Alexandre Agabiti Fernandez
Especial para o Jornal de Brasília
Os épicos bíblicos estão em alta. Depois de Noé, de Darren Aronofsky, é a vez de O Filho de Deus; Exodus, de Ridley Scott, deve chegar em dezembro. O fenômeno tem duas explicações sólidas: o público-alvo é vasto – há mais de 2 bilhões de cristãos no mundo – e as histórias são livres de direitos autorais.
O Filho de Deus é uma condensação da minissérie de televisão A Bíblia – exibida com sucesso em centenas de países, incluindo o Brasil, pela Record – acrescida de cenas inéditas. Mostra episódios da fase final da vida de Jesus, com ênfase em vários milagres bastante conhecidos, como a multiplicação do peixes ou a ressurreição de Lázaro. Ao reduzir a vida de Jesus a uma sucessão de milagres, o filme faz dele alguém próximo de um super-herói – especialmente para o espectador não cristão.
Tudo é apresentado de forma atropelada, sem a mesma contextualização dos fatos que há na minissérie. Essa pressa contrasta com o vagaroso detalhamento com que é mostrada a crucificação de Jesus, explorando com sensacionalismo o lado mais mórbido de seu sofrimento.
Aspecto problemático
A narrativa é grandiloquente e melodramática, características também da trilha sonora de Hans Zimmer, que se dedica a reforçar (sem necessidade) o que a história tem de mais emotivo. Outro aspecto problemático são os efeitos especiais, particularmente constrangedores na sequência do milagre de Jesus andando sobre as águas do Mar da Galileia e nos planos gerais que mostram Jerusalém, pois fica evidente que os edifícios são maquetes grosseiras. O resultado geral é um calvário de duas horas para o espectador.