DAVI GALANTIER KRASILCHIK
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
“Minha vida é baseada numa história real/ uma de sonhos, caos e audácia”, canta Robbie Williams em “All My Life”, música de seu último álbum, “Britpop”. O verso lembra o discurso irreverente que ele faz no início de “Better Man”, cinebiografia que une ficção e realidade ao retratá-lo como um macaco digital.
O filme de 2024 e o disco lançado em janeiro, recordista nas paradas britânicas, não atraíram o Brasil, mas o músico parece confiante de que eletrizará o país, onde se apresenta na próxima terça, no Nubank Parque, em São Paulo. Os ingressos, à venda desde abril, estão disponíveis em todas as modalidades.
Fora sucessos como “Rock DJ” e “Feel”, em que debate a busca exagerada por aprovação e a intimidade de celebridades, sua turnê atual tem misturado faixas de “Britpop” e covers de bandas e nomes fortes. É o caso de “Wonderwall”, hit do Oasis, e “My Way”, que costuma cantar ao celebrar Frank Sinatra.
Entre o rock alternativo e baladas sessentistas, o que importa, diz Williams, é emendar hit atrás de hit, sem margens para o tédio. “Sou carente e quero agradar. Seja com os meus movimentos, com meu olhar, meus pensamentos ou letras, meu dever, acima de tudo, é entreter.”
Esse objetivo o fez saltar entre modas diferentes desde 1990, quando a boy band Take That o acolheu aos 16 anos. Fosse pelas brigas com o centro das atenções, o vocalista Gary Barlow, fosse por desejos de fãs apaixonadas, ele logo deixou o grupo, que não correspondia aos sons agressivos do punk, às danças urbanas do hip-hop e à melancolia gótica que ele ouvia desde jovem.
Nem todas essas ondas influenciaram sua carreira solo, que bebeu do “britpop” desde cedo. O movimento, centrado em bandas como Blur e Oasis, reviu o rock com guitarras elétricas, batidas de pistas de dança e refrões chiclete, numa tentativa de representar a Inglaterra com mais otimismo.
Daí veio o primeiro álbum de Williams, “Life Thru a Lens”, em que ora ele se rende a cutucar rivais, ora celebra a superação de vícios e freios sobre sua arte. Essa última questão, aliás, é central em “Better Man” e em documentários sobre sua trajetória, marcada por um pai distante e empresários controladores.
A busca por relações genuínas, até sobrenaturais, resultou em “Angels”, a balada definitiva do disco. Baseada na morte de parentes, a música aborda uma salvação inexplicável, ligada aos que deixaram o plano terreno. Sucesso em rádios e funerais, a faixa afastou o artista do fracasso comercial, mas não serviu para que fosse aceito como expoente do “britpop”.
Seu disco mais recente está entre a provocação e a conciliação com esse antigo desejo, com direito a músicas sobre o seu jeito convencido, como “Cocky”. “A ideia de dizer o que é e o que não é ‘descolado’ sumiu. Antes, certos grupos não pertenciam a certos espaços”, afirma o cantor, que cita seu show no britânico Glastonbury, o maior festival ao ar livre do mundo.
Três anos após deixar o Take That, ele era um estranho na edição de 1998 do festival, mas seduziu o público com covers como “Hey Jude”, dos Beatles, e músicas originais como “Let Me Entertain You”, que descreve a ascensão de um mestre do entretenimento.
Desde então, álbuns como “I’ve Been Expecting You”, entre letras românticas e irônicas, alimentaram seu teor autocrítico e fizeram dele um astro. Numa fase vista por alguns como a de sua americanização, com discos como “Escapology”, suas músicas melosas cruzaram barreiras e chegaram à trilha de novelas da Globo. Já em 2002, em sua única vinda ao Brasil, cantou para milhares na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro.
Hoje, Williams é figura carimbada em eventos como a Copa do Mundo -neste ano, escreveu e apresentou o hino oficial, “Desire”- e, em janeiro, superou os Beatles como o artista com mais discos no topo das paradas britânicas.
As conquistas o ajudam a se ajustar ao frenesi online. “Quero seguir lembrando aos outros de que existo. Estou mais próximo dos fãs e tenho uma boa relação com eles”, afirma ele, segundo quem redes sociais reduzem barreiras entre gêneros musicais. “Porém, quando se é como eu, que quer ser tudo para todos, é confuso ver tantas opiniões sobre quem devo ser.”
Ainda assim, diz estar cada vez mais à vontade na própria pele. Longe da boy-band vigorosa em que deu os primeiros passos, parece ter prazer em se colocar numa velha guarda de ídolos pop.
“Hoje, acho que as verdadeiras estrelas pop são todas mulheres, apesar de figuras como Harry Styles”, diz o cantor, que afirma sentir falta de imperfeições nos palcos. “Elas são todas incríveis, com músicas e visuais fantásticos. Conforme você envelhece, percebe que já viu tudo isso antes. Não é um problema dos astros modernos, mas da idade. Não precisamos resistir à nostalgia.”
ROBBIE WILLIAMS – BRITPOP
Quando 13 de outubro, a partir das 21h
Onde Nubank Parque – av. Francisco Matarazzo, 1.705, São Paulo
Preço A partir de R$ 390, em eventim.com.br