Ricardo Balthazar
Especial para o Jornal de Brasília
Os quatro livros escritos pelo jornalista Elio Gaspari sobre a ditadura militar, que ele começou a publicar em 2002, ganharam roupa nova e estão em caprichadas versões eletrônicas.
Além das facilidades que outros livros nesse formato oferecem, essas versões trazem amostra preciosa do material que Gaspari pesquisou para produzir a série, ao qual poucos estudiosos tiveram acesso desde então.
A principal fonte documental explorada por Gaspari em seus livros é um arquivo que reúne papéis acumulados durante a ditadura por dois observadores privilegiados dos acontecimentos do período, o general Golbery do Couto e Silva e Heitor Aquino Ferreira, que foi secretário particular do presidente Ernesto Geisel e de Golbery.
Pesquisa
Com cerca de 5 mil documentos, esse arquivo foi confiado a Gaspari em 1985, quando as caixas em que estavam na garagem do general foram atacadas pelo mofo. Colunista da Folha de S.Paulo e de O Globo, o jornalista guarda os papéis em seu escritório em São Paulo. Esta é a primeira vez que alguns deles são divulgados na íntegra.
A versão eletrônica dos livros de Gaspari traz cerca de 200 documentos que, se fossem impressos, dariam um volume com 670 páginas. Para cada documento há uma cópia do original com transcrição completa e os trechos mais relevantes destacados.
Bônus
Para leitores que têm iPad ou Kindle Fire, o pacote oferece também filmes de época e gravações, incluindo 17 trechos de entrevistas que Gaspari fez com Geisel nos anos 1990, interrompidas com a morte do general, em 1996.
Gaspari fez várias revisões no texto dos livros – A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada (que compõem a série As Ilusões Armadas), A Ditadura Derrotada e A Ditadura Encurralada (série O Sacerdote e o Feiticeiro) –, incorporando informações que obras mais recentes sobre o período trouxeram e acrescentando duas descobertas.