Lúcio Flávio
Especial para o Jornal de Brasília
Um dos mais respeitados diretores de fotografia do cinema, Walter Carvalho acredita no que faz. Tanto que se considera um workaholic empedernido. A ponto dos encontros familiares serem escassos. “Não consigo encontrar com o meu filho nem nos almoços de família porque ou estou metido num set de filmagem ou viajando o tempo todo”, diz, referindo-se ao também respeitado diretor de fotografia Lula Carvalho. “Ele também porque é igual a mim”, admite.
Responsável pela fotografia de mais de 70 filmes, alguns deles clássicos do cinema nacional, esse paraibano de alma carioca acaba de ser homenageado com mostra que abarca uma carreira de 35 anos. A Luz (Imagem) de Walter Carvalho exibirá até domingo, na Caixa Cultural Brasília, 23 produções entre longas e curtas-metragens. Quando o homem por traz das lentes fotográficas soube que estava em curso essa homenagem, tomou um susto e relutou em aceitar. Mas uma olhada no retrovisor do tempo o fez mudar de ideia.
“Acredito que ainda tenho muito a contribuir. Mesmo assim, acabei me dando conta da quantidade de coisas que havia feito e das pessoas com quem tinha trabalhado”, disse em entrevista por telefone ao Jornal de Brasília. “A mostra é importante também por promover o meu encontro com o público por meio dos trabalhos que fiz para o cinema e para televisão”, comenta, citando, recentemente, O Canto da Sereia, protagonizado pela Ísis Valverde.
Influência de Vladimir
Formado em designer gráfico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Walter foi “inoculado”, como gosta de dizer, pela magia do cinema, graças à forte influência do irmão Vladimir Carvalho, documentarista de renome nacional radicado em Brasília. Um processo que aconteceria em várias etapas.
A primeira experiência com uma máquina fotográfica se deu aos 10, 12 anos, quando se deslumbrava em fazer registros do sol nascendo e da lua brilhando à beira-mar, na Paraíba. “Meu irmão teve uma participação grande nesse caminho que adotei”, reconhece.