Um dia que deveria ser motivo de comemoração será marcado por protestos na capital federal. Celebrado hoje, o Dia Internacional da Dança não será festejado pela classe artística da cidade. Descontentes com o não-cumprimento da promessa de reabertura do principal berço da dança brasiliense – o Centro de Dança do Distrito Federal (Setor Cultural Norte) –, dançarinos dos mais variados gêneros se unem no movimento Mexa-se! Brasília Tem Dança, que hoje deve ocupar a Praça Municipal da Câmara Legislativa (Eixo Monumental), a partir das 16h, com várias apresentações de grupos em forma de manifesto.
O evento tomou tamanha proporção que conquistou o reconhecimento do Comitê Internacional da Dança (CID), vinculado à Unesco. Além de divulgado na página oficial do comitê, o movimento contará com slogans de reconhecimento do CID e da Unesco.
Fechado há mais de um ano e três meses (quando um teto desabou em uma das salas do local, ainda no final de 2012), o Centro de Dança continua desativado e não será reaberto para a grande data, como prometido pela Secretaria de Cultura. Para mostrar sua insatisfação, artistas querem transformar o que deveria ser uma festa em uma importante reivindicação.
Ao todo, 32 academias e companhias de dança da cidade vão se apresentar nas mais variadas estéticas, como samba, street dance, balé clássico e contemporâneo, salsa, frevo, entre outras.
Representante do Fórum Nacional de Cultura e à frente do movimento, João Carlos Corrêa afirma que o clima será mambembe, já que os artistas não dispõem de teatros disponíveis. “Queremos a reforma imediata do centro”, reivindica João Carlos.
Após as apresentações, os bailarinos vão expor suas reivindicações em sessão solene marcada para as 19h, no Plenário da Câmara.
Presidente do Fórum de Dança do DF, a bailarina Mônica Berardinelli se entristece ao falar das comemorações do aniversário deste ano. “Buscamos sempre fazer um grande evento, em que recebemos bailarinos do mundo todo. Este ano é impossível. Como planejar alguma coisa sem espaço?”, questiona.
Versão Oficial
Subsecretário do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Distrito Federal, José Delvinei dos Santos afirma que várias ações estão sendo realizadas para reabertura do Centro de Dança do DF. “Fizemos o projeto de restauração, encaminhamos para Procuradoria, que só nos devolveu em novembro de 2013. É uma obra gigantesca, afinal o centro nunca foi reformado. Estamos tentando atender a classe artística remanejando os grupos para outros espaços, como as escolas parques”, coloca. Delvinei adianta que a licitação para reforma do centro será republicada hoje por conta de uma mandato de segurança. “Como o prédio não é tombado, fomos obrigados a republicar a licitação. Agora, temos que abrir para todas as empresas. Tínhamos restringido para aquelas que apresentassem atestado”, explica. Segundo ele, o tempo estimado para reabertura é de dez meses.