra coisa. É uma peça que faz rir, mas também faz refletir sobre questões que continuam presentes na sociedade.”

Serviço
Escola de Mulheres, de Molière
Local: CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4, Lotes 3/4)
Temporada: de 30 de julho a 2 de agosto de 2026
Horários: quinta-feira às 18h e 21h; sábado às 16h e 21h; domingo às 13h e 16h
Sessão com intérprete de Libras: 31 de julho, às 21h
Sessão com bate-papo: 1º de agosto, às 16h
Duração: 85 minutos
Ingressos: R$ 30 (inteira)

Classificação indicativa: 12 anos
Capacidade: 407 lugares
Vendas: online e na bilheteria da CAIXA Cultural

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