O teatro tem o poder de transportar o público para diferentes realidades, mas poucos espetáculos fazem isso de maneira tão visceral quanto A Última Entrevista de Marília Gabriela. Estrelada por Marília Gabriela e seu filho, Theodoro Cochrane, a montagem mistura ficção e realidade em uma conversa intensa e brutalmente honesta sobre relações familiares, feminismo, conflito de gerações e a linha tênue entre o público e o privado.
Após temporadas de sucesso em São Paulo e no Rio de Janeiro, o espetáculo chega a Brasília neste fim de semana, com apresentações no sábado (22) e domingo (23), no Teatro Royal Tulip. No palco, Marília Gabriela é entrevistada por um rosto muito familiar: seu filho caçula, Theodoro Cochrane. Com diálogos sinceros e emocionantes, a peça convida o público a refletir sobre suas próprias relações familiares.

O título A Última Entrevista de Marília Gabriela desperta curiosidade e provoca questionamentos. Foi a própria Marília quem sugeriu o nome. “Acho que só ela poderia pensar nesse título, pela força e pelo impacto fúnebre e chocante que algumas pessoas enxergam – mas que, ao mesmo tempo, é genial”, comenta Theodoro. Apesar do tom definitivo, a “última entrevista” não significa necessariamente um adeus. “Pode ser a última antes de ela morrer, a última que ela dará ou simplesmente um trocadilho – a última do dia, sendo que amanhã haverá outra”, brinca Theodoro, deixando no ar um mistério que só será desvendado por quem assistir à peça.
A crueza da verdade no palco
Em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, Theodoro Cochrane revelou que assumir o papel de entrevistador da própria mãe foi um processo natural. “Conversas intensas sempre fizeram parte da minha natureza, e acredito ter herdado isso dela. Já a entrevistei algumas vezes e também a dirigi no projeto Gabi de Frente de Novo“, conta. Para Theodoro, a construção do espetáculo foi um processo de descobertas e desafios.

A ideia para a peça surgiu em um momento difícil da vida de Theodoro. Enfrentava o luto pelo fim de um relacionamento, a falta de emprego e a morte do pai, enquanto organizava a mudança de sua mãe para Lisboa. “Questões existenciais fluíam na minha cabeça, e eu as despejava sobre minha mãe, que respondia da melhor maneira que podia”, explica.
A peça se desenrola como uma entrevista ao vivo, transformando o palco em um espaço de revelação e confronto. Durante o processo de criação, houve momentos de embate entre os dois. “Minha mãe se recusava a dizer certas ‘verdades’ que estavam no texto. Paramos o processo duas vezes por isso. Mas a intimidade nos permitiu parar e retomar”, revela Theodoro.

Apresentar A Última Entrevista de Marília Gabriela não apenas proporcionou uma experiência teatral marcante, mas também reforçou os laços entre os protagonistas. “Nos aproximamos mais agora, depois de velhos, já que estamos juntos nesse projeto há quase um ano. Nossa relação sempre foi baseada na busca pela verdade – crua, doída, mas necessária”, destaca Theodoro. Quando questionado sobre uma palavra que definiria Marília Gabriela após essa experiência, sua resposta foi direta: “Resiliência”.
SERVIÇO
A Última Entrevista de Marília Gabriela
Local: Teatro Royal Tulip – Hotel Royal Tulip Alvorada, SHTN Trecho 1, Brasília-DF, 70800-200
Temporada: 22 e 23 de fevereiro
Horários: Sábado às 17h e 20h | Domingo às 16h e 19h
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 500 lugares
Gênero: Comédia dramática
Ingressos: Sympla