Oito das 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro apresentarão enredos biográficos no Carnaval de 2026, homenageando figuras icônicas de diversas áreas. Os temas exaltam contribuições para a cultura brasileira, com ênfase na preservação da identidade afro e na denúncia de preconceitos.
Entre os homenageados, destacam-se o compositor e pintor Heitor dos Prazeres, pela Vila Isabel; o cantor Ney Matogrosso, pela Imperatriz Leopoldinense; a musicista Rita Lee, pela Mocidade Independente de Padre Miguel; e a escritora Carolina Maria de Jesus, pela Unidos da Tijuca. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será tema da Acadêmicos de Niterói, enquanto personalidades do samba como a carnavalesca Rosa Magalhães (Acadêmicos do Salgueiro) e o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça (Acadêmicos do Viradouro), também serão celebradas.
A Estação Primeira de Mangueira dedicará seu desfile ao curandeiro Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, e a Portela ao líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio do Bará. Além dos biográficos, outros enredos resgatam tradições afro: o Paraíso do Tuiuti abordará a religião Santeria com ‘Lonã Ifá Lukumi’, e a Beija-Flor de Nilópolis, o Bembé do Mercado, manifestação do Recôncavo Baiano. A Unidos de Vila Isabel explorará a conexão entre samba e África em ‘Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África’, e a Acadêmicos do Grande Rio homenageará o movimento Manguebeat.
Os desfiles ocorrerão em três dias, de 15 a 17 de fevereiro, seguindo o formato adotado pela primeira vez em 2025 na Marquês de Sapucaí. A programação divide as escolas em domingos (Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira), segundas (Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Tijuca) e terças (Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro).
Especialistas enfatizam o valor educativo desses enredos. O sociólogo Rodrigo Reduzino destaca que as escolas de samba, desde sua origem em 1928, refletem realidades não oficiais, promovendo narrativas políticas e culturais. A historiadora Nathalia Sarro, da Vila Isabel, afirma que os temas educam, geram identidades e transformam por meio da emoção. Ambos participaram do 1º Simpósio Temático ‘MIS Chama Para Sambar’, em dezembro.
O público poderá ter uma prévia nos ensaios técnicos, gratuitos, programados para o final de janeiro e início de fevereiro na Sapucaí, com datas específicas para cada grupo de escolas.