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Música

DJs do Distrito Federal falam das vivências e do impacto da música na capital

No Dia Mundial do DJ, artistas de Ceilândia mostram como a discotecagem se mistura à história da cidade e evolui ao longo dos anos

Vítor Ventura

09/03/2026 5h00

Atualizada 08/03/2026 23h20

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O Dia Mundial do DJ é comemorado desde 2002 em meio à música e à solidariedade com o próximo. – Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília

Nesta segunda-feira (9), é celebrado o Dia Mundial do DJ. A data, além de homenagear esses artistas, também levanta questões sociais relacionadas a como a música pode ajudar pessoas que passam por diferentes tipos de dificuldades. No Distrito Federal, tudo isso se mistura à história do Hip Hop, e o Jornal de Brasília conversou com DJs da capital que fazem parte dessa cultura tão importante. São anos de vivências, representatividade e, claro, muita música.

Não dá para falar dos DJs do DF sem falar de Ceilândia. Por ali, próximo à praça do metrô, fica a Casa do Hip Hop DJ Jamaika, em homenagem a um dos nomes mais importantes da cena no DF. O JBr foi até lá conversar com Ocimar Feitosa, 52, um dos cofundadores da casa. Diretamente de Ceilândia, o DJ Ocimar vem na caminhada como artista da discotecagem há mais de 30 anos. Ele falou da importância da data não só como uma forma de homenagem, mas também como um momento de solidariedade.

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Ocimar é DJ há mais de 30 anos e é um dos cofundadores da Casa do Hip Hop DJ Jamaika, em Ceilândia. – Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília

“O Dia Mundial do DJ surgiu também por uma questão social, não só para comemorar, não só para fazer o público dançar, mas também para se solidarizar. E a gente vai fazer isso hoje aqui, temos vários DJs confirmados para o 9 de março. É um evento para, onde vamos confraternizar e também ajudar. A gente, como instituição aqui da Casa do Hip Hop, tem famílias para atender”, comentou o DJ Ocimar.

Essa data comemorativa foi definida em 2002 pela World DJ Fund Foundation e a organização da Nordoff Robbins Music Therapy, que usa a música para tratar crianças e adultos. A intenção é que neste dia, todo o lucro dos DJs, clubes, estações de rádio e correlatos seja destinado para ajudar pessoas enfermas, em situações vulneráveis e crianças.

Nesse dia, a partir das 19h, a Casa do Hip Hop DJ Jamaika vai promover um encontro de DJs para fazer jus a tudo o que a data significa. Ao longo da carreira, o DJ Ocimar viu a necessidade também de ampliar o que havia aprendido para mais pessoas, então passou a ensinar as técnicas de DJ e a promover a transformação através da música. “O legado tem que ficar, a gente não vai ficar aqui para sempre. Então, a geração nova tem que continuar o legado dos DJs. Não só de DJ, como de toda área profissional e de todos os estilos artísticos”, enfatizou. 

Ensinamentos para a vida

Jean Carlos Almeida é o nome do ceilandense de 49 anos. Mas ele gosta mesmo de se apresentar como DJ Jean C, afinal, são quase 30 anos discotecando profissionalmente em todos os cantos de Brasília. Firme e forte na caminhada, Jean C foi aluno do DJ Ocimar e coleciona momentos durante a carreira, mais um diretamente de Ceilândia. 

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O DJ Jean C dá aulas para a geração mais nova no Jovem de Expressão, em Ceilândia. – Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília

“Comecei a discotecar em 1986, mas profissionalmente só em 97. Então, de lá até aqui, vivi muita coisa. Trabalhei em vários projetos, a gente tem a Da Bomb, que nesse ano está fazendo 31 anos comigo e com os DJs Ocimar e Dog Daia, e é uma festa de Hip Hop tradicional de Brasília. Junto com o Alessandro, que é o Lethal Breaks, a gente tem a Disco n’ Funk que já é, desde 2019, uma festa tradicional também de disco, funk, soul, boogie e brasilidade”, contou Jean C.

Além de agitar a capital, o artista também passa para frente o que aprendeu em anos girando os discos. Uma vez aluno, agora professor. Desde 2015, Jean C dá aulas no Jovem de Expressão, em Ceilândia. “Quando me convidaram para dar aula, eu falei: ‘poxa, eu vou porque acho que essa rapaziada mais nova precisa de um apoio, e eu quero passar isso para frente’. Eu quero ter o maior número de alunos e deixar eles preparados artisticamente para atender esse cenário atual”. Ele, assim como o DJ Ocimar, vê seus alunos tomando conta da capital. Uma delas é Jakeline Ribeiro, a DJ J4K3, que também conversou com o JBr.

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A DJ J4K3 falou sobre como as mulheres lutam por cada vez mais espaço no Hip Hop. – Foto: Arquivo pessoal

Mulheres na cena

Também de Ceilândia, a artista de 28 anos falou sobre como as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no Hip Hop e também como DJs. “No DF e Entorno existem muitas DJs e coletivos incríveis que estão fazendo o corre pra se manterem no meio. Mesmo nas dificuldades, sendo mães, educadoras, é visível que muitas de nós não temos o mesmo acesso ou respeito por certas casas de shows ou produtores, produtoras, mas seguimos na luta resistindo”, contou a DJ J4K3. 

Ela relatou que sempre foi influenciada pelo Hip Hop. Inevitavelmente essa cultura a levou a começar a carreira como DJ. “Minha base veio do Hip Hop, e por ter esse contato por tantos anos, dançando e indo em festas, as coisas foram se desenvolvendo. Decidi aprender a discotecagem no segundo semestre de 2019 no Jovem de Expressão, com o grande mestre DJ Jean C. Por já estar conectada à música há tantos anos pela dança e sempre ser a amiga das músicas, decidi dar esse passo para aprender. Minha estreia como DJ foi em outubro de 2021, no Cio das Artes, no P Sul”, explicou.

Hoje, a DJ J4K3 representa as mulheres na cena do Hip Hop no DF, assim como diversas outras que buscam o espaço nesse ambiente. “Estar nesse meio é algo prazeroso e ao mesmo tempo questionável por sempre estar tendo que mostrar que é capaz de estar naquele espaço, ou de receber um valor de cachê que coincide de fato com seu trabalho. Amo incentivar mais mulheres na cena, precisamos, somos muitas e múltiplas”, completou a artista.

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