Bem diferente da revoltada hacker do sucesso Os Homens que Não Amavam as Mulheres, uma Rooney Mara bem mais feminina é quem conduz a trama de Terapia de Risco, dirigida por Steven Soderbergh.
Depois de tentar o suicídio, Emily Taylor começa a se tratar com o psiquiatra Jonathan Banks, interpretado por um sempre contido Jude Law. Por recomendação da primeira psiquiatra de Emily, a Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones), além da insistência da própria paciente, Dr. Banks acaba lhe receitando Ablixa, novidade no mercado que estampa anúncios por toda Nova York.
Emily melhora rapidamente e passa a ter uma vida normal com o marido (Channing Tatum), mas passa a ter crises bizarras de sonambulismo. Quando ela, ainda sonâmbula, acaba cometendo um crime bárbaro (a cena causa arrepios), ficamos na dúvida. Quem é o culpado, o médico ou a paciente?
Com a produção, Soderbergh volta a criticar a indústria farmacêutica norte-americana, como fez em Contágio, mas o longa vai muito além e faz a gente roer as unhas do início ao fim.
Metamorfose ambulante
Rooney mostra que é uma das melhores atrizes da sua geração, capaz de transformar-se totalmente de uma cena para outra.
Com o filme, Soderbergh demonstra que, para contar uma boa história, não precisa fazer um filme-denúncia, como Traffic, nem um blockbuster, como Doze Homens e Outro Segredo. Em Terapia, ele foge também do rótulo, que tem já há alguns anos, de autor de “filmes de festival”. Por ele – e por Rooney –, vale à pena dar um pulo nas locadoras.
saibamais