A década de 1980 foi emblemática para a história do rock brazuca. Bandas surgidas na cidade, como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, se consagraram nacionalmente. No entanto, outros grupos brasilienses fundados na mesmo período não alcançaram o mesmo patamar. Muitos, porém, ainda estão na ativa e tocando o gênero que não envelhece: o rock’n’roll. É o exemplo da tradicional Detrito Federal, há mais de três décadas na estrada, e O Dia D, que promete o primeiro disco da carreira.
Formada no ano de 1988, a banda O Dia D surgiu na região administrativa do Gama e, desde então, vem conseguindo conquistar espaço no meio musical da cidade. “Sempre estivemos entre indas e vindas. Nos apresentávamos somente para amigos e não participávamos de grandes shows. Mas, em 2013, decidimos voltar definitivamente e em nova formação”, afirma o único músico remanescente da formação original do grupo, o vocalista Marcos Rogério. O grupo conta também com Ian, na guitarra; Everton, na bateria; e Marcos Celso, no baixo.
A banda O Dia D nunca abandonou o som característico de quando começou, o punk rock. “A ideologia continua, só não nos vestimos como antigamente, como punks”, diz Marcos. “Hoje queremos alcançar públicos de todos os níveis”, comenta. Com letras autorais, as músicas trazem temas sociais, de protesto, guerra e até sobre meio-ambiente. “Estes caras estão na rua, não dão segurança a ninguém, só querem bater nas pessoas que querem protestar”, critica um trecho da canção Manchas Vermelhas.
Sem nenhum disco produzido durante 26 anos de carreira, o grupo O Dia D, que tem como influências as bandas Lobotomia, Olho Seco, DFC, Ratos de Porão e as brasilienses Passes do Caos e ARD, irá lançar o primeiro CD no fim do ano. “Depois da volta fizemos set-list com novas músicas mais pesadas. Vamos unir no álbum canções antigas e as mais recentes. Queremos agradar todos os gostos”, afirma Marcos Rogério.
Cenário
O grupo se mantém firme nas raízes. “O rock da cidade está perdendo espaço para outros estilos musicais. Estamos lutando para fortalecer o gênero aqui”, afirma o baterista Everton. Para o vocalista, outro fator para o gênero não ter o mesmo destaque de antes está na falta de divulgação. “O foco da mídia está em cima do sertanejo. Não se fala do lado mais alternativo da cidade. O rock deixou de ser um produto, mas a cena continua”, finaliza.
Memória
Em 2013, no ano em que a banda Detrito Federal completou três décadas de existência o Jornal de Brasília produziu uma matéria sobre o grupo. Nela, é possível conferir um pouco da história e como surgiu o nome Detrito Federal. A reportagem ainda fala do relançamento do primeiro disco da banda, Rumores.