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Literatura

Jornalista e escritora lança romance sobre identidade, tecnologia e futuro

“Cidade de bolhas e vãos” foi lançado na última sexta-feira (18), no Sebinho, em Brasília

Larissa Barros

21/09/2026 19h17

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Cristovam Buarque. – Foto: Divulgação

Depois de mais de cinco décadas dedicadas ao jornalismo, Suzana Varjão se volta à literatura para discutir as transformações de um mundo cada vez mais atravessado pela tecnologia. O resultado é o romance “Cidade de bolhas e vãos”, lançado na última sexta-feira (18), às 18h, no bistrô da Livraria Sebinho, em Brasília.

Na obra, a autora constrói uma narrativa sobre as disputas por espaço e identidade em uma sociedade marcada pela digitalização da vida. Questões como meio ambiente, memória, inteligência artificial e relações humanas aparecem entrelaçadas a uma história de ficção que também reúne elementos como paixão, ciúme, traição e aventura.

A proposta, segundo Suzana, é provocar uma reflexão sobre o futuro a partir das escolhas feitas no presente. “Chamar a atenção sobre nosso futuro, sobre o mundo que estamos construindo, a partir das escolhas que estamos fazendo”, resume a escritora.

A chamada “guerra de lugares” apresentada no romance não se limita ao espaço físico. Para Suzana, a disputa também acontece no campo simbólico e identitário, em uma sociedade na qual as fronteiras entre o real e o virtual se tornam cada vez mais difíceis de estabelecer.

É nesse cenário que a memória ganha papel central na narrativa. A autora apresenta uma disputa entre grupos que buscam apagar ou recuperar memórias, enquanto temas como preservação ambiental, identidade, cultura e conhecimento tradicional entram em jogo.

“Essa ‘guerra de lugares’ ou ‘guerra de identidades’ ocorre na era digital, ou na ‘idade mídia’, com suas novas formas de dominação, suas novas armas, que buscam apagar as fronteiras entre os mundos virtual e material, real e simulado, e, em última instância, entre gente e máquina”, explica.

Apesar da dimensão social e política dos temas, Suzana escolhe o romance como forma de abordar essas questões. A ficção permite que assuntos complexos sejam apresentados por meio de personagens e conflitos próprios da narrativa, sem abrir mão do entretenimento. “Tudo isso com a capa da ficção, usando os ingredientes do gênero romance, como paixão, ciúme, sexo, traição, aventura… muita aventura!”, afirma.

Da redação para a literatura
A relação de Suzana com a palavra, no entanto, começou muito antes da publicação do romance. Jornalista, ela atuou durante mais de 50 anos na profissão, sendo 20 deles como editora de cultura. Ao longo da carreira, também recebeu 28 prêmios relacionados à defesa dos direitos de diferentes grupos sociais.

A experiência no jornalismo influenciou diretamente a maneira como a autora passou a enxergar a construção das narrativas. Para ela, tanto o jornalismo quanto a literatura têm capacidade de interferir na forma como a sociedade compreende o mundo. “O jornalismo me fez compreender que narrativas não só refletem, como constroem realidades”, afirma.

A experiência como editora também fez Suzana perceber a importância das escolhas feitas durante a construção de uma narrativa. Recortes, prioridades e até os silêncios, segundo ela, podem produzir efeitos sobre a vida social.

Na literatura, encontrou a possibilidade de continuar trabalhando com questões sociais, mas com maior liberdade estética. Se no jornalismo existe o compromisso com a exatidão dos fatos e com a mediação das diferentes vozes, na ficção a autora pode criar personagens, situações e mundos.

Para Suzana, isso não significa abandonar o compromisso ético. “Qualquer narrativa está inevitavelmente impregnada de valores, visões de mundo, vivências, mas na narrativa não-ficcional, como o jornalismo, o compromisso maior é com a exatidão dos fatos. Na ficção, essa ‘camisa de força’ desaparece. Mas o compromisso ético é o mesmo”, afirma.

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