Muito mais que apenas desenhos, as animações conquistam cada vez mais o olhar dos brasileiros. Começa hoje, na capital, mais uma edição do Dia Internacional da Animação (DIA), que traz uma gama de filmes locais, nacionais e internacionais para as telonas do Cine Brasília (106/107 Sul), com exibições gratuitas.
Ao total, 62 produções serão exibidas até quinta, divididas em cinco categorias. Em sua 10ª edição nacional, o DIA é celebrado no País com sessão simultânea de curtas-metragens de desenho animado em mais de 200 cidades. A data foi institucionalizada como referência histórica da animação mundial no calendário de eventos culturais do Brasil.
Com o objetivo de alcançar públicos variados, o evento conta com mostras para deficientes auditivos e visuais, audiodescrição e legendas. A criançada também tem espaço em mostra temática.
O animador Ricardo Roehe – que no ano passado foi apenas espectador do festival – gostou tanto da iniciativa que este ano assumiu o posto de coordenador-geral do evento. Ele conta que a mostra é uma forma de apresentar os trabalhos de animadores a empresários e produtores interessados em investir no gênero. “É a primeira vez que o evento é realizado em grande dimensão. Esperamos ter maior visibilidade”, comenta Ricardo.
Curta premiado
A programação conta com a participação do curta Faroeste – Um Autêntico Western, de Wesley Rodrigues, que ganhou como Melhor Curta na última edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. “Fiquei muito feliz com a receptividade que o Faroeste alcançou em Brasilia. Ter sido premiado é muito gratificante. Espero que a animação continue ganhando espaço dentro do circuito de festivais”, opina.
Os brasilienses também marcam presença. Felipe Benévolo é responsável pela direção de animação dos filmes Morte e Vida Severina, de Afonso Serpa; e A Roza, de Marieta Cazarré e Juliano Cazarré; além de dividir a direção de RYB, com Deco Filho. “O mercado cresce porque a demanda aumenta. Ao mesmo tempo, essa arte não é muito valorizada. Ainda é complicado fazer filmes de animação”, desabafa Felipe.
Ponto de Vista
O produtor e animador Alê Abreu está no ramo há pouco mais de 20 anos. Ele conta que o gênero vem evoluído e sendo reconhecido e com o passar do tempo. “Antes era uma coisa de louco. A gente fazia porque era apaixonado por aquilo, mas não tínhamos onde exibir. Na medida que o cinema foi se reestabelecendo, a animação também pegou carona. Não significa que hoje está ideal, mas estamos bem melhor”, opina Alê. O diretor atualmente divulga em festivais seu novo longa, O Menino e o Mundo . A produção está prevista para estrear nos cinemas no dia 17 de janeiro de 2014.