Andréia Castro
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Garoto encontra garota e se apaixona. Com um roteiro aparentemente simples, Questão de Tempo parece ser apenas mais uma comédia romântica bonitinha, mas guarda algumas cartas na manga. Dirigido por Richard Curtis (Simplesmente Amor), o longa abusa de elementos fantásticos para mostrar o desejo que todos têm em querer uma segunda chance na vida.
Em uma cena inicial, Bill Nighy (que rouba a cena com uma brilhante atuação) rende ótimas risadas na pele do patriarca Bill Nighy ao explicar ao filho Tim (Domhnall Glesson) como se faz para conseguir voltar no tempo – habilidade que ambos possuem.
Garota ideal
O protagonista, um jovem e tímido advogado, se muda para Londres com a esperança de encontrar sua alma gêmea. Quando finalmente encontra uma pretendente, Mary, interpretada por uma delicada Rachel McAdams (Amor Pleno), usa e abusa de sua máquina do tempo evoluída para fazer com que tudo dê certo no relacionamento de seus sonhos.
Roteirista de Um Lugar Chamado Notting Hill, Quatro Casamentos e Um Funeral, entre outras comédia românticas deliciosas, Curtis faz rir com as trapalhadas do inglês apaixonado. Mas a comédia vai além, recheada de cenas dramáticas muito bem amarradas que convencem e nos transportam (trocadilho intencional) para cada um dos momentos marcantes vividos por Tim.
Pouco a pouco, as viagens no tempo vão se tornando cada vez menos necessárias, pois Tim percebe que a vida (e cada detalhe dela) vale mesmo a pena. Essa é apenas uma das muitas mensagens bacanas que o longa entrega de bandeja ao espectador.
Destaque para o roteiro, que merece uma indicação ao Oscar de melhor roteiro original. A relação de Tim com seu pai também é muito bem amarrada, além de bela e sutil, podendo arrancar lágrimas dos mais sensíveis. Prepare o coração.
Outras viagens
Não é a primeira vez que o tema da viagem no tempo é explorado pelo cinema. A própria atriz Rachel McAdams estrelou o romance Para Sempre Te Amarei (2009), sobre uma mulher apaixonada por um homem que podia se locomover no tempo-espaço.
Já numa vertente mais sombria, Efeito Borboleta (2004), protagonizado por Ashton Kutcher, foi outro longa-metragem que abordava a possibilidade de se voltar no passado para alterar o futuro.