Parte da badalada safra cinematográfica produzida em Pernambuco, junto com Era Uma Vez Eu, Verônica e Eles Voltam, Boa Sorte, Meu Amor chega aos cinemas. Mais sensorial do que narrativo, o longa que foi aclamado nos festivais de Brasília e em Locarno (Suíça) agrada em cheio o público jovem ao abusar da linguagem pop, com momentos de pura histeria visual (no bom sentido).
Nada previsível, Daniel Aragão nos entrega, em seu primeiro longa, uma obra que beira o experimental, romântico ao extremo. Admirador assumido do Cinema Novo, ele não se preocupa muito com o realismo (algumas cenas, aliás, têm um delicioso tom de fantasia) e faz questão de uma bela fotografia em preto e branco – assinada por Petro Sotero.
Na trama, o brasiliense Vinicius Zinn (conhecido pela série Alice, da HBO) é Dirceu, um abastado engenheiro de 30 anos que vê sua vida mudar ao conhecer a bela pianista Maria, vivida pela convincente Cristiana Ulbach, que acaba virando sua namorada. O visual em preto e branco impressiona e muitas das cenas de Cristiana são de tirar o fôlego de tão belas. O filme aposta em poucos diálogos, o que acaba deixando as cenas mais lentas, mas nada que atrapalhe a produção.