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Mais dias para visitar a Exposição Circuladô na Funarte, em Brasília

Arquivo Geral

07/03/2014 18h40

A visitação à exposição Circuladô, do artista e teórico do cinema e das novas mídias, André Parente, foi prorrogada até 23 de março. No dia do encerramento ocorrerá o lançamento do catálogo, das 17h às 20h. A mostra, que conta com o apoio do Ministério da Cultura e a Fundação Nacional de Artes (Funarte), acontece na Galeria Fayga Ostrower (Funarte/Brasília-DF) e pode visitada de segunda a domingo, das 9h às 21h. A entrada é gratuita.

Circuladô é uma videoinstalação interativa e imersiva feita a partir de imagens de arquivo. O espectador se coloca diante de um totem sobre o qual há um controlador de multimídia (giroscópio) com o qual o espectador faz a imagem e o som se mover para frente ou para trás, ao mesmo tempo em que controla a velocidade do giro dos personagens.  As imagens são projetadas em círculo, de tal forma que o espectador se sente como dentro de um gigante Zoetrope. O Zoetrope é um dos mais antigos dispositivos de imagem em movimento, inventando em 1834 por William Horner, que o batizou originalmente o “Daedalum” ou “roda do diabo”. Cada espectador poderá interagir com o “giroscópio” imprimindo-lhe um ritmo singular na imagem e no som. A instalação tenciona fazer o espectador vivenciar, por meio de uma imagem híbrida, esta experiência de suspensão, bastante hipnótica, que envolve um espaço circular, um dispositivo que gira, e que faz rodopiar os personagem, produzindo, assim, uma isomorfia entre o conteúdo e a forma.

As imagens que compõem o trabalho são loops extraídos de  filmes. Nelas, vemos personagens girar em torno do seu próprio eixo, em situações limites de loucura, transe, morte, destino. No filme “Édipo Rei” (1967), de Pier Paolo Pasolini, cada vez que Édipo chega em uma encruzilhada, coloca a mão nos olhos, gira, e segue o caminho na direção em que ele parou, como uma forma de não escolher o destino previsto pelo oráculo. No filme de Glauber Rocha,  “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1967), Corisco abre os braços e gira, antes de cair morto. No filme “Decasia” (2002), de Bill Morrison, vemos uma imagem de arquivo de um Dervish, que gira – giro sufi é uma das técnicas mais antigas e vigorosas de meditação e transe.

“Circuladô” combina o pré e o pós-cinema, o cinema e a instalação, mídias novas e antigas, e sugere que os espectadores possam experimentar os poderes de hipnose e encantamento das imagens em movimento com seu corpo como um todo. Existe uma certa atemporalidade nessas imagens, de antigos ritos e tradições orais. Essas experiências extáticas são uma homenagem não só à história do cinema, mas também às experiências, centradas no corpo, do canibalismo, carnaval e fome que foram centrais aos movimentos brasileiros da antropofagia, Neoconcretismo, Cinema Novo e Cinema Marginal. Em “Circuladô”, as manifestações do primal, do transitório e do efêmero estão conectadas por meio da participação do espectador, radicalizada por Lygia Clark e Hélio Oiticica na década de 1960. Oiticica certa vez adotou o êxtase do samba como um modo de transformar a informação em conhecimento. Essas são algumas das experiências circulares sugeridas por “Circuladô”, um título que adicionalmente faz referência à cultura oral por meio da poesia de Haroldo de Campos e da música de Caetano Veloso, uma obra que é, em si mesma, um tipo de giro cinemático, pois o compositor muitas vezes cria imagens em movimento com palavras, melodia e ritmo.

Atividades educativas

– No dia do Encerramento (23 de março), será lançado, das 17h às 20h, o catálogo da exposição, contendo um texto de Ismail Xavier, teórico e crítico do cinema.

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