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Viva

O tom e o ritmo do samba

Arquivo Geral

19/08/2013 8h00

Devagar, devagarinho, assim é o universo de Martinho da Vila. O filho de lavradores da Fazenda do Cedro Grande veio do interior do Rio de Janeiro com a família em busca de melhores condições. O rapaz que transformou sua vida na própria obra musical comemora, em 2013, 45 anos de carreira e 75 de idade. Com muita história para contar, o músico foi homenageado com o projeto Sambabook, que reúne a obra selecionada do sambista, com canções revitalizadas, baseadas nos arranjos originais.

 

Carinhosamente nomeado de Sambabook do Da Vila, o kit conta com um DVD, dois CDs, um blu-ray e um fichário com 60 partituras. “O samba sempre foi meio discriminado. Isso mudou muito, o País está com outra cabeça”, conta Martinho, em entrevista ao Jornal de Brasília.

 

Escolhidos a dedo


Para realizar a gravação do DVD, intérpretes de várias gerações e estilos reuniram-se para prestar a homenagem. Nomes como Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Zeca Baleiro, Casuarina e a filha Mart’nália foram intimados para a missão. “Todos os artistas são próximos de alguma maneira. Eles queriam que eu escolhesse, mas sou o homenageado, como iria escolher o povo?”, relembra o cantor.

 

Durante o processo foi lançado um desafio a Martinho: convidar alguém de fora do cenário do samba para integrar o time de cantores. Daí, ele lembrou que, em certa ocasião, a cantora Pitty disse que admirava seu trabalho e sabia algumas letras. Não deu outra, ela foi logo convocada pelo sambista. “Para a minha surpresa, ela mandou muito bem”, comenta. Quem também lhe surpreendeu foi o grupo carioca Casuarina. “Isso ainda vai dar pano para manga”, prevê.

 

Com ingressos esgotados, Rio de Janeiro e São Paulo já receberam o show do projeto. “Iria gostar muito de levá-lo a Brasília”, garante.

 

O bom da Vila


Natural de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, Martinho começou a carreira no terceiro Festival de Música da TV Record, em 1967. Dois anos depois, lançou o primeiro disco Martinho da Vila, com o explosivo partido-alto O Pequeno Burguês. De lá para cá, foram mais de 40 discos lançados.
 
 
O sambista em páginas 
 
 
O homem que deu voz ao samba também ganhou uma discobiografia, escrita pelo jornalista Hugo Sukman. Ao longo de seis meses, o escritor mergulhou no universo de Martinho. “É um trabalho de quebra-cabeça, recriei os bastidores de sua carreira. É difícil biografar uma pessoa viva. Martinho da Vila é o típico pobre brasileiro do século 20, que transformou sua vivência em música. E, com isso, ele viveu um processo de ascensão social como um herói da cultura brasileira”, destaca Hugo Sukman.
 
 
Hugo também escreveu os perfis biográficos de Djavan e Moacir Santos. “São três artistas negros que vieram do interior, fizeram cultura negra e deram a volta por cima. Se tornaram ídolos do povo”, finaliza Sukman.
 
 
Serviço 
 
 
Sambabook do Da Vila
 
Gravadora:  Som Livre
Contém:  2 CDs, 1 DVD, 1 blu-ray, 1 livro e 1 fichário com 60 partituras. 
Preço médio:  R$ 300

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