Lúcio Flávio
Especial para o Jornal de Brasília
Mesmo do outro lado do Atlântico, em Budapeste, na Hungria, onde vive desde julho do ano passado, Eron Falbo bombou na mídia brasileira em 2013. O brasiliense de 28 anos, que se apresenta na capital no mês que vem, gravou um disco produzido por ninguém menos do que Bob Johnston. Para quem não sabe, na década de 1960, Johnston foi o homem responsável por álbuns de sucessos de artistas como Bob Dylan, Johnny Cash, Leonard Cohen e Simon & Garfunkel.
Em 2009, o veterano produtor interrompeu a aposentadoria para trabalhar na produção do disco 73, de Eron Falbo, que já pode ser adquirido online. Em breve, o registro estará disponível também em versão física. Em Brasília, poderá ser comprado na Dom Pedro Discos, na Asa Norte.
“Bob Johnston era o nome que eu lia atrás dos discos quando tinha 18 anos”, observa o artista, em entrevista para o JBr.. “No começo achava que ia receber, no máximo, bons conselhos. Achei que ele fosse apenas me encaminhar, dar umas músicas perdidas para eu tocar nos shows”, conta, como se ainda não acreditasse.
Viagem musical
Sua primeira empreitada na música foi embalando festas como DJ pela capital. O Gate’s Pub era o point. “Eu ia aos shows do Prot(o) e do Chantilly”, revela, citando duas bandas da cidade. Aprendeu a gostar dos Beatles ouvindo Oasis e então sua vida mudou de vez. Pelos sites de acordes tirou as primeiras notas de gaita e violão e, aos 16 anos, no melhor estilo Jack Kerouac, resolveu botar o pé na estrada. “Os beatniks foram minha primeira identificação literária; para mim eles eram os únicos tão perdidos quanto eu”, confessa.
Com o dinheiro que juntou dando aulas de inglês aprendido na Escola Americana, partiu para os Estados Unidos, atravessando o país de carro e trem numa cruzada espiritual e artística pelas principais capitais da música norte-americana. Dessa experiência nasceu o disco 73.