Há livros que ficam marcados por uma época e outros que atravessam gerações por tratarem de questões que permanecem presentes ao longo do tempo. É o caso de Confissões de Adolescente, de Maria Mariana, que ganhou uma nova edição pela Maquinaria Editorial, 34 anos após a estreia da obra que levou ao público relatos sobre descobertas, dúvidas e experiências da juventude.
O livro nasceu dos diários que Maria Mariana começou a escrever aos nove anos, por sugestão do pai, o cineasta Domingos Oliveira. Antes de chegar às livrarias, a história foi levada aos palcos. A peça estreou em 8 de março de 1992, no porão do Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro. Posteriormente, a produção ganhou uma versão para a televisão e o projeto se tornou um fenômeno editorial, com mais de 250 mil exemplares vendidos.

Primeiro beijo, primeira relação sexual, primeiro contato com o cigarro e a experiência diante da morte aparecem nos relatos com a franqueza característica de quem atravessa essas experiências pela primeira vez. A obra se tornou conhecida justamente por abordar a adolescência sem recorrer a fórmulas ou julgamentos.
Na nova edição, Maria Mariana, hoje com 53 anos, mãe de quatro filhos e formada em psicologia, revisita a jovem que escreveu os textos originais. O livro traz um prefácio inédito em que a autora retoma a própria trajetória e procura observar a adolescente que foi sem idealizá-la ou condená-la.
“Minha jovem interior me reconhece na alma de artista e tem me ensinado muitas coisas sobre a coragem para se lançar. Estamos nos surpreendendo ao ver o projeto ‘Confissões de Adolescente’ chegar com uma nova mensagem, abrindo os próprios caminhos”, afirma Maria Mariana.

A edição também recupera a apresentação original escrita por Domingos Oliveira e reúne textos das atrizes Patrícia Perrone, Carol Machado e Ingrid Guimarães, que integraram o elenco da montagem teatral. Cada uma delas compartilha lembranças da própria adolescência e das primeiras experiências como artista. Entre os relatos está a história de Ingrid sobre a primeira vez que fumou maconha e saiu à rua, sem perceber, com uma toalha enrolada na cabeça.
O reencontro com a obra também coloca em perspectiva as transformações na maneira como adolescentes se relacionam consigo mesmos e com os outros. Para Maria Mariana, a principal diferença entre a juventude retratada originalmente no livro e a atual está na relação com a exposição e a aprovação social.
“Nos anos 90 eu escrevia diários para autoconhecimento, hoje as pessoas se expõem nas redes pautando a aprovação do outro. O que continua igual é a alma adolescente, esse lugar de descobertas que é universal”, explica.
A autora também identifica uma mudança na relação entre pais e filhos. A geração que viveu a adolescência antes da popularização da internet convive hoje com jovens que cresceram em um ambiente marcado pelas redes sociais e pela comunicação digital. “São dois mundos diferentes. O desafio é reconhecer que a distância existe e falar com o coração”, afirma.
A nova edição, portanto, propõe um diálogo entre diferentes gerações a partir de experiências que continuam fazendo parte do processo de crescimento. A adolescente dos anos 1990 é hoje mãe de adolescentes e revisita suas próprias descobertas a partir de outra perspectiva.

Para Maria Mariana, apesar das transformações sociais e tecnológicas, algumas questões permanecem. “Os anseios adolescentes sempre serão eternos, e a necessidade de diálogo continua sendo o maior desafio. O único fio que pode trazer união”, afirma.
O lançamento da nova edição de Confissões de Adolescente já está disponível em todas as livrarias. Três décadas depois da primeira publicação, o livro retorna às livrarias não apenas como registro de uma geração, mas também como uma oportunidade de aproximar experiências de adolescentes de diferentes épocas.