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Viva

Pai e filho sofrem as sequelas da ditadura

Arquivo Geral

20/09/2013 7h00

Vencedor da mostra paralela Cinema 21 do Festival de Roma, Avanti Popolo é exibido hoje, às 21h, no Cine Brasília. Em seu primeiro longa-metragem, Michael Wahrmann lança sua ótica sob o impacto da ditadura militar (1964-1985) na vida das pessoas. O diretor conta que o filme é de certa forma uma continuação de seus curtas: Avós, de 2009; e OMA, de 2011. 

 

“Passaram-se mais de 30 anos desde o fim da ditadura militar no Brasil, e mesmo com as novas políticas do governo e a ‘comissão da verdade’ implantada em 2012, este tema ainda é tratado um pouco como um assunto do passado e não necessariamente do presente. Este projeto nasce do medo do esquecimento e de alguma forma, dos problemas e dificuldades que temos em manter essa memória ainda viva. De entender, como o que aconteceu ainda é relevante e não apenas um acontecimento histórico”, ressalta o diretor.

 

A película conta a história de André (André Gatti) que, por problemas familiares, volta a morar com seu pai (Carlos Reichenbach). Os dois possuem uma relação distante, dura e silenciosa. André tinha um irmão que desapareceu durante a ditadura e isso ainda não esta resolvido para o pai. 

 

Como espera o outro filho voltar, não consegue continuar sua vida e se relacionar com  André, que tenta confrontar o pai com o passado por meio de imagens antigas em super 8mm, captadas pelo irmão desaparecido. “Foi onde comecei minha pesquisa com temas autobiográficos, ligados a política, história e sua relação com a memória e o recalque de traumas familiares”, explica.

 

Grandes nomes

 

O filme tem elenco pequeno, mas de grandes nomes, como do saudoso cineasta Carlos Reichenbach, morto em junho do ano passado. Quem também brilha é a cadelinha Estopinha. A assistente de Alessandro Rossi, o Dr. Pet, vive Baleia, a fiel companheira do pai de André. 

 

No início do ano, Wahrmann recebeu o prêmio de melhor diretor no Festival Internacional de Cinema da Universidade Nacional Autônoma do México. 

 
O frio na barriga da estreante

 
Au Revoir marca a estreia de Milena Times na direção. Mesmo com experiência na área de produção audiovisual, o filme para a recifense foi uma batalha. Entre a primeira versão do roteiro e a finalização do filme, foram cerca de três e meio de dedicação. 
 
“Foi um desafio imenso, não só porque um curta independente pressupõe que o diretor acaba fazendo um pouco de tudo, mas principalmente porque você se torna o centro de praticamente todas as decisões do filme: desde o orçamento, ao formato dos óculos das protagonistas”, destaca. 
 
Cenários
 
A produção gira em torno de um corredor, que separa e une a vida de duas vizinhas. Foi rodada durante seis dias, em três locações.
 
“Considero o Festival de Brasília um dos mais importantes do País, em vários sentidos. A expectativa está alta, só de imaginar aquela sala cheia já dá um enorme frio na barriga”, revela. Mais tarde, às 19h, também serão exibidos os documentários: Carga Viva, de Débora Oliveira e Hereros Angola, de Sergio Guerra. 
 
Programação
 
Hoje
 
10h –  Festivalzinho
O Rei De Uma Nota Só e a Borboleta Azul, Carlos Del Pino
14h30 –  Mostra Brasília – Troféu Câmara Legislativa
19h –  Mostra Competitiva – Documentário
Carga Viva, Débora de Oliveira
Hereros Angola, de Sergio Guerra
21h –  Mostra Competitiva – Ficção e Animação
Faroeste –  Um Autêntico Western, de Wesley Rodrigues
Au Revoir, de Milena Times
Avanti Popolo, de Michael Wahrmann
 

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