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Teatro e Dança

Cia. de Cantores Líricos de Brasília apresenta ópera “Adriana Lecouvreur”

Montagem inspirada em personagem histórica celebra o Mês da Mulher com apresentações em Ceilândia e na Escola de Música de Brasília

Aline Teixeira

20/03/2026 5h00

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Foto: Divulgação

Neste fim de semana, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a Cia. de Cantores Líricos de Brasília realiza uma curta temporada da ópera Adriana Lecouvreur, do compositor Francesco Cilea. As apresentações acontecem no Teatro Levino de Alcântara, na Escola de Música de Brasília.

Com mais de uma década de atuação na cena lírica do Distrito Federal, a companhia apresenta pela primeira vez a obra na capital. A montagem tem direção cênica de James Fensterseifer e regência do maestro Felipe Ayala, reunindo orquestra com 24 músicos, solistas e coro em uma produção de grande porte.

Inspirada na trajetória da atriz francesa Adrienne Lecouvreur, figura histórica do século XVIII, a ópera acompanha o embate entre a protagonista e a Princesa de Bouillon pelo amor do conde Maurizio da Saxônia. No palco, a disputa entre as duas mulheres revela mais do que um triângulo amoroso, trazendo à tona temas como liberdade, expressão e protagonismo feminino.

Para a soprano Renata Dourado, que interpreta Adriana, a força da personagem está diretamente ligada à sua dimensão histórica e artística. “A Adrienne foi uma atriz que revolucionou a comédia francesa na forma de interpretar. E essa ópera também provoca isso na gente enquanto cantora, porque não é só cantar. Existem partes declamadas, com textos fortes, que exigem um preparo interpretativo muito grande”, explica. Segundo ela, o papel exigiu uma imersão maior na atuação. “Eu fiz curso de teatro para conseguir trazer mais verdade para essa personagem.”

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Foto: Divulgação

A montagem marca um momento inédito para a companhia e para o público local. “É a primeira vez que montamos essa ópera e, possivelmente, a primeira vez que ela é apresentada em Brasília. Um dos grandes desafios foi conciliar a música ao vivo com a presença do balé, que é um diferencial dessa produção”, destaca a soprano. A integração entre orquestra, canto e dança exigiu um trabalho detalhado de sincronia. “Tivemos mais de 50 pessoas inscritas na audição para o balé. Foi uma surpresa e também um desafio unir tudo isso em cena.”

A encenação propõe uma releitura estética ao transportar a história para a década de 1920, período marcado por transformações no papel social das mulheres. A escolha dialoga diretamente com a protagonista. “Essa proposta tem tudo a ver com Adriana, com o poder e a expressividade dela. Nos anos 1920, as mulheres ganharam mais autonomia, mudaram comportamentos, estética, forma de se colocar no mundo. A arte acompanha esse movimento”, afirma Renata. Para ela, a montagem estabelece uma ponte entre passado e presente. “A ópera une essa personagem que já revolucionava sua época com um momento histórico em que as mulheres começaram a conquistar mais espaço na sociedade.”

Além do espetáculo, a companhia também desenvolve ações voltadas à formação de público, especialmente em escolas públicas do DF. “A gente leva ópera para crianças, faz versões em português, traz os alunos para o teatro. É um trabalho contínuo”, explica a soprano. Para ela, esse movimento é essencial para a preservação do gênero. “A ópera é uma arte completa. Reúne música, interpretação, figurino, cenário, arquitetura, dança. Quem assiste tem acesso a várias expressões artísticas ao mesmo tempo. É uma arte milenar, e a gente não pode deixar isso morrer.”

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Foto: Divulgação

No aspecto visual, o espetáculo aposta em uma ambientação que mescla o universo teatral da protagonista com espaços mais íntimos, como uma casa de campo. O cenário, assinado por James Fensterseifer, e o figurino, de Stéphany Dourado, dialogam com a estética dos anos 1920, evocando o período das chamadas melindrosas, mulheres que desafiaram padrões sociais com mais autonomia e liberdade.

Com libreto de Arturo Colautti, baseado na peça de Eugène Scribe e Ernest-Wilfrid Legouvé, a ópera é considerada um dos pilares do repertório verista italiano. A montagem apresentada em Brasília tem cerca de duas horas de duração, em versão adaptada para maior fluidez.

Fundada em 2014 por Renata Dourado e pelo barítono Gustavo Rocha, a Cia. de Cantores Líricos de Brasília vem consolidando um trabalho contínuo de difusão da ópera na capital, reunindo artistas profissionais e integrantes da comunidade em suas produções. Ao longo da trajetória, o grupo já encenou títulos como Carmen, As Bodas de Fígaro, L’elisir d’amore e João e Maria, ampliando o acesso do público brasiliense ao repertório operístico.

Serviço:
Ópera Adriana Lecrouvreur
Teatro Newton Rossi (SESC Ceilândia)
Dias 14 e 15 de março, sábado e domingo, 19h.
Teatro Levino Alcântara (Escola de Música de Brasília)
Dias 21 e 22 de março, sábado e domingo, 19h.
Classificação indicativa: 12 anos
Sessões com acessibilidade: libras e audiodescrição.
Entrada franca.

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