SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
O escritor americano John Green ficou mundialmente famoso com o best-seller “A Culpa é das Estrelas”, sobre dois adolescentes que se conhecem num grupo de apoio para jovens com câncer. Julgando pelo título, seu novo livro, “Tudo é Tuberculose”, poderia ser uma história parecida mas o título é muito diferente de suas obras anteriores.
O novo livro é uma obra de não ficção. Em “Tudo é Tuberculose”, John Green conta a história de como a doença pode ter influenciado grandes eventos históricos, desde o início da Primeira Guerra Mundial até a invenção do chapéu de caubói. Ele fez sua estreia na não ficção em 2021, com a coleção de ensaios “Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra”, mas essa é a primeira vez que dedica um livro inteiro a um único tópico.
John Green decidiu escrever o livro após conhecer um jovem com tuberculose em Serra Leoa. Há dez anos, o escritor iniciou um projeto para ajudar a diminuir as taxas de mortalidade materna no país africano que, na época, era recordista nesse índice. Em 2019, numa visita a um hospital local, conheceu uma criança que parecia ter menos de dez anos e lhe guiou num tour.
Depois, ele descobriu que o menino na verdade tinha 17 anos. Henry parecia uma criança por consequência da desnutrição e da tuberculose agravada pela falta de acesso a diagnósticos e medicamentos atualizados: “Henry queria que eu contasse a sua história. Ele me pediu isso. E ele queria que eu contasse através da verdade, não pela ficção”.
O escritor ressalta que, em países ricos, a tuberculose é considerada uma doença do passado. Os países mais pobres, no entanto, não têm acesso aos exames diagnósticos mais precisos e aos antibióticos mais modernos, tornando a doença um problema do presente.
“Henry Reider ficou doente por causa de todas as forças históricas que permitem que a tuberculose ainda exista, apesar de ter cura desde os anos 1950”, afirma Green.
Apesar do formato diferente do novo livro, ele aponta que a obra ainda envolve seus temas preferidos: juventude e doenças. “Tem uma frase da Virginia Woolf que diz que, dada a importância da doença, era de se esperar que ela estaria ao lado da guerra e do amor nos grandes temas da literatura. A doença é algo que afeta quase todos nós. Por isso, é um tópico muito importante e não acho que escrevemos o suficiente sobre isso”.
Para ele, o pano de fundo da doença é uma forma de destacar as experiências típicas da juventude. “Em ‘A Culpa é das Estrelas’, dois adolescentes vivem seu primeiro amor, mas com a consciência de que sua vida pode ser mais curta que as vidas da maioria das pessoas. Eles são obrigados a se perguntar se uma vida curta também pode ser uma vida boa”, explica.
Gosto de escrever sobre adolescentes porque eles estão vivendo muitas coisas interessantes pela primeira vez. Isso é muito intenso. Quando você se apaixona pela primeira vez, parece que nunca aconteceu antes não só com você, mas na história da humanidade. John Green
Ele conta que, após a publicação do livro, recebeu relatos de pessoas que se inspiraram a lutar por mais acesso à saúde mundialmente. “Infelizmente, eu acho que a tuberculose vai piorar nos próximos anos por causa da falta de investimento dos Estados Unidos e de outros países ricos. Mas nós ainda podemos viver num mundo em que a tuberculose aconteça raramente e nunca seja fatal. Eu realmente acredito que isso pode acontecer durante a minha vida”.