O Teatro Nacional Claudio Santoro recebe, neste fim de semana, a quarta edição do IV Encontro de Teatro Lambe-Lambe, evento que ocupa o Foyer da Sala Martins Pena das 16h às 21h, com entrada franca. Realizado pelo Instituto Transforma em parceria com o grupo As Caixeiras Cia. de Bonecas, o encontro consolida-se como um dos mais singulares das artes cênicas latino-americanas ao valorizar espetáculos de curta duração apresentados para um espectador por vez.
Criado no Brasil, o Teatro Lambe-Lambe é um gênero de animação realizado dentro de pequenas caixas portáteis, em montagens que duram de três a cinco minutos. Por meio de uma fenda, o público observa cenas em miniatura construídas com minúcia estética e recursos como iluminação, sonoridade, bonecos e objetos, em experiências sensoriais marcadas pela proximidade e pelo caráter intimista.
“O Teatro Lambe-Lambe é um convite ao silêncio, ao encantamento e à escuta sensível. É uma arte que exige delicadeza, precisão e entrega. E é justamente essa entrega que queremos celebrar nesta edição”, afirma a coordenadora do evento, Amara Hurtado.

Teatro em miniatura e potência narrativa
Relativamente recente, o gênero teatral soma pouco mais de três décadas de trajetória e se caracteriza pela síntese narrativa e pela força simbólica. A linguagem privilegia construções visuais e sonoras capazes de condensar sentidos em poucos minutos, estabelecendo uma relação direta entre artista e espectador.
“Uma das principais características do Teatro Lambe-lambe é revelar uma temática de forma sintética, sem rodeios ou informações desnecessárias. Ou seja, a mensagem precisa estar condensada em pouquíssimos minutos e é justamente essa característica que o torna tão potente e diferenciado”, explica Amara.

A programação reúne 15 espetáculos que exploram múltiplas técnicas e temáticas, abordando memórias afetivas, críticas sociais, questões ambientais e universos simbólicos. Elementos da cultura popular brasileira também se destacam, com referências recorrentes a mitos e personagens tradicionais que atravessam gerações e reforçam a identidade cultural das narrativas apresentadas.
“Gosto de pensar no Teatro Lambe-lambe como uma semente poética: entrego ao espectador uma semente carregada de vida e, a partir dessa entrega, ele usa sua imaginação para que ela floresça”, completa.
Intercâmbio internacional e experiência sensorial
A quarta edição amplia o diálogo entre territórios e culturas ao reunir artistas de diversas regiões brasileiras e produções internacionais. A diversidade geográfica fortalece o intercâmbio artístico e reafirma o alcance global da linguagem, que ultrapassa fronteiras e dialoga com públicos de diferentes idades e repertórios culturais.
“Para nós, além de apresentar ao público essa versatilidade de técnicas, idiomas e regiões, é fundamental promover a troca entre artistas. Por isso, realizamos um momento chamado ‘Abertura de Caixas’, dedicado a esse intercâmbio entre os lambe-lambeiros. Nele, montamos os espetáculos, apresentamos uns para os outros e compartilhamos processos criativos, novas tecnologias, redes de festivais, circulação e projetos”, destaca Amara.

Marcado pela intimidade e pela observação individual, o formato estabelece uma relação rara entre quem cria e quem assiste, em contraponto ao consumo acelerado de conteúdos digitais.
“Esse contato direto entre artista e espectador, marcado pela proximidade, pela intimidade e por um segredo compartilhado, faz com que as pessoas se encantem e queiram vivenciar mais experiências assim. Vivemos imersos em um fluxo constante de imagens e conteúdos digitais que, muitas vezes, não nos tocam profundamente. No Teatro Lambe-lambe, ao contrário, o contato é direto, há presença, afeto e troca real. E isso faz toda a diferença”, finaliza.
Serviço
IV Encontro de Teatro Lambe-Lambe
Quando: 21 e 22 de março (sábado e domingo), das 16h às 21h (sessões contínuas)
Onde: Teatro Nacional Claudio Santoro – Foyer da Sala Martins Pena (Eixo Monumental, próximo à Rodoviária)
Entrada: franca (sujeita à lotação do espaço)