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Música

Plebe Rude revisita bastidores de “O concreto já rachou” em audição comemorativa de 40 anos

André X e Philippe Seabra participam de encontro na Oto Livraria neste sábado (24), com audição do disco, histórias da gravação original e lançamento de edição deluxe em vinil com demos inéditas para o público

Aline Teixeira

23/10/2026 5h00

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Foto: Caru Leão

Quatro décadas depois de lançar um dos discos mais importantes do rock nacional dos anos 1980, a Plebe Rude revisita as histórias por trás de “O concreto já rachou”. Neste sábado (24), das 14h às 18h, os fundadores André X, baixista, e Philippe Seabra, vocalista e guitarrista, participam de uma audição comentada do álbum na Oto Livraria, na Asa Norte. O encontro será conduzido pelo jornalista Pedro Brandt e contará com relatos sobre a composição, a gravação e os bastidores das sete faixas que marcaram a estreia da banda.

Lançado em 1986, o disco reúne músicas como “Até quando esperar”, “Proteção” e “Brasília”, com letras que abordam desigualdade social, repressão e contradições políticas. Para celebrar os 40 anos da obra, a banda lançou uma edição deluxe em vinil, com capa dupla no formato gatefold e um compacto de sete polegadas com demos de quatro faixas: “Johnny vai à guerra (outra vez)”, “Proteção”, “Minha renda” e “Sexo e karatê”.

A programação inclui duas sessões de autógrafos, das 14h30 às 15h30 e das 17h às 18h. A audição do LP começa às 16h. O acesso é gratuito, sujeito à lotação do espaço.

Demos recuperadas e histórias que ficaram no estúdio

A nova edição resgata gravações que os próprios integrantes já não tinham em mãos. As demos foram recuperadas a partir de cópias sucessivas de fitas cassete, um processo que permitiu à banda reencontrar registros de seus primeiros anos.

André X conta que o material estava com um conhecido e que a recuperação do áudio trouxe de volta lembranças daquela época. “A gente não tinha mais isso. Conseguiu recuperar bem o som e, por incrível que pareça, tocava na rádio e as pessoas gostavam. É muito bom rememorizar, rever esse começo”, afirma o baixista.

Para Philippe Seabra, a inclusão das demos também tem um significado especial para a trajetória do grupo. “Foi muito legal a inclusão dessas demos. Acho que isso é uma coisa muito especial para os fãs e para a gente também, porque a gente nunca teve um compacto”, conta.

O músico lembra que a contratação da Plebe Rude aconteceu no fim da era dos compactos, quando as gravadoras já concentravam seus investimentos nos discos de longa duração. Quatro décadas depois, a banda finalmente lança o formato com as gravações anteriores ao álbum.

Durante a audição comentada, os integrantes pretendem revisitar as sete faixas e compartilhar histórias da composição e da gravação. André adianta que o encontro pode revelar detalhes ainda desconhecidos do público, mas prefere não antecipar o conteúdo. “Vão aparecer, obviamente, detalhes musicais e coisas que o público ainda não conhece, mas eu não quero fazer nenhum spoiler ainda.”

O processo de seleção dos materiais para a edição comemorativa também foi marcado pela pesquisa realizada por Philippe para escrever sua autobiografia, “O cara da Plebe”. O músico reuniu matérias de jornal, panfletos, letras antigas e fotografias, além de outros registros da trajetória da banda.

“Para mim, o resgate não foi o problema. O problema era decidir o que iria entrar onde”, explica. Entre os materiais selecionados estão uma carta de fã, uma letra original e documentos que ajudam a contextualizar a história do disco.

Philippe também destaca que a preocupação com as letras fazia parte da identidade do grupo desde o início. “Como tudo era tão precário e a gente sempre se preocupou com as letras, esses panfletos que aparecem dentro do encarte são uma maneira de a gente ter certeza de que a plateia estava entendendo o que estávamos falando”, afirma.

O vinil como experiência e memória

Para Philippe, a edição comemorativa também acompanha o retorno do vinil como objeto de coleção. Em um cenário em que a música é consumida principalmente por plataformas digitais, o formato físico recupera uma relação diferente com os discos.

“Hoje em dia, música é como se fosse uma coisa etérea, a gente não tem na mão. E eu acho que o vinil está trazendo de volta uma coleção. Não é só uma coisa que você tem na nuvem, que você aperta o botão, é algo que você tem na mão para poder sentir, para poder compartilhar”, diz.

O músico associa a experiência de ouvir um álbum à relação com a capa, as letras, as fotografias e o próprio objeto. “Era um alimento para todos os sentidos: o peso do vinil, os olhos olhando a capa, a cabeça lendo as letras, o encarte, quem fez o quê, olhando as fotos, sentindo o cheiro do disco recém-aberto pelo plástico”, relembra.

A audição na Oto Livraria também será uma oportunidade de reencontro com a obra em sua versão física. Philippe conta que ainda não ouviu a nova edição em vinil e espera que a experiência desperte lembranças do período em que o formato fazia parte do cotidiano dos fãs.

“Vai bater, claro, aquela saudade da época do vinil, da clareza do som, do grave pronunciado”, comenta. O músico admite que não sabe exatamente como vai reagir ao ouvir o álbum novamente diante do público. “Eu não sei exatamente qual vai ser a minha reação. É justamente por isso que estamos fazendo isso, em frente a uma turma que curte a banda.”

André X também participou das decisões sobre o relançamento, desenvolvido em parceria com a Universal. Segundo o baixista, a banda apresentou o material disponível e as ideias para a nova edição, que foram bem recebidas.

“A gente mostrou tudo que tinha, como a gente gostaria que ficasse, e eles atenderam bem”, afirma. Houve, no entanto, uma diferença entre o desejo do músico e o resultado final: “A única coisa que eu queria era um disco da cor de concreto, e veio branco, mas tudo bem.”

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Foto: Caru Leão

Quatro décadas depois, as lembranças de uma gravação tensa

Ao imaginar o que diria à sua versão mais jovem, André X faz um alerta bem-humorado sobre as despesas da banda durante as viagens e gravações. Na época, o baixista acreditava que gastos com hotéis, jantares e bebidas eram pagos pela gravadora, mas hoje enxerga a situação de outra maneira.

“Eu diria que, cara, fica esperto, porque tudo que você gasta aí, nesses jantares, nesses hotéis, nessas bebidas, que você acha que a gravadora está pagando, não. Tudo isso vai sair do dinheiro da Plebe, das vendas dos discos. Então, fica esperto”, conta.

Philippe Seabra, que entrou no estúdio aos 18 anos para gravar o álbum, também tem um conselho para sua versão mais jovem. Em vez de se preocupar tanto com os problemas que já apareciam nos bastidores, ele teria aproveitado melhor aquele momento.

“Eu diria para o meu jovem comparsa que tivesse aproveitado mais o momento, porque eu estava tenso. A gente já estava começando a ver problemas com o ex-baterista”, recorda.

O clima durante a gravação era tão complicado que, segundo o músico, não existe sequer uma fotografia da banda naquele período. Philippe conta que os conflitos internos já faziam parte da rotina do grupo e também aparecem em sua autobiografia.

“Não é à toa que não existe uma foto sequer dessa gravação. Que banda não fotografa o primeiro disco que está gravando?”, questiona.

Apesar das dificuldades, o músico avalia que os atritos também contribuíram para a energia do resultado final. “Mas desse atrito saiu uma faísca e tanto”, afirma.

Philippe destaca ainda a dimensão que o álbum alcançou ao longo das décadas. Segundo ele, “O concreto já rachou” entrou na lista dos 100 discos mais importantes da história da música popular brasileira, publicada pela revista Rolling Stone, e recebeu disco de ouro, tornando-se o primeiro disco de ouro de Brasília, conforme relata.

AUDIÇÃO COMENTADA – O concreto já rachou
24 de outubro, sábado, de 14h às 18h, na Oto Livraria: 302 Norte, bloco E, loja 39, subsolo.
Audição comentada do álbum “O concreto já rachou (deluxe edition)”, estreia da banda Plebe Rude, com os fundadores André X e Philippe Seabra.
Sessões de autógrafo: 14h30 às 15h30 e de 17h às 18h; audição do LP a partir de 16h. 
Acesso livre (mediante lotação do espaço).
Informações: www.instagram.com/otolivraria

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