Conseguir um lugar ao sol e se consolidar no calendário cultural da cidade com a exibição de filmes de curta duração, abrangendo produções locais, nacionais e internacionais. Essa é a proposta da segunda edição do Festival de Curtas de Brasília, em cartaz até domingo, no Cine Brasília (106/107 Sul).
Para Ana Arruda, coordenadora-geral do evento, a importância da mostra está na formação cultural da capital. “Com esse tipo de festival, o público tem uma noção da qualidade de nossas produções. É uma retroalimentação: recebemos o conteúdo e o difundimos”, justifica Arruda.
Em uma parceria com a Embaixada da França, a edição deste ano tem como diferencial uma mostra internacional de curtas franceses inéditos. “A ideia do projeto é promover o intercâmbio local e nacional. Trazer a dimensão internacional é benéfico para o público, pois se conhece um outro tipo de cinematografia”, acredita Ana.
Ganhando respeito
Foram mais de 500 filmes inscritos de todo o País, número superior ao da primeira edição. Para a coordenadora, foi uma surpresa. “Atingimos uma média de inscrições similar a de festivais consolidados, que já existem há mais de 20 anos. A tela do cinema é um espaço nobre para exibir os curtas, e seus realizadores querem apresentá-los aqui”, conta.
São mais de 70 filmes, divididos entre mostra competitiva local e nacional, além de seis categorias paralelas. São elas: Sessão Urbanidades, com filmes sobre os dilemas da grandes cidades; Sessão Provocações, de produções que abordam a intimidade de personagens; Sessão Anima, com curtas de animação; e Sessão Calanguinho e Sessão Isso Tudo Passa, com películas que têm como tema o universo infanto-juvenil.
A novidade deste ano é a Sessão Especial de Videoclipes, que traz produções da cena musical de Brasília para às telas do cinema.
Obras inéditas e premiadas
Doze filmes locais disputam a Mostra Competitiva Curta Brasília. Dentre eles, o documentário Babilônia Norte, do diretor Renan Montenegro. O filme desvenda os mistérios da entrequadra 205/206 Norte, conhecida como a “quadra estranha”.
Segundo Renan, o curta quis dar uma identidade ao local: “A proposta do documentário é dar um novo significado para o espaço”.
Na programação do festival, serão exibidos mais de 30 curta-metragens inéditos. Destaque para Acalanto, do diretor maranhense Arturo Saboia. O filme recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, além de ter sido selecionado para participar do Festival de Cannes deste ano.
Formação da plateia
Baseado no conto A Carta, do escritor moçambicano Mia Couto, a produção conta a história de uma senhora analfabeta que tenta amenizar a saudade do filho ao pedir a um conhecido que leia diversas vezes uma carta. “Acalanto trata de questões muito humanas e aborda temas sensíveis, que tocam o público”, diz o diretor.
Para Arturo, a mostra tem bastante relevância. “É uma maneira de ajudar a formar e consolidar o público que assiste a curtas-metragens”, finaliza.
Serviço
2º Festival Curta Brasília – Até domingo. No Cine Brasília (106/107 Sul). Entrada franca. Informações: 8104-1548. A programação completa pode ser conferida em curtabrasilia.com.br.
A classificação indicativa varia de acordo com o filme.
Programação
Hoje (28)
20h – Abertura
20h30 – Mostra Competitiva – Graça; Graffiti Dança; E Quem É Meu Pai?; Requília; e O Pacote
22h – Mostra Competitiva – Acalanto; Meu Amigo Nietzche; Pátio; A Roza; e Contos da Maré
23h – Festa de Abertura
Amanhã (29)
10h – Mostra Infantil Calanguinho
15h – Mostra Juvenil Isso Tudo Passa
17h – Mostra Urbanidades
19h – Mostra Competitiva – Exú: Além do Bem e do Mal; Sim, Salabim!; Breu; Os Sobreviventes; e Úrsula Tem Sempre Razão
21h – Mostra Competitiva – Bibinha, a Luta Continua; Filme Para Poeta Cego; Suassuna, a Peleja do Sonho com a Injustiça; e Lia e o Anjo e O Duplo.