Hugh Jackman admite que interpretar Keller Dover – um homem que não vai parar para nada até terminar a procura por sua filha desaparecida – o mudou como pai.
“Eu deixo meus filhos um pouco mais perto agora? Claro”, ele diz. “Eu os abraço mais forte após chegar em casa vindo das filmagens? Claro que sim. Ao contrário do meu personagem, que diz ‘Reze pelo melhor, prepare-se para o pior…’, eu sempre tendo a ser um otimista. Mas quando se faz um filme como Os Suspeitos – com toda a terrível pesquisa que teve de ser feita para viver meu personagem – você percebe que o mundo nem sempre é bonito e que você precisa estar preparado para coisas ruins. Você também precisa preparar seus filhos e ter certeza que eles estejam prontos para certas situações. É o mundo no qual vivemos atualmente”.
A pesquisa árdua e muitas vezes dolorosa que Jackman realizou para garantir a autenticidade de seu personagem, o levou a uma jornada de descobertas. “Tudo o que posso dizer é ‘Não faça a pesquisa que eu fiz, porque é horrível e ela fica em você 100%”, diz o ator.
“Na verdade, eu diria que ler sobre esses crimes e o que eles causam nas pessoas; ver vídeos sobre isso fez parte das piores horas da minha vida, isso destrói a alma. Mas o que isso me trouxe foi a responsabilidade de jamais glorificar essa situação e muito menos a sensacionalizar. Este crime acontece com muita gente e não é algo que se supera. Há uma responsabilidade com essas pessoas em relatarmos fatos com veracidade e respeitar essas pessoas e suas sensibilidades; fazer um filme que prende, que tem suspense, mas que leva ao diálogo e que realmente mostra o que a violência faz com as pessoas”.
Dessa forma, para Jackman, o apelo de Os Suspeitos (Prisoners, no título original) acontece dessa forma, pois todos os personagens do filme são um pouco prisioneiros da situação, em uma nuance sutil. “Em mãos erradas, a estória poderia descer ao gênero comum de vingança; este filme não dá à audiência heróis claramente delineados e vilões com noção exata de certo e errado”.
“Os Suspeitos exige bastante do público e Denis Villeneuve, nosso diretor, não estava assustado com tudo isso. Na verdade, assim que eu soube que ele estava no projeto, eu estava dentro; sabia que ele ia fazer justiça ao assunto”.
Enquanto o diretor de Quebec – admirado por filmes independentes como Incêndios – poderia usar o físico de Jackman para transformar Keller Dover em um herói de ação, ele insistiu no inverso: “Denis estava convencido de que eu estaria bem coberto, porque ele não queria que a percepção de ninguém ficasse no caminho. As pessoas me conhecem tanto de Wolverine, que me faz usar uma camiseta no máximo, ou que já fica sem camisa já na metade do filme. X-Men trata da violência de certa maneira, talvez até glorificando-a. Mas neste filme a violência tem que ser desconfortável, por isso ele não queria qualquer percepção de minha pessoa que lembrasse Wolverine”.
“Na verdade, ele não queria Keller Dover confundido com qualquer tipo de herói de ação, ou qualquer um que fizesse o público pensar ‘Sim, vamos lá! Aí vem o Charles Bronson em Desejo de Matar, ele vai matar todo mundo’. Eu achei uma decisão sábia, porque isso não é o que estamos tentando dizer com este filme”.
O filme conta a história emocionalmente angustiante de duas meninas, a filha de Dover, Anna, de seis anos e sua amiga Joy, de sete, que saem da celebração de Ação de Graças para brincar, mas não voltam.
Dover fica convencido de que Alex Jones (Paul Dano) – um homem solitário visto perto do local onde as meninas desapareceram – é o seu raptor. E quando os policiais que o investigam – liderados pelo Detetive Loki (Jake Gyllenhaal) – deixam de acusá-lo pelo crime, ele entra numa ação radical para conseguir sua filha de volta.
Os Suspeitos examina os efeitos devastadores do crime nos dois casais de pais cujas filhas foram levadas, e sobre a pequena comunidade da Pensilvânia em que vivem. Mas, ao mesmo tempo, ele também levanta questões importantes sobre o direito de fazer a lei por suas próprias mãos.
“Essa é a pergunta de um milhão de dólares”, Jackman diz, “Mas talvez não haja uma resposta certa ou errada. Meu personagem sente 100% de certeza em suas ações. Ele tem que obter informações de um cara que acredita ter sequestrado sua filha e é algo com o qual se pode simpatizar”.
“Mas sem entregar muito, suas ações têm consequências devastadoras. Então o que ele faz é parte heroica e parte atroz. E dentro dessa ambiguidade, para mim, reside a verdadeira natureza da violência. Ao mesmo tempo o filme irá forçar o público a pensar como ele iria reagir ao pesadelo de rapto de crianças. No filme você vê quatro pais – que têm perspectivas muito diferentes – e a verdade é que nenhum de nós sabe como iria reagir porque os impulsos nesse caso são primitivos”.
“Até que isso aconteça com você, é impossível dizer, mas pessoalmente eu acho que eu certamente iria para um caminho justo se eu me sentisse 100% certo de que sei quem sequestrou minha filha. Eu posso entender de onde meu personagem vem”.
Ele sabe, no entanto, que as ações de seu personagem dividirão o público: “Quando Deb, minha esposa, estava assistindo comigo, ela estava segurando minha mão, mas em certo ponto do filme ela tirou a mão da minha. Pude sentir que ela estava ficando desconfortável com o meu personagem. Ela tinha certeza sobre os atos dele a principio, mas depois ‘Eu não tenho certeza sobre isso agora’… Mas no meio dessa ambiguidade moral é exatamente onde o filme se encontra e onde ele está em sua forma mais poderosa”.
Depois de Os Suspeitos, o ator de 44 anos vai reprisar seu papel como Wolverine. Nascido e criado em Sydney, ele estudou na Academia Australiana de Artes Cênicas, em Perth. Imediatamente após sair da faculdade, conseguiu um papel na popular série de TV Correlli.
Depois de mais trabalhos na TV, teatro e filmes na Austrália, Jackman foi escalado como Logan / Wolverine em X-Men, do diretor Bryan Singer.
Seu desempenho extraordinário lançou sua carreira em Hollywood e ele passou a estrelar vários filmes como A Senha: Swordfish, X -Men 2, O Grande Truque, X-Men: O Confronto Final, Austrália e muitos mais. Ele foi indicado ao Oscar® de Melhor Ator por sua brilhante atuação como Jean Valjean em Os Miseráveis.
P: Como foi trabalhar com Denis Villeneuve?
Hugh Jackman: Ótimo; é preciso admirá-lo por fazer um trabalho fantástico em circunstâncias difíceis. Ele é franco-canadense e fez um filme em inglês por um grande estúdio – e ainda conseguiu fazer o filme totalmente sob seu ponto de vista.
P: Tendo em mente quem você ia interpretar, você pensou muito sobre o papel ?
HJ: Muito. Eu li o roteiro dois anos antes de assinar e eu disse que realmente precisávamos ter certeza de que tivéssemos o diretor certo, porque o filme precisava ser equilibrado. É um filme de gênero, um thriller, é uma perseguição de gato e rato; são oito dias no relógio com Jake tentando encontrar o autor do crime e tudo isso mantém o espectador na ponta da poltrona.
Mas é mais do que isso – é um drama que faz você pensar muito depois de ter deixado o cinema, sobre o que acontece aos casamentos, aos pais, aos irmãos, à polícia, às comunidades – e precisávamos de alguém como Denis, que tinha a percepção para os detalhes, para o personagem, para a ambiguidade moral. De outra forma seria simplesmente apenas um filme de gênero e o perigo seria você quase ser glorificar a violência. E é com isso que eu estava nervoso.
P: Então, o filme não se parece, por exemplo, com Desejo de Matar?
HJ: Não, e nem com Busca Implacável. E mesmo que seja emocionante e funcione muito bem como um thriller, ele exige mais de seu público e Denis não estava com medo disso, assim como os produtores. Assim que Denis se juntou ao projeto, eu também me juntei.
P: Há muita ambiguidade moral no filme, sem preto e branco ou certo e errado?
HJ: Exatamente. Você entende de onde meu personagem está vindo – qualquer pai entende. E Deb, minha esposa, estava assistindo comigo e segurando minha mão, mas houve certo ponto do filme em que ela tirou a mão da minha. Pude sentir que ela estava ficando desconfortável com o meu personagem. Ela a princípio estava certa sobre ele, mas em seguida, me disse ‘Eu não tenho certeza sobre ele’. Mas no meio dessa ambiguidade moral é exatamente onde o filme se encontra – e onde é mais poderoso.
P: Porque o título original é Prisoners (Prisioneiros)?
HJ: Porque cada personagem no filme torna-se um prisioneiro da situação que vive.
P: Você pode se imaginar reagindo da mesma forma que faz Keller Dover?
HJ: É impossível saber. Eu certamente agiria de forma justa, principalmente se me sentisse 100% certo de que eu sabia quem sequestrou minha filha. Acho que este filme faz essa pergunta a todos que o vêem, claro que você não pode deixar de imaginar como seria. No filme você vê quatro pais – que têm perspectivas muito diferentes – e a verdade é que nenhum de nós sabia o que iria acontecer, porque os impulsos são primitivos. Por causa do tipo de pessoa que Keller é, ele é mais propenso a levar o assunto por suas próprias mãos, mas ele também tem mais informações do que qualquer outra pessoa. Ele está tentando convencer todo mundo de que ele ouviu. E se eu soubesse que ninguém faria mais nada sobre o assunto, isso me deixaria louco e me levaria a fazer tudo o que pudesse.
P: Seus sentimentos como pai mudaram?
HJ: Obviamente, como um pai, ler o roteiro me fez mal para o estômago, mas é uma coisa perigosa contar com a imaginação de seus próprios filhos que desapareceram. Eu acho que é perigoso como ator brincar com os sentimentos, algo que aprendi no teatro. No filme, são alguns dias e alguns takes, mas no teatro você está fazendo oito shows por semana e se você está constantemente vivendo a história, isso pode tornar-se perigoso. Eu vi pessoas ficarem um pouco malucas por fazerem isso. Você tem que ter cuidado e quando você tem um ótimo roteiro e uma história, você não precisa recorrer a esses sentimentos para construir o personagem.
P: Dessa forma, é possível justificar o ato de fazer a lei por nossas próprias mãos?
HJ: Bem, essa é a pergunta de milhões de dólares que o filme faz. Mas ele realmente não a responde, porque, talvez, não haja uma resposta certa. Meu personagem se sente 100% certo em suas ações, ele tem que obter informações de um cara que ele acredita ter sequestrado sua filha. Mas, sem entregar muito, suas ações têm consequências devastadoras. Então o que ele faz é parte heroico e parte atroz. E dentro dessa ambiguidade, para mim, reside a verdadeira natureza da violência. No momento o que este filme tem a dizer sobre a violência me lembra um pouco da situação na Síria. A moral da história é que nunca há respostas fáceis, nunca é tudo muito claro, há danos colaterais e vidas são mudadas para sempre.
P: Você consegue esquecer do papel no final do dia?
HJ: Eu estou melhor agora do que costumava ser; costumava ir para casa e pensar ‘Eu deveria ter feito isso ou aquilo’… Mas agora estou bem melhor conseguindo dizer ‘Está feito’, e no momento em que um filme termina posso deixá-lo ir. O que é mais difícil de esquecer são as coisas que você sabe que virão e há uma sensação de pressão, preocupação e excitação sobre isso, isso ocupa sua mente.
P: Como papeis obscuros como este o afetam?
HJ: Em última análise, é estranhamente catártico. Quero dizer que todos nós já choramos bastante em algum momento, certo? Às vezes, quando você chora, uma hora depois você se sente bem, sente calma e isso é uma resposta natural do ser humano, liberar emoções que estavam presas lá dentro. Às vezes, quando você chora você tem uma dor de cabeça e, geralmente, é quando há mais tensão. Então como ator, quanto mais relaxado você estiver, mais isso flui através de você. Sim, você termina o dia esgotado, exausto, seja o que for, mas você também se sente calmo e é catártico.
P: Keller Dover é muito diferente de outros papéis que você já interpretou. Você está procurando algo mais sombrio agora?
HJ: Não necessariamente mais sombrio – verdadeiro, mais profundo, talvez, mais desafiador. Eu acho que muito do que eu tive que fazer em Fonte da Vida teve uma intensidade similar. Fomos a alguns lugares bem assustadores. O meu primeiro papel no cinema, Erskineville Kings, foi o de um personagem muito sombrio. Já fiz peças com Daniel Craig, que tinham essa escuridão também. Eu acho que sou apenas mais conhecido por outras coisas. Por isso é certamente diferente e eu diria mais dramaticamente desafiador, porque a dramaticidade é muito sustentada. Depois de seis páginas no roteiro do filme, você entra em um buraco escuro e nunca mais sai – e isso é um monte de tempo no qual você tem que manter e criar um personagem que é bastante obscuro. Muitas vezes em um filme há uma ou duas cenas nas quais você trabalha isso, mas dessa vez foi muito mais.
P: Onde você encontra a escuridão?
HJ: Ela está lá, cara. Infelizmente, está em todos nós. Eu sou, por natureza, um cara muito otimista e você está me vendo aqui sendo levado de um país a outro, ficando em um hotel cinco estrelas para falar sobre um filme que eu amo. Então, qual é a queixa? Isso tudo é bom. Venha à minha casa às 4:30 da manhã, quando eu tenho que me levantar para ir a academia e levantar pesos e você talvez não me ache um cara bacana de conviver (risos) .
P: O aspecto físico do personagem é completamente diferente de Wolverine, não é? Você provavelmente queria ter certeza de que ele seria muito diferente…
HJ: Sim, e por falar nisso, logo depois que eu fiz esse filme eu fui fazer X-Men e por isso eu estava treinando e Denis perguntava ‘Ele está vivendo um pai suburbano que é carpinteiro, por que diabos Hugh precisa comer a cada duas horas? (risos). Mas eu já estava me preparando para o próximo papel. Para Os Suspeitos, no entanto, Denis estava convencido de que eu deveria estar coberto, porque ele não queria que a percepção de ninguém ficasse pelo caminho. As pessoas me conhecem muito como Wolverine, e quando eu estou nesse personagem sempre uso uma camiseta ou então já estou sem ela na metade do filme. E X-Men trata da violência de certa maneira, talvez até glorificando-a. Neste filme, a violência tem que ser desconfortável, por isso ele não queria qualquer comparação de minha pessoa como o personagem Wolverine. Ele não queria Keller Dover confundido com qualquer tipo de herói de ação que poderia levar o público a pensar ‘Sim, vamos lá! Aí vem o Charles Bronson, vai sair matando todo mundo’ Eu achei uma decisão sábia, porque isso não é o que estamos tentando dizer com este filme.
P: Você parece trazer uma intensidade semelhante, não importa qual seja o papel…
HJ: Eu espero que sim. Se eu estou vivendo Wolverine eu tento fazê-lo o mais real possível, mesmo enquanto eu estou fazendo a ação e tenho garras saindo de minhas mãos. A mesma coisa quando eu estava cantando, no teatro musical ou em Les Mis. Musicais têm que mover as pessoas, não se trata apenas de melodias bonitas, que são agradáveis de ouvir, mas o personagem e enredo têm de conduzir a história. Portanto, há uma similaridade essencial em todas as coisas que eu faço e todos os personagens que eu interpreto. A tonalidade deste filme é diferente, acho que exigiu uma crueza que não tinha em outras coisas e felizmente eu não tenho que cantar. Eu não sei o que essa música seria (canta) “Onde está a minha filha? Maldito seja, filho da******!” (risos).
P: A pesquisa que você fez para o papel, sobre crianças raptadas, o afetou?
HJ: Bem, tudo que posso dizer é ‘Não façam a pesquisa que eu fiz, porque é horrível e fica com você 100%. Na verdade, eu diria que a leitura sobre esses crimes e o que eles fazem com as pessoas e assistir a vídeos sobre o assunto foram as horas mais destruidoras da alma que passei na minha vida. O que realmente trouxe para mim foi a responsabilidade que tínhamos de não glorificar esta situação, em qualquer forma ou sensacionalizar. Este crime está acontecendo com um monte de gente e não é algo que você supere. Imagino que haja uma responsabilidade para com as pessoas realmente afetadas por esses crimes, a retratar isso com precisão e respeitá-las – e suas sensibilidades. Fazer um filme que seja emocionante, cheio de suspense, mas que o faça pensar e realmente ver o que a violência faz.
P: Quão necessária foi a pesquisa?
HJ: Muito necessária, e fui busca-la quase como alguém que está reunindo provas de uma forma bastante meticulosa, porque eu queria retratar com precisão o que realmente acontece. Quais são os passos? O que acontece no primeiro dia? O que os pais podem fazer? Será que eles distribuem folhetos? Será que eles batem nas portas dos vizinhos? A polícia permite isso? O que acontece com amigos e família, o que acontece com os relacionamentos?
P: Será que a pesquisa e a experiência de viver Keller mudaram você de alguma forma?
HJ: Claro. Não cuido dos meus filhos um pouco mais de perto? Lógico! Posso abraçá-los mais apertado quando eu chegar em casa vindo das filmagens? Sim, lógico. Meu personagem diz “Reze para o melhor, prepare-se para o pior” E antes, eu provavelmente pensava assim, mas a experiência com Os Suspeitos me fez pensar que talvez esse ponto de vista seja um pouco preguiçoso e mais otimista. O mundo nem sempre é bonito e você precisa estar pronto para coisas ruins, de uma forma sensível – e você precisa preparar seus filhos e garantir que eles estejam prontos para determinadas situações e que eles saibam o que fazer. Este é o mundo moderno em que vivemos. Eu cresci com um pai que não chegava em casa do trabalho até sete horas da noite e nós corríamos por aí fazendo nossas próprias coisas, preparávamos o jantar, ficávamos muito sozinhos, mas você percebe que é um mundo diferente agora.
P: Como você encontrou a escuridão necessária para desempenhar este papel?
HJ: Essa é uma pergunta muito boa, na verdade. Eu acho que no fundo, em todas as nossas psiques, eu acho que é a batalha essencial que todos nós enfrentamos. Todos nós queremos viver a vida ao máximo e ser feliz, mas juntamente com isso há um medo avassalador, pois sabemos que vamos morrer. Agora você não pode operar no dia-a-dia pensando nisso. Então, nós apenas uma vamos em frente, nos ocupamos com nossos trabalhos e seguimos as nossas vidas, mas a escuridão está lá com os medos. Eu tenho medos como todo mundo, sou pai. Tenho medo do que meus filhos vão se tornar, o que vai acontecer com eles. E isso é para sempre, mesmo quando os filhos saem de casa, isso nunca deixa você. Claro que você pode não se preocupar se eles escovaram os dentes à noite ou não, mas você se preocupa se eles vão ficar bem, se estão numa viagem e vão ficar bem. Você sabe, ‘me liga quando chegar’, isso nunca deixa você. E em um nível pessoal, existe a luta com as questões de mérito; ‘Eu sou merecedor? Eu mereço isso? O que está acontecendo? Quem sou eu?’ Tudo isso está dentro de todos nós, em diferentes níveis. Onde fica eu não sei, mas está lá no fundo.
P: Você se pega às vezes pensando nas bênçãos de sua própria vida?
HJ: Totalmente. Eu sou muito abençoado em minha vida. Tantas coisas loucas têm acontecido para mim, que eu nunca pensei que iriam acontecer. Por exemplo, viajar. Sempre foi o meu sonho e eu tenho que fazer isso muito, ir a lugares incríveis e conhecer pessoas incríveis por causa do trabalho que eu faço. Mas, para ser honesto, são as coisas simples que eu mais amo. Tive um fim de semana maravilhoso na semana passada, eu estava com as crianças e jogamos Banco Imobiliário, cozinhamos, assistimos a filmes à noite e eu senti um profundo sentimento de contentamento e felicidade, apenas com as coisas simples, mais básicas, de estar com eles e vê-los felizes. Estarmos juntos.
P: Como você mantém atuais seus instintos como ator?
HJ: Eu acho que temos que reaprender o instinto. Nós nascemos com isso naturalmente e depois esquecemos. Atuar é natural para todos, mas à medida que viramos adultos, esquecemos. Nós ficamos tímidos e preocupados com o que as pessoas pensam de nós. Mas você olha para todas as crianças crescendo e eles são atores naturais, eles podem chorar rapidinho, só assim (estala os dedos) se querem alguma coisa. E então eles vão rir um minuto depois. E eles podem gritar e chorar por 20 horas e nunca perder a voz e nós podemos perder a nossa voz em cinco segundos. É mais sobre lembrar de que podemos fazer isso naturalmente. Isso é a coisa mais difícil sobre atuar.