Wagner Moura está muito contente com a repercussão do filme “Praia do Futuro”, mas não tão contente assim com o Brasil. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (14) no site do jornal Estado de S. Paulo, o ator e diretor diz que vai deixar o Brasil por dois anos.
“Tenho o maior amor por esse País, mas não está dando para viver aqui. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas estou gostando que meu próximo projeto – uma minissérie sobre Pablo Escobar que será dirigida por José Padilha – vai me tirar do Brasil por uns dois anos”. Ele reclama do preconceito e do conservadorismo, e diz que Praia do Futuro vai contra isso, mas reclama mais ainda da política. Na eleição passada, já se havia distanciado do PT e apoiado Marina Silva para presidente. “O PT não inventou o toma lá/dá cá, mas o institucionalizou”, diz, desiludido. O Rio é uma das cidades mais caras do mundo. “Eduardo Paes governa com a iniciativa privada.” É o oposto do que vivenciou em Medellín, na Colômbia (onde vai filmar Narcos).
“Vão me chamar de demagógico, mas o projeto de reurbanização de Medellín realmente privilegia os necessitados. O metrô sai de dentro das favelas, e elas estão sendo urbanizadas. No Brasil, temos as UPPs, que são um primeiro passo, mas a coisa não vai adiante. São os mesmos policiais, olha a quantidade de denúncias.” Como cidadão, e sabendo que poderia influenciar pessoas, ele sempre abriu seu voto. Pela primeira vez, admite que não sabe em quem votar.