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Viva

Olhos do cinema nacional

Arquivo Geral

27/02/2014 8h00

 Lúcio Flávio

Especial para o Jornal de Brasília

Um dos mais respeitados diretores de fotografia do cinema, Walter Carvalho acredita no que faz. Tanto que se considera um workaholic empedernido. A ponto dos encontros familiares serem escassos. “Não consigo encontrar com o meu filho nem nos almoços de família porque ou estou metido num set de filmagem ou viajando o tempo todo”, diz, referindo-se ao também respeitado diretor de fotografia Lula Carvalho. “Ele também porque é igual a mim”, admite. 

Responsável pela fotografia de mais de 70 filmes, alguns deles clássicos do cinema nacional, esse paraibano de alma carioca acaba de ser homenageado com mostra que abarca uma carreira de 35 anos. A Luz (Imagem) de Walter Carvalho exibirá até domingo, na Caixa Cultural Brasília, 23 produções entre longas e curtas-metragens. Quando o homem por traz das lentes fotográficas soube que estava em curso essa homenagem, tomou um susto e relutou em aceitar. Mas uma olhada no retrovisor do tempo o fez mudar de ideia. 

“Acredito que ainda tenho muito a contribuir. Mesmo assim, acabei me dando conta da quantidade de coisas que havia feito e das pessoas com quem tinha trabalhado”, disse em entrevista por telefone ao Jornal de Brasília. “A mostra é importante também por promover o meu encontro com o público por meio dos trabalhos que fiz para o cinema e para televisão”, comenta, citando, recentemente, O Canto da Sereia, protagonizado pela Ísis Valverde. 

Influência de Vladimir

Formado em designer gráfico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Walter foi “inoculado”, como gosta de dizer, pela magia do cinema, graças à forte influência do irmão Vladimir Carvalho, documentarista de renome nacional radicado em Brasília. Um processo que aconteceria em várias etapas. 

A primeira experiência com uma máquina fotográfica se deu aos 10, 12 anos, quando se deslumbrava em fazer registros do sol nascendo e da lua brilhando à beira-mar, na Paraíba. “Meu irmão teve uma participação grande nesse caminho que adotei”, reconhece.

Sempre em busca de novas descobertas
A habilidade que Walter Carvalho adquiriu como fotógrafo o levou a trabalhar com a velha guarda do cinema brasileiro, como Júlio Bressane, Ruy Guerra e Walter Salles Jr., e expressivos representantes da retomada, de Cláudio Assis a Walter Salles, passando por Karim Aïnouz e Luiz Fernando Carvalho. 
Todos representados na mostra A Luz (Imagem) de Walter Carvalho com os premiados Amarelo Manga, O Céu de Suely, Lavoura Arcaica, O Veneno da Madrugada, Abril Despedaçado e tantos outros. 
“De qual mais gosto? Ora, o próximo, porque será sempre uma nova descoberta”, reflete Carvalho, que admite ter encontrado no exercício da direção um desafio profissional encarado com um misto de desconforto e medo. 
A Caixa Cultural Brasília informa que ele não participará da masterclass e do debate previstos para hoje, das 13h e 19h, na mostra.  O também fotógrafo Fernando Duarte vai substituir Walter Carvalho.
 
Serviço
 
Mostra A Luz (Imagem) de Walter Carvalho –   Até o próximo domingo, na Caixa Cultural Brasília –  Teatro da Caixa (Setor  Bancário Sul). Mais informações: 3206-9448. Ingressos: R$ 4 (inteira). A classificação indicativa varia de acordo com o filme.
 
Hoje
13h  –  Masterclass com fotógrafo Fernando Duarte
15h30 –  Moacir Arte Bruta –  71 min – Livre
17h –  O Homem de Areia –  116 min – Livre
 
Amanhã
13h –  MAM SOS –  11 min + Em Cima da Terra, Embaixo do Céu –  41 min – Livre
15h –  A Erva do Rato –  80 min –  16 anos
17h –  Socorro Nobre –  23 min + Notícias de Uma Guerra Particular –  57 min –  18 anos
19h –  Carandiru –  147 min –  16 anos
 
Sábado
13h –  Central do Brasil –  113 min –  12 anos
15h –  Heleno –  106 min –  14 anos
17h –  Budapeste –  113 min –  16 anos
19h –  Amarelo Manga –  100 min –  18 anos
 21h –  Lavoura Arcaica –  163 min –  14 anos
 
Domingo
13h –  Abril Despedaçado –  105 min –  12 anos
15h –  O Veneno da Madrugada –  118 min –  14 anos
17h –  Madame Satã –  105 min –  16 anos
19h –  Febre do Rato –  110 min –  18 anos
21h –  Raul, o Início, o Fim e o Meio –  130 min –  14 anos

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