
Dirigido por Bruno Barreto, estreia hoje o esperado Flores Raras, protagonizado por Gloria Pires e Miranda Otto. As duas recriam a história de amor entre Lota de Macedo Soares (arquiteta autodidata carioca) e Elisabeth Bishop (poeta americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956). Ambientado no Brasil das décadas de 1950 e 1960, quando a Bossa Nova explodia e Brasília era construída e inaugurada, o longa acompanha a história das duas grandes mulheres e suas trajetórias inversas.
No filme, Elizabeth Bishop, que passou cerca de 17 anos no País, desembarca em uma escala na viagem de navio que fazia sem muita direção ao redor do mundo. Vinda de Nova York, ela ficaria hospedada por dois dias na casa de uma ex-colega de escola, a também norte-americana Mary, que vivia com a arquiteta brasileira. O encontro é a grande história do longa.
Bishop, emocionalmente frágil, alcoólatra e que passava a vida em viagens, sem família e residência fixa, torna-se cada vez mais forte à medida que sofre diversas perdas em sua vida. Lota de Macedo Soares, otimista, auto-confiante e empreendedora, torna-se cada vez mais fraca quando vê ameaçado o grande amor de sua vida e o controle de seu maior projeto, o Parque do Flamengo.
Força feminina
O filme, 19° longa de Barreto, tenta dar conta de alguns aspectos da história, tendo como grande trunfo a presença das duas atrizes experientes e para lá de carismáticas. A carga de emoção da produção, aliás, se deve sobretudo à total entrega das duas.
A dupla, que tem uma química que funciona muito bem, consegue superar os problemas de um roteiro irregular, passado por várias mãos, tendo como ponto de partida a biografia de Carmem L. Oliveira, Flores Raras e Banalíssimas, que inspirou o título do filme.