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Na vitrola: Disco de vinil coleciona fãs e ganha mercado em Brasília

Por Arquivo Geral 09/08/2017 6h30
Foto: Luca Valerio

LARISSA GALLI
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O disco de vinil voltou com tudo. E não são só os antigos colecionadores que estão à procura do bolachões para seus acervos. O resgate da cultura do vinil é um movimento também dos mais jovens. Artistas da contemporaneidade estão voltando a lançar álbuns em vinil e o público brasiliense mostra cada vez mais adepto desse formato de ouvir música. Com lojas especializadas e eventos específicos para os LPs (Long Play), os discos revivem na capital brasileira.

“A música digital – spotify, itunes store, etc – não é suficiente para experiência musical. As pessoas não ouvem mais álbuns inteiros, apenas músicas aleatoriamente. Isso não cria uma conexão emocional”, afirma João Marcondes, dono, junto com seu irmão, da loja de vinil Marcondes & Co. “Quando você ouve um LP, você cria uma relação afetiva com a música”, defende. Segundo ele, além da melhor qualidade do som, os encartes com as histórias dos artistas e as letras das músicas também contribuem para intensificar essa experiência.

Além disso, João acredita que os discos de vinil também proporcionam uma experiência estética, não apenas musical. “Muita gente compra os discos para usar como objeto de decoração, pendurar nas paredes como quadros, etc. O mesmo acontece com as vitrolas – que muitas vezes são apenas utilizadas como enfeites”. Para ele, as vitrolas são caixas mágicas. “Quando o ser o humano inventou a música e quis que ela fosse reproduzida, surgiu a vitrola; é um produto que tem um alto valor emocional”, explica João.
Onde comprar?
A loja Marcondes & Co surgiu a partir da coleção de LP’s do próprio João. Seu pai colecionava e seu irmão e parceiro Gustavo Marcondes também é colecionador. João conta que grande parte das vendas ocorrem nas feirinhas de vinil que acontecem pela cidade, como a Feira de Vinil do Conic, que acontece no próximo sábado, 12, no Setor de Diversões Sul. De acordo com ele, é inegável que os LP’s oferecem um nível mais elevado de cultura.“Desde que tinha saído de cena, a música ficou mais triste; agora que está voltando, a música está ganhando de novo alegria”, opina.

Luis Moreira da Costa compra e coleciona discos de vinil há 30 anos. Hoje, ele é dono da Atlântida Discos, uma loja que está no Conic há 22 anos. “Como quase todo mundo, larguei o bolachão de mão nos anos 90, mas depois voltei”, conta. Nos Estados Unidos, Europa e Japão o Long Play continuou vivo e teve uma vida paralela ao CD, mas no Brasil não. “Até eu fui contaminado pelo sentimento de deixar pra lá. Muita gente jogou fora, vendeu barato para entrar no mundo do CD. Agora o modismo pode ajudar a criar uma cultura nova no Brasil”, afirma

De acordo com Luis, o interesse pelos discos de vinil vem crescendo há aproximadamente 3 anos. Tanto que a Atlântida Discos incluiu os bolachões em seu catálogo há pouco mais de 1 ano. “O vinil carrega uma aura; a cultura do LP se sobrepõe ao CD. A capa do disco é uma arte e quando você toca tem que ouvir o lado todo, não tem essa de ouvir só uma música”, explica.

Também no Conic, a loja Pro Vinil é outro ponto que oferece músicas em bolachões O dono, Máximo José da Silva, de 42 anos – mais conhecido como DJ Marola -, informou que o vinil está voltando a crescer. “Sempre falei sobre a luta contra o fiml. Lutamos muito e o vinil nunca acabou, ainda respira. Agora mais ainda”, afirma.

3ª Feira de Vinil do Conic
Sábado (12), a partir das 10h até as 20h, no Conic (Setor de Diversões Sul).
Entrada franca.
Informações: facebook.com/events/ 1763514417280254/?active_tab= about.
Classificação livre.

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O ritual de ouvir os dois lados de um LP
Os clássicos são importantes, é claro. Mas Alexandre defende que os discos essenciais para uma coleção são “aqueles com músicas que você sente que vão te acompanhar pra vida toda, aquele que vale a pena um esforço para se ter e se cuidar com carinho. Essencialmente, acho que vale a pena ter os álbuns que sao especiais, que te tocam de alguma forma”, resume.

Ele garante que o público que busca música em LP’s hoje é variado e que o interesse pelo vinil é crescente. ”No início tinha realmente um público específico, que eram os velhos colecionadores que queriam ter os seus álbuns prediletos em edições remasterizadas. Com o tempo, isso foi deixando de ser um nicho. Agora, existem diversas pessoas que compram vinis. Desde crianças até adultos que nunca tinham escutado álbuns em discos de vinil”, explica.

Por que isso acontece? Alexandre acredita que seja “porque as pessoas gostam de ter a obra do artista, como se fosse um livro”. Outro fator importante que o colecionador destaca é a sonoridade. “Dependendo da gravação, do aparelho que usar para tocar, dá pra se perceber bem a diferença, a qualidade dos LP’s é maior”, ressalta.

Para João, da loja virtual Marcondes & Co, o interesse da geração mais nova nos LP’s tem a ver com o momento atual. “Hoje tudo é efêmero, evapora… mas o vinil é uma experiência mais duradoura, isso faz com que a música seja uma experiência intensa. O vinil cria uma nova possibilidade de experiência. Os jovens de hoje precisam disso”, explica. “O spotify não proporciona isso”, completa.

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“Ter um vinil é uma relação diferente de ter uma música no celular, ou escutar em uma festa. É algo mais íntimo, é quase um ritual”. Essa é a opinião de Guilherme Augusto, DJ brasiliense de 23 anos. Ele é fundador, junto com mais 3 amigos – Fernanda Assunção, Vitor Assunção e Lucas Mota – do coletivo SNM – Só na Maldade, que tem o objetivo de ajudar no fomento, na produção e difusão da cena cultural brasiliense.

Para isso, eles promovem as Sessions, eventos gratuitos que buscam a ocupação da rua, como forma acessível de unir pessoas, onde sempre é montada uma banca de vinil. De acordo com Guilherme, o LP faz parte dos ideais do coletivo, que, entre outras coisas, busca facilitar o acesso à música eletrônica. Os álbuns que oferecem não são trabalhos autorais, mas sim vinis que já se encontram no mercado.

Saiba mais
Sony

Depois de quase 30 anos, a Sony anunciou que voltará a fabricar os discos de vinil. A empresa japonesa interrompeu a produção do formato em 1989, devido ao monopólio do mercado pelos CD’s. O aumento da demanda e os números das indústrias musicais do Japão e Estados Unidos levaram a Sony a retomar a fabricação dos bolachões para música analógica e se readaptar ao renascimento que vive o vinil.

Vinil personalizado
A Lombra Records é uma gravadora de Brasília que risca discos de vinil, fundada por Biu Santos. “No momento, estamos terceirizando, gravando, mixando e riscando os discos. E temos também um serviço móvel”, explica Biu. Ele estava presente na última edição do PicniK e riscou vinil para alguns artistas. A banda só precisa levar as músicas no pen drive e o vinil personalizado é riscado na hora.

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