Alan Resah
Especial para o Jornal de Brasília
Guardem bem esse nome: Michel Noher. O ator com ares de galã e sotaque carregado estreou na Globo em O Rebu, em que interpretou um piloto campeão mundial de Fórmula 1, par romântico da atriz Sophie Charlotte. Agora, aos 31 anos, e larga experiência em teatro, cinema e televisão em Buenos Aires, onde nasceu, Noher se prepara para viver Felipe, em Sete Vidas – um dos sete filhos gerados por inseminação artificial a partir da doação de sêmen de Miguel, interpretado por Domingos Montagner. Na história, o personagem do argentino nasce em Recife e, aos dois anos, se muda para Argentina com a mãe. Já adulto, ele procura os meio-irmãos para tentar um transplante de fígado. “Vou poder falar com sotaque, mas estou me esforçando no português para que todos consigam entender o que eu falo”, explica o filho de Jean Pierre Noher, premiado ator de várias produções globais.
Como surgiu o convite para integrar o elenco de Sete Vidas?
Já tinha feito um teste para o núcleo de Jayme Monjardim, antes de fazer O Rebu. Quando acabou a novela, voltei para minha casa em Buenos Aires. Em menos de um mês, recebi uma ligação me convidando para Sete Vidas. Foi uma grande alegria.
Nota alguma diferença entre as produções argentinas e as brasileiras?
A principal diferença é o nível de produção, que se vê refletido em tudo. A diferença está no fato de o Brasil ter um mercado interno cinco vezes maior que o da Argentina. Além de ser um dos maiores exportadores de ficção do mundo, o que permite um investimento proporcional.
Você sempre quis fazer novelas no Brasil ou isso foi algo que aconteceu naturalmente?
Já queria trabalhar no Brasil quando conheci o País. Tinha 21 anos. A partir daí, comecei a enviar material e viajar para cá sempre que tinha a chance de fazer um teste.
Como tem sido para você trabalhar com atores brasileiros? O idioma é uma barreira?
Está sendo tudo muito bom. Já tive a sorte de trabalhar com atores que admirava como Alice Braga, Daniel de Oliveira e Patricia Pillar em outras produções. O elenco de Sete Vidas também é maravilhoso. A dificuldade com o idioma acontece na hora de decorar os textos. Em espanhol, consigo decorar na metade do tempo. Mas isso é um desafio, e não uma barreira.
O seu personagem na trama da novela das 18h vai entrar em breve no folhetim. O que você pode adiantar sobre o Felipe?
Felipe nasceu no Brasil, mas morou a vida inteira na Argentina. Pai argentino e mãe brasileira, ele fala um português fluente, mas com o sotaque de quem não cresceu aqui. Ele é filho de uma inseminação artificial e chega na novela à procura de um meio-irmão compatível para receber um transplante de fígado por uma enfermidade auto-imune. É um cara muito legal que leva com uma integridade admirável a difícil situação que está vivendo. Eu gosto muito dele.
E o interesse pela atuação? Como surgiu?
Pensei em seguir mil profissões quando era moleque. Cresci um pouco e diminuí para 4 ou 5 (risos). Acho que a atuação era a única coisa que me permitia viver várias vidas de uma vez só.
Como filho do ator Jean Pierre Noher, você se sente pressionado a fazer um bom trabalho?
Acredito que ninguém vai culpar o meu pai se eu fizer um mal trabalho. Na hora da atuação, quem está no palco ou de frente para a câmara sou eu. A pressão é só minha, portanto.
Você já está sendo chamado de galã pela imprensa e público brasileiro. Como está o assédio nas ruas?
Na verdade, não penso nisso. Estou concentrado na atuação, que é o meu trabalho. O resto não depende de mim (risos).