Devagar, devagarinho, assim é o universo de Martinho da Vila. O filho de lavradores da Fazenda do Cedro Grande veio do interior do Rio de Janeiro com a família em busca de melhores condições. O rapaz que transformou sua vida na própria obra musical comemora, em 2013, 45 anos de carreira e 75 de idade. Com muita história para contar, o músico foi homenageado com o projeto Sambabook, que reúne a obra selecionada do sambista, com canções revitalizadas, baseadas nos arranjos originais.
Carinhosamente nomeado de Sambabook do Da Vila, o kit conta com um DVD, dois CDs, um blu-ray e um fichário com 60 partituras. “O samba sempre foi meio discriminado. Isso mudou muito, o País está com outra cabeça”, conta Martinho, em entrevista ao Jornal de Brasília.
Escolhidos a dedo
Para realizar a gravação do DVD, intérpretes de várias gerações e estilos reuniram-se para prestar a homenagem. Nomes como Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Zeca Baleiro, Casuarina e a filha Mart’nália foram intimados para a missão. “Todos os artistas são próximos de alguma maneira. Eles queriam que eu escolhesse, mas sou o homenageado, como iria escolher o povo?”, relembra o cantor.
Durante o processo foi lançado um desafio a Martinho: convidar alguém de fora do cenário do samba para integrar o time de cantores. Daí, ele lembrou que, em certa ocasião, a cantora Pitty disse que admirava seu trabalho e sabia algumas letras. Não deu outra, ela foi logo convocada pelo sambista. “Para a minha surpresa, ela mandou muito bem”, comenta. Quem também lhe surpreendeu foi o grupo carioca Casuarina. “Isso ainda vai dar pano para manga”, prevê.
Com ingressos esgotados, Rio de Janeiro e São Paulo já receberam o show do projeto. “Iria gostar muito de levá-lo a Brasília”, garante.