A partir de uma experiência pessoal de escuta e observação, o engenheiro e pesquisador Edjair de Siqueira Alves transformou inquietações sobre o presente e o futuro em um estudo comparativo entre gerações. O resultado é o livro A Felicidade entre as Gerações, que teve uma sessão de autógrafos e foi lançado nesta segunda-feira (22), no Ernesto Café da Caixa Cultural Brasília. A obra propõe uma reflexão sobre como diferentes faixas etárias compreendem conceitos como felicidade, trabalho, longevidade e meio ambiente em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas e sociais.
A apuração do livro começou durante um período sabático vivido pelo autor no exterior. Ao passar meses no Canadá e nos Estados Unidos, Edjair voltou à sala de aula depois de décadas afastado do ambiente acadêmico e passou a conviver diariamente com jovens das gerações Y e Z. Foram cerca de seis horas diárias de contato com mais de 160 estudantes, vindos de 18 países, além da realização de aproximadamente 60 entrevistas em vídeo. “Percebi que estava diante de uma oportunidade única de ouvir essas gerações sem filtros e entender como elas enxergam a vida, o futuro e a felicidade”, afirma o autor.

O interesse central da pesquisa foi compreender como esses jovens se preparam para um futuro marcado pelo aumento da longevidade, pelas mudanças no mundo do trabalho e pelas crises ambientais. Segundo Edjair, a visão apresentada por eles é mais simples e, ao mesmo tempo, mais consciente. “Eles não associam felicidade apenas a dinheiro ou estabilidade. Falam muito mais em liberdade, propósito e qualidade de vida”, relata.
O entusiasmo dos próprios entrevistados, que se dispuseram a colaborar com a organização das gravações, levou o autor a ampliar o escopo do estudo. A análise passou a incluir outras gerações, da chamada geração silenciosa, formada por pessoas nascidas entre 1928 e 1945, passando pelos baby boomers e pela geração X, até chegar à geração Alfa. No caso das crianças menores, Edjair realizou observações comportamentais. “O que aparece de forma tímida em uma geração tende a se fortalecer na seguinte. A preocupação ambiental é um exemplo claro disso”, explica.
Entre as conclusões do livro está a ideia de que o conceito de felicidade não mudou em essência, mas se adaptou aos valores de cada época. Enquanto gerações mais antigas associavam felicidade à estabilidade profissional e à construção patrimonial, os mais jovens colocam a vida pessoal à frente do trabalho. “Para a geração Z, trabalhar é importante, mas não pode ser mais importante do que viver”, resume.

Outro ponto abordado é a relação entre dinheiro e felicidade. Para o autor, a renda é fundamental até certo limite. “Depois de um determinado patamar, o dinheiro deixa de mover o ponteiro da felicidade”, afirma. A partir daí, fatores como saúde, relações afetivas, amizades e realização pessoal passam a ter maior peso no bem-estar.
Mais do que oferecer respostas prontas, A Felicidade entre as Gerações se apresenta como uma obra de reflexão. A proposta, segundo Edjair, é estimular o leitor a compreender melhor as diferenças entre gerações e assumir o protagonismo da própria trajetória. “Nossa vida é uma travessia. E cada pessoa precisa se reconhecer como protagonista da sua história e da sua felicidade”, conclui.
O livro já está disponível para compra na Amazon e terá distribuição em livrarias nacionais e estabelecimentos locais.