
As cineastas escocesas Emma Davie e Morag McKinnon poderiam transformar a história de Neil Platt num verdadeiro melodrama. Vítima da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) aos 33 anos, ele viu sua vida desmoronar por causa da doença que tira todos os movimentos do corpo e até a habilidade de falar. Mas esse não é o caminho trilhado no documentário Eu Respiro, que estreia hoje exclusivamente no Espaço Itaú de Cinema. O que se vê é um recorte emocionante (e também bem-humorado) da vida de um homem doente.
Permeado de vídeos caseiros que apresentam a adolescência e bons momentos do protagonista, o filme se foca na família de Neil e sua relação com a esposa e seu bebê. O progressivo declínio de sua saúde é mostrado em contraponto ao crescimento do filho Oscar. Uma delicada trama que fala de vida e futuro, assim como a iminência da morte num presente próximo.
Neil sabe que não vai viver muito e quer deixar lembranças e memórias para a criança, que vai crescer sem a figura paterna.
Para registrar seus últimos momentos e debater sobre a doença, ele cria um blog (plattitude.co.uk/) onde posta o desenvolvimento da esclerose. O caso de Neil Platt teve grande repercussão no exterior e chamou a atenção da imprensa britânica.
No Brasil, o longa-metragem é uma forma de conhecer melhor a doença, uma bela história de amor e cumplicidade do casal principal e, sobretudo, valorizar a vida e as coisas banais que muitos têm e nem se dão conta.