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Premiado espetáculo de Christiane Jatahy chega a Brasília para curta temporada

Arquivo Geral

06/01/2014 20h01

Uma obra que rompe as fronteiras entre teatro e cinema, palco e tela, presença real e virtual. A adaptação que a diretora carioca Christiane Jatahy pensou para o clássico texto do sueco August Strindberg leva o espectador a transitar pelas tênues fronteiras entre o real e o encenado. E a história trágica de amor entre a jovem de família aristocrática e um empregado da mansão é percebida em todas as suas sutilezas, com a densidade e a dramaticidade que a caracterizam. O espetáculo Julia chega a Brasília para uma curtíssima temporada no Pavilhão de Vidro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, onde fica de 10 a 12 de janeiro de 2014.

 

O espetáculo Julia radicaliza a pesquisa que a diretora vem desenvolvendo desde 1996, de explorar novos territórios cênicos. No início, Christiane Jatahy pesquisou espaços não convencionais que propunham diferentes interações com o público. Depois, voltou-se para a experimentação entre realidade e ficção, ator e personagem, deixando que o momento atual ganhasse espaço na cena marcada. E desde o espetáculo Conjugado (que continha uma vídeo instalação em cena), seus trabalhos passaram também a incluir investigações da linguagem audiovisual. Foi assim também com Corte Seco (no qual câmeras de segurança revelavam em tempo real o entorno do teatro e os bastidores) e principalmente com a peça transformada em filme A Falta que nos move (os atores permaneceram 13 horas ininterruptas em filmagem).

 

Com Julia, Christiane Jatahy vai além. Na peça, as cenas presenciais dos atores no palco se misturam a cenas pré-gravadas e a outras que vão sendo filmadas ao vivo no espaço teatral, revelando detalhes, intimidades. Um filme é construído diariamente diante do público, numa fricção constante entre teatro e cinema, entre o clássico e o contemporâneo, entre o que pode ser visto e o que só pode ser entrevisto. Na presença real do ator em cena e no enquadramento dos detalhes do cinema, a câmera é testemunha e presença permanente no espetáculo. Invade e constrói junto o olhar da plateia a esse encontro urgente do relacionamento entre Julia e Jean (Jelson na adaptação) transposto para o Brasil de hoje. Em cena, os atores Julia Bernat e Rodrigo dos Santos, além do cinegrafista David Pacheco.

 

A encenação rendeu a Jatahy o Prêmio Shell de Melhor Direção em 2012. Também foi indicada ao Prêmio APTR de direção e cenário, ao Shell de adaptação e cenário e ao Prêmio Qualidade Brasil, nas categorias espetáculo, direção, atriz e ator. Desde então, Julia cumpriu um grande itinerário internacional, tendo sido apresentada em festivais e teatros na Europa como Kunstenfestivaldesarts (Bruxelas), Wiener Festwochen (Viena), Theater Spektakel (Zurique), Noordezon Festival (Grooening), Temps d’Images (Paris), Rotterdam de Keuze Festival (Roterdã) Mouseonturm (Frankfurt), Temporada Alta Girona e Centro Dramático Nacional (Madrid).

 

O TEXTO – Escrita em 1887 por August Strindberg (1849-1912), a peça é um marco da dramaturgia naturalista. Uma jovem aristocrata e seu criado se envolvem amorosamente. Como pano de fundo estão os temas recorrentes da obra do autor sueco: a diferença de classes sociais, a disputa entre os sexos, a contradição entre pulsão erótica e realidade.

 

CHRISTIANE JATAHY – Autora e diretora de teatro e cinema. Nos últimos anos montou espetáculos que dialogavam com distintas áreas artísticas e novos dispositivos de criação. Em teatro montou a trilogia Uma cadeira para solidão, duas para o dialogo e três para a sociedade. Também peças que transitavam entre as fronteiras da realidade e da ficção, do ator e do personagem, do teatro e do audiovisual: Conjugado, A Falta que nos move e Corte Seco.

No ano de 2009, o trabalho se expandiu para o cinema com o filme A Falta que nos Move, filmado em 13 horas contínuas, sem corte, por três câmeras na mão. O material foi editado e hoje é um longa-metragem, além de ter sido exibido em três telas de cinema, durante 13 horas, em uma performance cinematográfica que começou exatamente na mesma hora em que começou a filmagem, 17.30 e acabou as 6.30 da manhã.

As peças viajaram para festivais no Brasil e no exterior e foram indicadas aos principais prêmios de teatro. Seu próximo projeto, E se elas fossem para Moscou?, será sobre a utopia. Uma mistura de teatro, cinema e performance nas ruas, com estreia prevista para o primeiro semestre de 2014.

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