Vencedor da mostra paralela Cinema 21 do Festival de Roma, Avanti Popolo é exibido hoje, às 21h, no Cine Brasília. Em seu primeiro longa-metragem, Michael Wahrmann lança sua ótica sob o impacto da ditadura militar (1964-1985) na vida das pessoas. O diretor conta que o filme é de certa forma uma continuação de seus curtas: Avós, de 2009; e OMA, de 2011.
“Passaram-se mais de 30 anos desde o fim da ditadura militar no Brasil, e mesmo com as novas políticas do governo e a ‘comissão da verdade’ implantada em 2012, este tema ainda é tratado um pouco como um assunto do passado e não necessariamente do presente. Este projeto nasce do medo do esquecimento e de alguma forma, dos problemas e dificuldades que temos em manter essa memória ainda viva. De entender, como o que aconteceu ainda é relevante e não apenas um acontecimento histórico”, ressalta o diretor.
A película conta a história de André (André Gatti) que, por problemas familiares, volta a morar com seu pai (Carlos Reichenbach). Os dois possuem uma relação distante, dura e silenciosa. André tinha um irmão que desapareceu durante a ditadura e isso ainda não esta resolvido para o pai.
Como espera o outro filho voltar, não consegue continuar sua vida e se relacionar com André, que tenta confrontar o pai com o passado por meio de imagens antigas em super 8mm, captadas pelo irmão desaparecido. “Foi onde comecei minha pesquisa com temas autobiográficos, ligados a política, história e sua relação com a memória e o recalque de traumas familiares”, explica.
Grandes nomes
O filme tem elenco pequeno, mas de grandes nomes, como do saudoso cineasta Carlos Reichenbach, morto em junho do ano passado. Quem também brilha é a cadelinha Estopinha. A assistente de Alessandro Rossi, o Dr. Pet, vive Baleia, a fiel companheira do pai de André.
No início do ano, Wahrmann recebeu o prêmio de melhor diretor no Festival Internacional de Cinema da Universidade Nacional Autônoma do México.