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Música

Johnny Marr, do The Smiths, diz que show no Brasil é uma oportunidade para novos fãs

Marr, 62 anos, acaba de lançar seu quinto disco solo, “The Age of Everything”

Redação Jornal de Brasília

05/10/2026 16h37

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Foto: Reprodução

ANDRÉ BARCINSKI
PARATY, RJ (FOLHAPRESS)

Desde maio de 1983, quando lançou “Hand in Glove”, primeiro compacto do The Smiths e primeira colaboração com o cantor Morrissey, Johnny Marr vem marcando seu nome na história do indie rock como um dos guitarristas mais criativos e influentes.

Os Smiths duraram apenas seis anos e fizeram quatro discos clássicos, mas Marr nunca ficou preso ao passado e partiu para uma brilhante carreira pós-Smiths, tanto como integrante de bandas como The Pretenders, The The, Electronic, The Healers, Modest Mouse e The Cribs, como colaborando com Pet Shop Boys, Talking Heads, Bryan Ferry, Hans Zimmer, Oasis e Pearl Jam, entre muitos outros.

Marr, 62 anos, acaba de lançar seu quinto disco solo, “The Age of Everything”, e virá a São Paulo para um show único no Tokio Marine Hall, em 24 de novembro. “Os Smiths sempre foram muito adorados na América do Sul, e recebo muitas mensagens de fãs brasileiros pela rede social”, diz o guitarrista. “Muitos desses fãs são jovens que nunca me viram tocar ao vivo, e acho simplesmente maravilhoso que eu tenha a chance, nessa fase da minha carreira, de ainda me apresentar para quem vai me ver pela primeira vez.”

Johnny Marr não tem problema em falar do passado, mas a assessoria do músico pediu que a entrevista não tocasse num assunto espinhoso -as brigas na imprensa com o ex-parceiro Morrissey.

Marr prefere falar sobre o novo trabalho, “The Age of Everything”. “Estou muito orgulhoso do disco. Quando comecei a escrever as músicas, não percebi que havia um tema comum que ligasse as canções, mas uma noite, durante a fase de masterização do álbum, eu estava andando de volta para casa em Londres, de madrugada, e de repente me liguei que havia coisas nele que refletiam a maneira como eu vejo o mundo hoje”, diz Marr.

“O título [algo como a era de tudo] reflete essa sensação de que vivemos numa época de overdose de informação que tem a ver com a revolução digital e a vida em mídias sociais. Hoje um músico precisa fazer postagens, materiais e vídeos para divulgar seu trabalho em redes sociais, e muitas vezes a música pode ficar em segundo plano”, ele diz.

“Me considero um sortudo porque fui alertado sobre isso por alguns amigos. Há uns 35 anos, conheci bem Keith Richards, e ele me disse, já naquela época, ‘Johnny, você tem que ser um músico em tempo integral, não um músico em meio-período. Não deixe o entorno atrapalhar a sua criatividade”.

Segundo Marr, as músicas de “The Age of Everything” vêm sendo testadas ao vivo há pelo menos um ano. “Muitas bandas dizem que adoram testar canções inéditas em shows, mas a verdade é que poucas fazem isso. Nós fizemos. Tocamos músicas que meu público não conhecia e usamos a reação das plateias para mudar algumas coisas no disco. Algumas músicas estavam muito lentas, outras muito aceleradas, algumas introduções estavam longas. Foi ótimo ter esse laboratório para testar o disco”.

Sobre o Brasil, Marr diz ter ótimas lembranças. “Estive aí pela primeira vez no fim dos anos 1980, com os Pretenders, num show que teve Simple Minds e Duran Duran, e todo mundo ficou surpreso com a animação das plateias brasileiras. Quando voltei com minha banda solo [em 2014], fizemos um show no Rio e, quando toquei o primeiro riff de ‘Upstarts’ [faixa do álbum “The Messenger”, primeiro disco solo de Marr], a plateia toda começou a fazer algo que eu nunca tinha visto antes: cantar os riffs de guitarra. Lembro que fiquei olhando para o público, maravilhado”.

Há três anos, Marr lançou um luxuoso livro chamado “Marr’s Guitars”, com fotos e textos sobre sua coleção de guitarras. Em setembro deste ano, para surpresa de muitos, a coleção foi leiloada em Londres. O leilão foi dividido em 111 lotes, incluindo guitarras e amplificadores, e recebeu ofertas de compradores de 34 países.

A guitarra Rickenbacker 330 Jetglo, de 1982, que Marr tocou no disco de estreia dos Smiths e aparece na capa do primeiro compacto do Oasis, “Supersonic”, foi arrematada por cerca de R$ 2,4 milhões. No total, o leilão arrecadou cerca de R$ 24 milhões, e parte do valor foi destinada a duas organizações de caridade no Reino Unido: The Guide Dogs for the Blind Association, que treina cães-guia para deficientes visuais, e The National Autistic Society, que cuida de pessoas autistas.

“Depois que lancei o livro, percebi que era hora de deixar aquela parte da minha vida para trás”, diz o guitarrista. “Algumas pessoas são nostálgicas e gostam de se apegar ao passado, mas eu não sou assim. A ideia de ver aqueles instrumentos espalhados pelo mundo e sendo tocados por outras pessoas bateu muito forte em mim. Eu amo aqueles instrumentos, mas eles me deram 45 anos de muita alegria e estava na hora de dividir isso com os outros.”

THE AGE OF EVERYTHING
Quando Show em 24 de novembro, às 21h30
Onde Tokio Marine Hall – r. Bragança Paulista, 1.281, São Paulo
Preço A partir de R$ 260, em meaple.com.br
Autoria Johnny Marr
Gravadora New Voodoo Limited/BMG
Link https://meaple.com.br/balaclava/johnny-marr-em-sao-paulo

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