O jornalista político Leandro Mazzini, 49 anos, lança no próximo dia 28 de agosto, na Casa de Chá da Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios, o livro “Depois do Papel – a reinvenção da imprensa na era da internet” (Ed. Senac-DF), em que analisa as transformações vividas pelo jornalismo nos últimos 25 anos. A partir da experiência em redações de jornais impressos, sites, rádios, TVs e revistas, Mazzini aborda a migração para o ambiente digital, o avanço da inteligência artificial e as mudanças nos modelos de negócio da imprensa.
Uma das principais previsões apresentadas no livro é a possibilidade de grandes empresas assumirem cada vez mais espaço no controle dos veículos de comunicação. Para Mazzini, bancos, operadoras de telefonia e big techs já participam do setor como anunciantes, investidores ou sócios e podem ampliar essa presença nos próximos anos. “Os jornais terão naming rights – serão controlados por bancos, operadoras de telefonias, big techs e outros conglomerados que têm e querem controle de dados e informação. Hoje eles já estão disfarçados de investidores ou pagando publicidade”, comenta Leandro.
Segundo o jornalista, o interesse dessas empresas está relacionado principalmente ao acesso a dados e informações. “As grandes empresas descobriram que a mídia ainda tem seu poder e querem ser protagonistas de alguma forma do setor, acompanhando tendências da mídia. Mas principalmente tendo acesso e controlando dados de leitores para agregar capital”, afirma.
Mazzini também prevê uma transformação definitiva do modelo impresso. Para ele, a manutenção de gráficas e estruturas físicas se tornará cada vez mais difícil, levando os veículos a reduzir a frequência das edições ou migrar completamente para o ambiente digital. “O jornal impresso morreu, mas o velório é caro”, resume.
Apesar das mudanças, o jornalista não acredita no fim da atividade jornalística. A aposta é em uma adaptação das redações e na consolidação de profissionais capazes de produzir conteúdo para diferentes plataformas. “O jornalismo nunca morrerá, apenas se reinventa. Daí o título do livro”, afirma.
Essa transformação, segundo Mazzini, já pode ser observada desde a expansão da internet, nos anos 2000. Os veículos que permaneceram no mercado passaram a investir em diferentes formatos e plataformas, cenário que deu origem ao chamado “multirrepórter”, profissional que produz para diferentes meios de um mesmo grupo de comunicação. “E assim será o setor para frente”, diz.
A experiência do jornalista começou ainda em 1996, quando atuava como cronista de impressos semanais em Minas Gerais. A partir de 2000, passou por diferentes segmentos da mídia e acompanhou de dentro das redações a transição do jornalismo para o ambiente digital. “A vivência intensa e diária nas redações, em variadas escalas, me fez um espectador e também um pouco protagonista destes veículos, conhecendo muito dos dois lados — da notícia ao leitor”, relata.
Com trajetória consolidada no jornalismo político, Mazzini criou, em 2011, a Coluna Esplanada, voltada aos bastidores dos Três Poderes. Atualmente, o conteúdo é reproduzido diariamente por mais de 60 jornais e portais de todos os estados. Sobre os anos de cobertura política, resume a principal lição em uma frase: “Ter muita cautela com a notícia e as pessoas”. “Depois do Papel” é o quarto livro do jornalista.