Lúcio Flávio
Especial para o Jornal de Brasília
1918. Viena. Marguerethe é uma jovem perdidamente apaixonada por uma mulher mais velha e casada. A família, angustiada com a situação, resolve encaminhá-la para o professor Sigmund Freud, com a esperança de fazê-la “voltar à normalidade”.
Após dois anos de análise, nada é resolvido e o conceituado psicanalista manda sua paciente para o ceio do lar, sem nenhum diagnóstico de cura. Ele não pode curar o amor de mulher por outra. Eis a premissa perturbadora da peça Camélia, em cartaz de hoje até o dia 16 de fevereiro no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul).
Texto de Ronaldo Ventura vencedor da sexta edição do concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena, com direção de Luana Proença, o espetáculo, ora incômodo, ora libertador, percorre cem anos da vida dessa personagem que carrega a sina de amar a pessoa errada. “O nome da minha pátria é paixão”, se desespera a heroína.
Billie Holliday, Aretha Franklin, ABBA, Frank Valli, Wagner, entre outros, são cúmplices desse mosaico não linear de descoberta e decepções. Embora simples, o cenário se mostra comunicativo com as tragédias de Marguerethe e, mesmo depois do filme Azul É a Cor Mais Quente, é bem capaz de o público se assustar com as cenas lésbicas no palco. Ingressos: R$ 10 (inteira). Não recomendado para menores de 18 anos.