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Viva

O metal esculpido pela poesia

Arquivo Geral

05/09/2013 17h30

Sandra Drummond lança livro que mescla poesias e gravuras de sua autoria. “Plural de Mim” é uma coletânea da alma da escritora e artista. A noite de autógrafos acontece no dia 10 de setembro, a partir das 18h30, na Livraria Dom Quixote do CCBB Brasília

 

Joana, Érica, Toninho e Liana são personagens reais nas poesias de Plural de Mim, livro de Sandra Drummond, que tem nas relações interpessoais, no amor, na estética e na harmonia as suas principais temáticas. A obra será lançada no dia 10 de setembro, a partir das 18h30, na Livraria Dom Quixote, do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB).

 

No total, são 44 poesias escritas entre 1979 e 2012. Mas o leitor pode esperar uma agradável surpresa ao folhear o livro: as 120 páginas estão repletas de imagens de gravuras assinadas pela própria autora desde que conheceu a gravura em metal, no início da década de 70, em Brasília. 

 

Plural de Mim é uma coletânea da alma da escritora. As poesias – que falam de amor, harmonia, da relação entre os homens – brotaram da mente de uma mulher notoriamente elegante em seus gestos, que planta o afeto e semeia a simplicidade. As imagens, por sua vez, saíram de mãos que possuem uma sensibilidade aguçada para as artes de maneira geral. Suas gravuras já participaram de exposições dentro e fora do Brasil e receberam prêmios.

 

– “Seu talento é nato e se deve a delicadeza especial de personalidade que a obriga a escrever poesias, a desenhar, a fazer gravuras e a cultivar amizades”, conta, no prefácio do livro, Lêda Watson, amiga que a levou para o mundo da gravura, quando se conheceram

 

Embora sejam duas artes tão distintas, na história de vida da autora, poesia e gravura se misturam de tal maneira que uma está dissolvida/mergulhada na outra. Certa vez, em 1982, convidada pela Federação das Mulheres do Iraque, visitou Bagdá ao lado de outras personalidades brasileiras: jornalistas, parlamentares, religiosas. Sandra cruzou o Atlântico e o Mar Vermelho como representante das artes plásticas, e saiu de lá conhecida, também, pelo seu dom de poetizar. Em plena guerra Irã X Iraque sua cabeça entrou em ebulição. Rabiscou suas impressões e incumbiu a embaixatriz brasileira Lúcia Correia (esposa do embaixador Samuel Correia) de traduzir para o árabe e entregar para esposa do ditador Saddam Hussein. “Bagdá” é uma das poesias do livro.

 

Plural de Mim é a oportunidade de explorar a sensibilidade de uma mulher que, embora seja uma artista e poetisa de mão cheia, sabe, no íntimo, que seu maior talento está na arte de cultivar relacionamentos. E foram as amigas, nos inúmeros encontros e saraus de fins de semana em sua residência, que a incentivaram a publicar suas poesias secretamente escondidas uma a uma nas gavetas da vida. Hoje, reunidas em livro, elas formam um balé precioso de palavras e imagens que desnudam as fantasias e a criatividade da autora e do ser humano Sandra. Porque juntar as duas artes? – ela mesma responde: “ambas conseguem dar vazão às minhas fantasias e deixam fluir a minha criatividade”, resume com a humildade que lhe é tão peculiar.

 

… nós!

Na última parte da obra, Sandra faz uma homenagem a várias pessoas que foram fundamentais na sua trajetória artística e pessoal: um mural de fotos onde estampa os familiares, os amigos e os artistas de sua vida. Nesse gran finale, Plural de Mim passa a ser, então, não só uma obra de poesias e de gravuras, mas, sobretudo, de páginas e páginas de celebração das relações e das grandes amizades!

 

Sobre a autora

Sandra de Resende Drummond nasceu em 1940 no Espírito Santo e mudou-se ainda criança para Belo Horizonte (MG). Suas raízes estão fincadas na tradição e na cultura mineira de uma forma tão intensa que mesmo vivendo em Brasília há exatos 40 anos, seu sotaque, suas amizades, seu estilo de vida, seus prazeres, estão todos ligados ao estado onde viveu sua infância e juventude e onde teve seus três filhos: Antônio Carlos, Anna Luísa e João Cláudio. 

 

Ainda em “Beagá”, casou-se com o mineiro Toninho Drummond e cultivou laços tão fortes com os familiares do marido que foi “adotada” e adorada pelos Drummond de Araxá. Em 1973, mudou-se para Brasília e, já no ano seguinte, sua vida começou a ser esculpida pela arte. Ao visitar uma exposição da artista Lêda Watson, na Múltipla Galeria de Arte, ao lado do épico Cine Karim, suas gravuras, feitas em metal, despertaram o senso estético de Sandra de tal forma que no dia seguinte passou a frequentar o ateliê de Lêda. Juntas gravaram, a partir daí, uma história que, do ponto de vista da arte e da amizade, são indissociáveis.  

 

Em 1976, Sandra montou seu ateliê em parceria com Regina Motta, vizinhas de Lêda por muitos anos na W3 Sul. Os dois ateliês eram frequentados por artistas que até hoje fazem parte da cena cultural de Brasília: Galeno, Toninho de Souza, Anselmo Rodrigues, para citar alguns. Em 1979, fez curso de xilogravura no Departamento de Desenho da Universidade de Brasília (UnB). Mais tarde passou de aluna a mestre. Ministrou vários cursos de gravura em metal, dentre eles no Museu Dona Beja em Araxá (MG), e no Centro de Criatividade (hoje Espaço Cultural Renato Russo). Foi professora de artes na Fundação Educacional do DF.

 

Ainda na década de 70, Lêda e Sandra fundaram – ao lado de artistas como: Regina Motta, Amaro Freire, Flavia Galisa, Rose Frajmund, Marcos Mendes, dentre outros – o Grupo de Gravadores de Brasília, onde mais tarde vieram a fazer parte Betty Bettiol e Luiz (Lulo) Gallina. 

 

Nos anos 80 e 90, participou de várias exposições coletivas e individuais em Brasília, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Goiás. Suas obras ganharam o mundo. Expôs, também, na França e em Israel e suas criações receberam diversos prêmios.  Entre 1982 e 1984, foi assessora de Artes Plástica da Fundação Cultural de Brasília, a convite do diretor Carlos Fernando Matias. 

 

Sandra já realizou mostras individuais e coletivas (lista abaixo) e já expôs ao lado de nomes como: Athos Bulcão, Bracher, Mabe, Siron Franco, Takashi Fukushima, Tomie Ohtake, Volpi, Zanini, Glênio Bianchetti, dentre outros. Sua última exposição individual foi em 1985, depois disso nunca mais esculpiu o metal, mas continuou esculpindo palavras.

 

Atualmente, afastada do metal e da prensa, Sandra tem tempo de sobra para abusar do grafite (é à lápis que ela redige a maioria de suas poesias) e não esconde planos para um segundo livro . Além de escrever, é ávida por leitura e seus dias são regados de dedicação às suas plantas e suas invenções culinárias para receber os amigos, em casa, nos infindáveis almoços aos sábados e domingos. Se diverte, também, na doce tarefa de paparicar seus três netos, João Felipe (19), Maria Clara (17) e Maria Luísa (13). 

 

Serviço:

Lançamento Livro Plural de Mim, de Sandra de Resende Drummond
Data: 10/09/13
Local: Livraria Dom Quixote – Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB)
Endereço: SCES Trecho 2 Brasília DF
Horário: 18h30

 

Ficha Técnica

Plural de Mim
Número de Páginas: 120
Editora: da autora
Preço sugerido: R$ 80 (à venda nas Livrarias Dom Quixote)
Projeto Gráfico: Art Work Design Gráfico/ Marcelo Terraza
Fotografias: André Santangelo e arquivo pessoal
Revisão: Dad Squarisi

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