O Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga, recebe até este domingo (9) o grupo PÉS com o espetáculo Amplexos – Qual a distância de um abraço?. A montagem destaca a força do gesto e do encontro entre corpos diversos. Vencedor do Prêmio Web de Teatro 2019 na categoria Espetáculo Adulto, o trabalho propõe uma investigação sensível sobre o toque, o afeto e o desafeto, em uma criação inteiramente não verbal e de classificação livre.
Criado e dirigido por Rafael Tursi, o espetáculo reúne dezesseis artistas com deficiências físicas, intelectuais e síndromes diversas, entre 25 e 65 anos. A proposta é romper com barreiras limitantes e destacar o fazer artístico como espaço de expressão acessível a todos. “Eu acredito na potência do gesto, da qualidade de movimento. É quando a intenção do dançarino de se mover, e o próprio movimento, em si, geram significados sensíveis também para a plateia. É o que chamamos de poesia corporal”, explica o diretor.

Nesta temporada, o grupo retorna aos palcos do Distrito Federal em nova configuração, adaptando o formato originalmente pensado para arena, com o público ao redor da cena, para o palco italiano, disposição mais tradicional em que os atores se apresentam à frente da plateia.
O abraço como dramaturgia
Inspirado livremente no plexo braquial, região do corpo que conecta o tórax aos braços, “Amplexos” toma o abraço como metáfora central. “Ah, falar de abraço é falar de afeto, do íntimo. É permitir compartilhar as nossas fragilidades e o nosso espaço. E aí, uma frase que trazemos sempre aos nossos ensaios: ‘Não tenha medo, tenha cuidado.’”, comenta Tursi.
O processo criativo partiu de reflexões sobre o gostar e se permitir ser gostado, sobre rejeitar e ser rejeitado e como essas experiências moldam o corpo e suas relações cotidianas. “A partir daí, trouxemos para a sala de ensaio elementos como o abandono, a despedida e a chegada. Experimentamos nas cenas as diferentes possibilidades do encontro entre duas pessoas e, também, o estranhamento e a curiosidade com o desconhecido.”

Um dos momentos mais comentados pelo público, segundo o diretor, é uma sequência que se repete três vezes ao longo da peça: um casal se cruza sempre ao som da mesma música, mas com desfechos distintos. “Assim como podem ser nossos destinos diários ao encontrar tantas e tantas pessoas”, reflete Tursi.
Arte, inclusão e poesia corporal
O Grupo PÉS nasceu em 2011 a partir do Projeto PÉS – Teatro-Dança com Pessoas com Deficiência, idealizado por Rafael Tursi em 2009, quando o então recém-formado bacharel em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília começou a investigar o potencial expressivo do corpo com deficiência. O impulso veio do acompanhamento do tratamento de uma amiga que, após um acidente, ficou com tetraparesia.
Desde então, o grupo se consolidou como referência em arte inclusiva, desenvolvendo uma metodologia que alia pedagogia do movimento e criação estética, a partir das individualidades dos participantes. “O processo busca revelar como cada corpo lida com o mundo, seus interesses e afetos”, resume o release.
Com mais de cem atividades realizadas — entre espetáculos, aulas, palestras, livros e participações em eventos internacionais —, o grupo acumula reconhecimentos como o Prêmio SESC – Categoria Impacto Social (2023), o Prêmio FUNARTE Respirarte – Dança (2020) e o Prêmio Cultura e Cidadania – Arte Inclusiva (2018). Em 2017, representou o Brasil no festival Arte x Igual, em Bariloche (Argentina), e atualmente é o único representante brasileiro na Rede Latinoamericana de Dança e Acessibilidade.
Durante a temporada, o público também poderá adquirir o livro “Projeto PÉS – Teatro-Dança com Pessoas com Deficiência”, de autoria de Rafael Tursi, Mônica Gaspar e Ana Balata.

Serviço
Espetáculo: Amplexos – Qual a distância de um abraço?
Quando: 7 a 9 de novembro
Onde: Teatro SESC Paula Autran – Taguatinga
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) – à venda pela plataforma Sympla ou na bilheteria, uma hora antes das apresentações
Classificação: Livre