Raquel Martins Ribeiro
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Apesar do pouco reconhecimento, o trabalho do maquiador artístico não passa despercebido aos olhos dos espectadores. Seja no teatro, cinema, televisão ou até mesmo no Carnaval, a maquiagem artística representa uma infinidade de possibilidades de criação para quem quer se aventurar na área.
No País, vários representantes se destacam nesta arte, como Anna Van Steen, maquiadora do longa Xingu (2012); e Marlene Moura, responsável pela caracterização dos personagens vividos por Selton Melo e Paulo José, em O Palhaço (2011).
Mesmo sendo um meio ainda dominado por mulheres, os homens já alcançam seu espaço. Um dos exemplos é o fotógrafo e artista plástico Marcio Desideri, que acumula, em seu currículo, prêmios e personagens desenvolvidos para grandes espetáculos, eventos e musicais. “Sempre fui apaixonado pelo cinema, pela criação. Cada cor que a gente usa tem um significado. Isso é o que me levou a enveredar pelo caminho da maquiagem artística”, detalha Desideri.
Trabalho árduo
O maquiador revela ainda que para fazer uma caracterização são necessárias muitas horas de pesquisa e estudo. “São criações muito ricas em detalhes. Normalmente gasto entre 4 e 8 horas apenas para finalizar o personagem. Mas é impossível mensurar todo o período necessário antes das pinceladas”, explica.
O artista já trabalhou em musicais como A Bela e a Fera, O Corcunda de Notre Dame e Pinocchio. Mas também deixou sua marca na televisão, no cinema e no teatro, criando caracterizações que deixam os seus modelos vivos totalmente irreconhecíveis. “Para ser maquiador é preciso pesquisar muito. Ter criatividade e gostar muito de moda, filmes, quadrinhos e livros. Além de estar sempre atualizado”, recomenda Marcio.
Mercado forte na capital
Em Brasília, maquiadores também já conseguem seu lugar ao sol. É o caso de Lua Rodrigues, umas das criadoras estéticas de espetáculos da cidade. Há quatro anos, ela caracteriza personagens da companhia teatral Néia e Nando. “O mercado em Brasília é muito favorável. Aqui consegui me estabilizar na profissão, trabalhar com o que amo”, conta Lua. E completa: “Todo mês estreamos duas peças infantis. São inúmeras possibilidades diferentes. É uma arte inspiradora”.
Brilho maior nas telinhas
Apesar do trabalho envolver personagens dos palcos, do cinema e até caracterizações em grandes eventos, como o Carnaval, a televisão ainda é o meio mais procurado pelos maquiadores artisticos.
Segundo Marcio Desideri, o veículo se torna atrativo por oferecer melhores salários, além de status. “Muitos profissionais buscam esse caminho (da TV), mas também precisam se dedicar ainda mais na preparação técnica, pois ganham mais. Logo, as exigências são mais intensas”, afirma o artista.
O maquiador artístico lembra ainda o maior desafio de sua carreira: liderar a equipe de maquiadores da comissão de frente da escola de samba paulista Império da Casa Verde. “É uma responsabilidade muito grande, pois qualquer erro pode fazer com que a escola perca pontos. Sem contar que lidamos com a transpiração, e a maquiagem não pode derreter. Usamos produtos muito específicos. Mas graças a Deus deu tudo certo e `naquele ano a comissão ganhou nota dez na Avenida”, relembra.
De acordo com Desideri, a profissão de maquiador artístico tem sido mais reconhecida de uns cinco anos para cá. Mas, ressalva, ainda falta muito para melhorar. “Acho que estamos no caminho para sermos mais valorizados. Hoje em dia já existem cursos de formação. Na minha época, não existia. Também está mais fácil entrar no mercado”, conclui.
Saiba mais
O mundo da maquiagem artística também é explorado em reality shows.
Um dos exemplos é o norte-americano Face Off, que ganhou às telinhas em 2011 e já está em sua décima temporada.
Competição que explora o mundo da maquiagem de efeito especial, o programa é exibido no Brasil pelo canal de TV a cabo SyFy toda segunda, às 21h.